junho 29, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #69 - João Miguel Lameiras no Diário “As Beiras” + Pedro Cleto no Jornal de Notícias + CONVITE PARA LANÇAMENTO DE DOIS LIVROS DE JOSÉ RUY

João Miguel Lameiras no Diário “As Beiras” sobre o recém lançado livro A TEORIA DO GRÃO DE AREIA, de Schuiten e Peeters. Pedro Cleto no Jornal de Notícias, sobre a lenda de MOURA em BD por 16 autores portugueses; sobre a Exposição de Craig Thompson na Mundo Fantasma e sobre a última edição de Manuel Caldas: LANCE, Volume 2 (de 4). Depois o CONVITE para o Lançamento de dois Livros de José Ruy, OS LUSÍADAS EM BD (edição comemorativa dos 25 anos da publicação) e MIRANDÊS - HISTÓRIA DE UMA LÍNGUA E DE UM POVO EM BD, em edições em português e mirandês…

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BANDA DESENHADA

REGRESSO ÀS CIDADES OBSCURAS

João Miguel Lameiras

Uma das mais interessantes séries de banda desenhada europeia das últimas décadas, “As Cidades Obscuras”, de Schuiten e Peeters, nunca tiveram em Portugal a atenção constante que a qualidade da série justificava. Depois das Edições 70, Meribérica e Witloof, chegou a vez das edições Asa pegarem na série, editando a 1.ª parte de “A Teoria do Grão de Areia”, a mais recente incursão da dupla Schuiten e Peeters pelo universo das Cidades Obscuras, publicado originalmente em França em Setembro de 2007.

Série maior da BD franco-belga, que cedo ultrapassou os limites da própria banda desenhada, para dar origem a livros ilustrados, documentários, exposições, intervenções cenográficos e até um congresso em Coimbra (cujas actas deram origem ao livro “As Cidades Visíveis”), “As Cidades Obscuras” é um desses raros exemplos de que na BD também é possível criar universos complexos e coerentes. Nascida em 1983, nas páginas da revista (A Suivre) com “Les Murailles de Samaris” e o que era para ser uma história independente, de homenagem à Arte Nova e à arquitectura em “trompe l’oeil”, acabou por dar origem a uma série de histórias autónomas, passadas num universo que os próprios autores definem como sendo um reflexo deslocado da Terra. Um universo constituído por uma série de cidades fantásticas, como Urbicande, Samaris, Brussels, Xystos, ou Phary, verdadeiros protagonistas de histórias fascinantes, que têm como pano de fundo as relações entre a arquitectura e o poder.

Em “A Teoria do Grão de Areia”, álbum que as Edições Asa distribuíram nesta última quinta-feira com o jornal Público (mesmo que na véspera já estivesse à venda no El Corte Inglês de Lisboa…) e que em meados de Julho chegará ao mercado livreiro tradicional, é a cidade de Brusel (equivalente no universo das Cidades Obscuras a Bruxelas) que se vê afectada por estranhos fenómenos. Fenómenos esses que atraem a Brusel, Mary Von Rathen, a protagonista do álbum “A Menina Inclinada”, que agora aparece como uma investigadora de fenómenos paranormais, na linha de uma Dana Scully, da série “X Files – Ficheiros Secretos”. E Mary não é a única personagem recorrente na série a participar nesta aventura, pois também Constant Abeels, que conhecemos do álbum “Brusel” é uma das vítimas dos estranhos fenómenos, ao ver a sua casa invadida por milhares de pedras vindas do nada, de formato irregular, mas todas com o mesmo peso de 6.793 gramas.

Embora este álbum possa perfeitamente ser lido por quem não conheça a série, há uma série de referências que serão mais facilmente compreendidas por quem conhecer bem a obra de Schuiteen e Peeters e o universo das Cidades Obscuras, como é o caso do edifício, desenhado por Victor Horta onde vive a Senhora Autrique, que existe realmente em Bruxelas e que foi recentemente restaurado e dinamizado, muito por via do esforço de Schuiten e Peeters.

Apresentado num formato italiano (horizontal) pouco habitual, este álbum mostra um Schuiten a explorar a técnica do preto e branco a pincel, na linha dos grandes mestres da BD nos jornais, como Milton Caniff, ou Alex Raymond, com excelentes resultados, em que a opção por um papel em tons de cinzento realça ainda mais o branco das pedras e da areia que invadem as casas de Constant Abeels e da Senhora Antipova. Agora, resta esperar pela edição portuguesa do segundo volume (anunciado para 2010) para saber como acaba esta história que nos proporciona um regresso ao fascinante universo das Cidades Obscuras.

Se a Asa está de parabéns pela aposta numa série absolutamente fundamental, ainda para mais contando com a divulgação acrescida que lhe é dada pela distribuição com o jornal Público, só é pena que, em vez da “Teoria do Grão de Areia”, não tivesse começado com o 2.º volume de “A Fronteira Invisível”, a história anterior, de que em Portugal apenas saiu a primeira parte, devido à falência da editora Witloof. Os leitores que não sabem francês (os outros, há muito que desistiram de esperar pelas edições portuguesas) certamente agradeceriam…

(“A Teoria do Grão de Areia” vol 1, de Schuiten e Peeters, Edições Asa, 136 págs., 17,50 Ä)

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Jornal de Notícias, 24 de Junho de 2009

AUTORES PORTUGUESES RECONTAM LENDA DE MOURA EM BD

Pedro Cleto

Aproveitando o feriado municipal, a Câmara Municipal de Moura inaugura hoje, pelas 11 horas, no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, a exposição dos originais que compõem o álbum "Salúquia - A Lenda de Moura em Banda Desenhada", que ficará patente até dia 20 de Julho.

Obra colectiva, em gestação desde 2004, junta 15 desenhadores e um argumentista - Luís Afonso, Jorge Magalhães, Augusto Trigo, José Ruy, José Garcês, Artur Correia, Zé Manel, Carlos Alberto, Isabel Lobinho, Pedro Massano, Catherine Labey, José Abrantes, Baptista Mendes, Eugénio Silva, José Pires e José Antunes - já com muitas provas dadas na BD nacional, não só na temática histórica, mas também no campo do humor, do erotismo ou da ficção aos quadradinhos.

Apresentado hoje, o álbum, com 76 páginas, capa de Carlos Alberto e contra-capa de Isabel Lobinho, compila treze bandas desenhadas e duas ilustrações que são outras tantas versões, diferentes no estilo, nas técnicas e na abordagem, da lenda da moura Salúquia, que originou o actual nome da cidade de Moura.

Durante o lançamento e na inauguração da exposição, ocorrerão momentos musicais a cargo do Coro Polifónico "As Vozes da Moura" e de elementos do Conservatório Regional do Baixo Alentejo - Secção de Moura.

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junho 25, 2009

FEIRA LAICA NA BEDETECA DE LISBOA 27 E 28 DE JUNHO + EXPOSIÇÃO "OS ILUSTRÁVEIS" EM OEIRAS

Aí está mais uma FEIRA LAICA no jardim (e não só) da BEDETECA DE LISBOA, no próximo fim-de-semana, dias 27 e 28. Encontram-se sempre algumas pechinchas entre o pessoal que leva livros que já não quer e outras coisas, claro. Depois, dia 29 inaugura no Palácio Ribamar, em Algés, a exposição OS ILUSTRÁVEIS: Vasco Gargalo (desenhos), André Oliveira (texto).

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Mais uma vez, como tem vindo a ser hábito, a Feira Laica invade os jardins da Bedeteca de Lisboa para mostrar a dinânima da edição independente portuguesa e estrangeira, naquela que será a única e MAIOR feira do género - tanto que neste ano tudo aumentaram o número de convidados estrangeiros, o número de editoras e o número de novidades editoriais.

Da Finlândia vem Benjamin Bergman, Jarno Latva-Nikkola e Tommi Musturi (que desenhou o cartaz da Feira) - ambos do colectivo finlandês Boing Being, com ligações ao jornal Kuti e à antologia Glömp. Da Eslovénia Kaja Avbersek e Gasper Rus do colectivo esloveno Stripcore que edita a revista Stripburger. A autora Kaja ilustrou o último número da revista "Entre o vivo, o Não-Vivo e o Morto".

De Portugal: revista Acto, Alexandre Esgaio, Atelier Toupeira / Bedeteca de Beja, Averno, Bela Trampa, Chili Com Carne, colectivo Pinopaco, El Pep, discos F.Leote, Os Gajos da Mula, Grain of Sound, zine O Hábito Faz O Monstro, Hülülülü, Imprensa Canalha, Lemur, Marvellous Tone, Massa Folhada, Mike Goes West, MMMNNNRRRG, Opuntia Books, Piggy, Reject Zine (com All*Girlz zine, Doczine, Shock e Terminal), Skinpin Records,Sleep City, Thisco, Drome Video Zine, Zona Zero e zine Znok. A confirmar: Centro de Convergência, FlorCaveira e Raging Planet.

As novidades editoriais anunciadas:
- "Aguda" (Sleep City), zine;
- "Chthonic : Prose & Theory" (Chili Com Carne + Thisco), livro de Vadge Moore;
- "Crack On : 2nd Ponti Comix Anthology" (Chili Com Carne + Forte Pressa), antologia de bd;
- "Cult Pump" (Opuntia Books), grafzine de Zven Balslev;
- "Derby" (Imprensa Canalha + Mike Goes West), grafzine colectivo;
- "Dry and Free From Grease" (Opuntia Books), grafzine de André Lemos;
- "É fartar vilanagem!!" #2, zine bd de Alexandre Esgaio;
- "Old Age" (Skinpin), CD dos The Pope;
- "As Raças Humanas" (Imprensa Canalha), grafzine de José Feitor;
- serigrafia de Alberto Corradi (Mike Goes West);
- "Shock" #29, fanzine bd de Estrompa;
- T-shirt CCC #3 (O Hábito Faz O Monstro), de João Chambel;
- "Zona Zero", antologia de bd;
- "Znok" #2, zine bd de Filipe Duarte.

Este ano, a Feira Laica vai dar algum destaque ao meio aúdio-visual, aproveitando o auditório da Bedeteca para projectar, filmes de animação, vídeos e documentários sobre edição independente.
No Sábado, a partir das 14h30:
- "CTRL+ALT+TOONS : A collection of independent cartoon by Inguine.net" (66m, Itália, 2006) do colectivo de bd Inguine;
- "Carbage Goma" (26m, EUA, 2009) de David Lee Price - vídeo incluído no disco "Journey Into Amazing Caves" dos Zanzibar Snails);
- "20 ans de Fanzino" (49m, França, 2009) de Marika Boutou e Karel Pairemaure - ver Destaque de 15.06.09);
- "Doczine, vol. 1 e 2" (2h, Portugal, 2004/09) de José Lopes, com a presença do autor para questões após visionamento.
No Domingo, a partir das 14h30 - é o "dia do cinema de animação nacional" com vários filmes da produtora Animanostra (2h total, Portugal, 2000/09):
- "Histórias de Molero" de Afonso Cruz;
- "Algo importante" de João Fazenda;
- "Diário de uma inspectora do livro de recordes" de Tiago Albuquerque;
- "Um degrau pode ser um mundo" de Daniel Lima - estes últimos três filmes ambos com argumento de João Paulo Cotrim;
- "O Paciente", "Sem respirar" e "Sem dúvida, amanhã", ambos de Pedro Brito;
- "Januário e a Guerra" de André Ruivo;
- "Pássaros" de Filipe Abranches;
Para finalizar este dia Goran Titol (imagem) toca e mostra os seus filmes de animação num concerto para todo público.

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junho 23, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #68 - Carlos Pessoa no Público: LANÇAMENTOS - AMANHÃ MAIS UM VOLUME DA COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN E NA 5ª FEIRA "TEORIA DO GRÃO DE AREIA"

O jornal Público lança amanhã mais um livro da colecção Clássicos da revista Tintin, desta vez “Bernard Prince”, de Greg e Hermman. Na 5ª feira, também com o Público é lançado o livro “A Teoria do Grão de Areia”, de Benoit Peeters e François Schuiten. Tudo isto em colaboração com a ASA.

De referir que esta “A Teoria do Grão de Areia”, foi motivo de uma recensão crítica de Pedro Cleto no BDjornal #21 (Outubro/Dezembro de 2007) que, já agora incluímos aqui, bem como a referência à exposição em Bruxelas, aquando do lançamento do álbum.

Mas vamos por ordem de lançamentos:

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BERNARD PRINCE NO SEXTO ÁLBUM DA COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN

TRÊS AVENTUREIROS NUM BARCO

Bernard Prince
Quarta-feira, 24 de Junho
Por + 6,90 euros

Carlos Pessoa

Bernard Prince, Barney Jordan e Djinn são os elementos residentes de uma banda desenhada popular de qualidade. Este trio inconfundível, com características complementares - de facto, a quem ocorreria associar um homem elegante, fleumático e com boa apresentação (Prince) a um colérico barrigudo, beberrão e mal vestido (Barney) e a uma criança? -, foi uma criação da dupla Greg - Hermann, dois talentos puros que iriam, nos anos seguintes, dar ainda muito que falar de si e do seu trabalho.

Quanto a Bernard Prince e seus companheiros, começaram por ser os protagonistas de curtas histórias que viram a luz do dia na revista Tintin (edição belga), a partir de 4 de Janeiro de 1966. Uma vez apresentados, puseram-se a correr mundo a bordo do seu navio Cormoran, vivendo situações em destinos cada vez mais exóticos.

A série filia-se, assim, na melhor tradição da BD de aventuras, tão ao gosto dos jovens leitores da revista que as acolheu, mas também de um público mais adulto que sabe apreciar uma boa série de acção.

Os adversários dos heróis são, em geral, gente dura e sem escrúpulos, traficantes ou simples bandoleiros, criminosos empedernidos ou personagens oblíquas sem ética. Ou seja, homens e mulheres pouco recomendáveis, para quem a vida humana pouco ou nada vale. Neste contexto tão adverso, os personagens respondem com a sua inteligência e coragem, frieza e audácia, condimentadas com a força física sempre que isso se revela necessário. O resultado final é convincente: realizadas na fase culminante do percurso da série, as duas aventuras seleccionadas ilustram bem essa capacidade de síntese dos ingredientes narrativos, sabiamente doseados pelos seus criadores.
A mão de Greg está presente na maturidade dos argumentos que escreve. Hermann revela, nesta primeira obra de uma longa série produzida nas décadas seguintes, um talento acima da média. Associando acção e dramatismo (Greg) num registo gráfico realista com grande força expressiva (Hermann), os dois criadores assinam uma das obras de referência da BD europeia da segunda metade do século XX. Infelizmente para todos, Hermann abandonará a série em 1977, para se dedicar a outros projectos.

A carreira de Bernard Prince em Portugal começa no dia 31 de Maio de 1969, quando a revista Tintin inicia a publicação de Tormenta sobre Coronado. Nesse mesmo ano surge o primeiro álbum da série - Os Piratas de Lokanga (inclui uma segunda história, O General Satã), com a chancela da Editorial Íbis. Além da Íbis, outras três editoras publicaram álbuns da série Bernard Prince. A Livraria Bertrand foi responsável pela saída de quatro livros entre 1973 e 1978 e a Distri Editora publicou dois em 1983. A Meribérica-Liber, por último, lançou três álbuns de Bernard Prince em 1987 e 1988 (um dos quais assinado por Dany e Greg).

A Fortaleza das Brumas e Objectivo Cormoran são as histórias que integram o sexto álbum da colecção Clássicos da revista Tintin, dedicado a Bernard Prince. Esta colecção é composta por uma selecção dos melhores heróis clássicos daquela publicação periódica de referência que constituiu um suporte fundamental de divulgação da banda desenhada na segunda metade do século XX. As duas aventuras (argumento de Greg e desenho de Hermann) estão inéditas em álbum em Portugal.

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A Teoria do Grão de Areia, BD inédita em Portugal em edição conjunta Público-ASA

ESTRANHOS ACONTECIMENTOS EM BRUXELAS

A TEORIA DO GRÃO DE AREIA (tomo 1)
Quinta-feira, 25 de Junho
Por +17,50euros

Carlos Pessoa

Último episódio do ciclo Cidades Obscuras, verdadeiros protagonistas de uma série que homenageia os grandes arquitectos do início do século XX

Constant Abeels passa o seu tempo a arrumar pedras que se materializam de forma misteriosa no seu apartamento. Apoucos quarteirões, a senhora Antipova debate-se com a lenta, mas inexorável, acumulação de areia nas divisões de sua casa, para grande alegria dos dois filhos. O chef Maurice debate-se com uma situação paradoxal- perde peso, ao ponto de ser obrigado a usar pesos para não flutuar, mas não emagrece...

A equação formulada pelo argumentista Benoit Peeters e pelo desenhador François Schuiten – autores do álbum de banda desenhada A Teoria do Grão de Areia que será distribuído pelo PÚBLICO no próximo dia 25 de Junho - completa-se com a presença de Mary Von Rathen, a antiga criança-inclinada de outra história desta dupla (L'Enfant Penchée), a quem compete investigar e resolver estes enigmas.

Esta banda desenhada, último episódio conhecido do ciclo Cidades Obscuras (a segunda parte da história será publicada em 2010) que os dois criadores desenvolvem desde 1982, é apresentada num belíssimo álbum (formato italiano e bicromia) dentro de caixa dura, uma fórmula inédita nesta série e pouco comum nas edições oriundas do mercado franco-belga.

Os vastos espaços arquitecturais do díptico anterior (A Fronteira Invisível, parcialmente publicado em Portugal) dão lugar a uma narrativa mais centrada em ambientes interiores, com recurso a técnicas gráficas que contribuem para manter o clima misterioso e apocalíptico que atravessa esta e outras histórias.
O projecto da dupla Peeters-Schuiten constitui uma singularidade no panorama da banda desenhada europeia. Samaris, Urbicanda, Armilia ou Bruxelas são, no seu esplendor urbanístico e arquitectónico, os verdadeiros protagonistas de uma série que é tanto uma homenagem aos grandes arquitectos dos primeiros anos do século XX, como a manifestação de uma utopia grandiosa em torno dos espaços balizadores de um grandioso mundo paralelo.

Os leitores terão de esperar pelo segundo tomo de A Teoria do Grão de Areia para saber que mistérios se ocultam por trás desta bizarra invasão de Bruxelas por areia e pedras, e que nexo existe com a perda de gravidade de alguns dos seus habitantes. Mas os dados estão lançados desde já: o acontecimento inquietantes que se desenvolvem em Bruxelas constituem um sério desafio à capacidade de entendimento colectivo, sugerindo a existência de espaços de resistência à compreensão das coisas que a ciência e a razão, chaves de leitura desta civilização e deste tempo, são aparentemente incapazes de derrubar.

Abanda desenhada A Teoria do Grão de Areia (tomo 1), de Benoit Peeters (argumento) e François Schuiten (desenho), é o último episódio do ciclo Cidades Obscuras, que aqueles criadores desenvolvem desde 1982 com grande sucesso. Numa iniciativa conjunta Público-ASA.

Esta obra inédita em Portugal é apresentada num álbum de formato italiano e bicromia, dentro de caixa dura, fórmula inédita na série e pouco comum nas edições oriundas do mercado franco-belga.

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A Teoria do Grão de Areia no BDjornal #21:

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LA THÉORIE DU GRAIN DE SABLE

François Schuiten (desenho) e Benoit Peeters (argumento)

Casterman

Universo fantástico, só possível em BD, paralelo ao nosso, com múltiplos pontos de contacto, referências ou desenvolvimentos, combinando presente, passado e futuro e dotado de cidades (quase) com vida própria - as verdadeiras protagonistas de cada livro - onde se distinguem alguns habitantes, atentos ou desencadeadores dos pormenores que despoletam cada história, a série "As cidades obscuras", associa o traço sumptuoso - mas extremamente legível e funcional - de François Schuiten, que cria e recria arquitecturas e mundos, e os argumentos inteligentes, ao mesmo tempo profundos e claros, de Benoit Peeters.

No mais recente álbum, "La Théorie du grain de sable", que começa com alguns factos insólitos aparentemente sem interligação, mas que se vão acentuando com o passar do tempo - a morte por atropelamento de um estrangeiro de aspecto bárbaro, a acumulação regular de grãos de areia num apartamento e de pedras de peso constante (6793 gramas, um número primo) noutra ou a progressiva perda de peso, sem que no entanto emagreça, por parte de um chefe de cozinha - mostrando o perigo do aumento descontrolado de pequenos problemas de fácil solução na sua origem, Peeters e Schuiten constroem uma fábula ecológica que alerta para os perigos do aquecimento global, ao mesmo tempo que mostram que o que vem de fora (da Europa comunitária…) não tem que ser obrigatoriamente mau, só porque é diferente.

Nele, reencontramos a (já não) pequena Mary Von Rathen (de "L'enfant penchée"), chamada de Phâry para conduzir o inquérito sobre os estranhos acontecimentos, e Constant Abeels (de "Brusel"), anos depois das histórias que (co-) protagonizaram, que vão ser observadores privilegiados dos insólitos fenómenos que dão um toque de fantástico, até aqui praticamente ausente na série, e que contrasta com o traço hiper-realista com que Schuiten, a pincel, construiu os cenários, e pontuam a acção deste livro, em formato italiano (deitado), que marca o regresso ao preto e branco (e branco - puro, uma "terceira" cor, de que só os leitores e Mary se apercebem, mas cuja mancha vai crescendo página a página), numa obra que reafirma a vontade de Schuiten e Peeters inovarem constantemente, pondo sempre em causa todas as soluções anteriormente experimentadas nas Cidades Obscuras e questionando continuamente o universo que criaram.

Como único senão fica o facto de ser apenas o primeiro de dois tomos, restando-nos aguardar pelo segundo. Com impaciência.

Pedro Cleto

EXPOSIÇÃO SOBRE “LA THÉORIE DU GRAIN DE SABLE”

Está patente até Março de 2008 uma exposição sobre este novo livro de François Schuiten e Benoit Peeters em Bruxelas na própria Maison Autrique, a casa criada por Victor Horta em 1893 para Eugene Autrique e que faz parte do livro La Théorie Du Grain De Sable. Pranchas e serigrafias originais (editadas pelos Archives Internationales), projecções de vídeo de um documentário-ficção – editado em DVD, etc...
Acresce que os autores estão, com esta exposição, também a promover a restauração do edifício.
Aconselhamos a visita ao site http://expograin.autrique.be/

J. Machado-Dias

O site da Exposição a que nos referimos neste texto do BDj #21 ainda pode (actualmente) ser visto AQUI.

Publicado por jmachado em 08:28 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

junho 22, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #67 - Álbum "FERNANDO LOPES-GRAÇA, APONTAMENTOS DE UMA VIDA" TEXTO DE PEDRO CLETO NO JN + UM CONVITE PARA O LANÇAMENTO DE "SALÚQUIA – A LENDA DE MOURA" EM BANDA DESENHADA + O SEGUNDO VIDEO DE HUGO JESUS NO PORTO CANAL

Lançado pela Câmara Municipal de Tomar – Divisão de Animação Cultural, o livro FERNADO LOPES-GRAÇA – APONTAMENTOS DE UMA VIDA, de Ricardo Cabrita (texto e desenhos) foi motivo de um texto de Pedro Cleto no Jornal de Notícias. Eis a capa do álbum e o texto de PC.

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Vai ser lançado em Moura, no dia 24 (4ª feira) – dia de S.João e Feriado Municipal de Moura - o álbum SALÚQUIA – A LENDA DE MOURA EM BANDA DESENHADA.

No dizer de Carlos Rico, coordenador do Salão Internacional de BD de Moura:

(...)em relação a este projecto, posso dizer que a coisa nasceu em 2004 (quando o tema do Concurso de BD & "Cartoon" de Moura foi a... Moura Salúquia) mas só agora (o álbum) verá a luz do dia!
O critério de escolha dos participantes foi simples: todos os autores portugueses homenageados nas várias edições do Moura BD! Desses, e por questões de saúde, apenas 3 não puderam participar (José Manuel Soares, José Baptista e António Barata, este último, entretanto, já desaparecido, como se sabe). Temos, portanto, um total de 16 participantes (15 desenhadores e um argumentista), todos eles já homenageados em Moura, com uma única excepção: Zé Manel (dado que, no já citado Concurso de Moura, este autor tinha sido premiado e, portanto, a Câmara aproveitou para incluir no álbum a sua versão da lenda).

A capa do álbum é de Carlos Alberto Santos. A contra-capa é de Isabel Lobinho, sendo que a sua ilustração também figura como página de rosto e como logotipo da exposição de originais que inaugura no mesmo dia.

O dia e a hora do lançamento têm a ver com o facto de Moura festejar nesse dia o seu Feriado Municipal. Sendo um dia tão especial para os mourenses, haverá, a partir das 9:00 horas, uma série de iniciativas programadas (distribuição de flores à população, desfile de bandas de música, teatro de rua, visitas às Ruas Floridas) e que incluirão o lançamento do álbum e a inauguração da exposição. À tarde e à noite, haverá ainda um Concerto com o Grupo "Vá de Modas" e um Festival de Marchas Populares...

Portanto aqui fica o convite aos leitores para, se quiserem (e puderem), deslocar-se a Moura no dia 24 próximo, curtindo um pouco da planície alentejana – e da passagem pelo Alqueva, já agora - neste início de Verão meio titubeante – e participarem na Festa da cidade, vendo banda desenhada e comprarem o livro.

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E aqui fica também o 2º vídeo de Hugo Jesus na rubrica COMICZ no Porto Canal:

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Como de costume, clicar em cima de imagem para ver o vídeo!!

Publicado por jmachado em 08:52 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)

junho 20, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #66 - Zé Carlos Francisco na revista Anim’Arte + Cristovão Gomes no “i” + Hugo Jesus no Canal Porto

Zé Carlos Francisco na revista Anim’Arte de Abril/Maio/Junho de 2009, acerca dos 60 Anos de Tex no Festival da Amadora 2008, Cristovão Gomes no jornal “i” de 19 de Junho e um vídeo do programa Comicz, do Canal Porto, em que Hugo Jesus (da Central Comics) é entrevistado.

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60 ANOS DE TEX WILLER NO FIBDA 2008

Tex Willer, a carismática personagem da banda desenhada italiana, criada em 1948 pela dupla Giovanni Luigi Bonelli & Aurelio Galleppini e que teve a sua primeira exposição em Portugal, em 2005, por ocasião do 14º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, completou portanto em 2008, 60 anos de vida editorial e a efeméride foi condignamente comemorada no nosso país, integrada na 19ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), o mais consagrado do género em Portugal e um dos mais conceituados a nível internacional, que decorreu de 24 de Outubro a 9 de Novembro e cujo tema central apesar de ter sido a “Tecnologia e Ficção Científica”, organizou uma exposição dedicada ao sexagésimo aniversário desta personagem de aventuras da Editora Bonelli, mais precisamente uma mostra que incluiu páginas ORIGINAIS expostas pela primeira vez num país fora da Itália, o que mostra bem a consideração dada pela Sergio Bonelli Editore ao evento português, pois apesar de inúmeras exposições, realizadas em variados países, dedicadas ao inoxidável Ranger do Texas, tal nunca foi autorizado pelos responsáveis da editora italiana.

Estiveram expostas páginas originais que diziam respeito a toda a produção de 2008, com destaque para a história comemorativa dos 60 anos, escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Fabio Civitelli, incluindo a exposição também originais da autoria de alguns dos mais consagrados desenhadores de Tex, como por exemplo o italiano Giovanni Ticci, o espanhol Alfonso Font ou o argentino Ernesto Garcia Seijas, mas igualmente pranchas desenhadas por alguns dos mais recentes elementos da equipa de desenhadores, como foram os casos de Marco Santucci, Marco Bianchini, Franco De Vescovi, Rossano Rossi ou Ugolino Cossu. Também estiveram patentes ao público algumas capas originais e respectivas provas de cor, todas da autoria de Claudio Villa, o herdeiro de Galleppini que se despediu dessa função desenhando um pouco antes da sua morte, a capa da edição nº 400.

A exposição teve ainda como hóspedes de honra, o ilustre e incansável Fabio Civitelli, precioso embaixador italiano de Tex, que regressou a Portugal, depois de ter sido o autor estrangeiro homenageado no Salão MouraBD2007, e o seu concidadão e colega, estreante no nosso país, Marco Bianchini, um dos mais antigos e mais conceituados desenhadores da Sergio Bonelli Editore, para onde entrou em 1985, tendo desenhado histórias de Mister No durante 20 anos até que foi promovido para o staff de Tex, tendo-se estreado na série italiana no passado mês de Outubro.
Ambos foram acolhidos com grande afecto por um público afável e bem informado, retribuindo com a sua simpatia e disponibilidade, presenteando os amantes da 9ª Arte com uma galeria de fantásticos desenhos feitos na ocasião, que a todos encantaram, não negando igualmente alguns minutos para falar, para ouvir e para trocar ideias sobre os mais variados assuntos, com as dezenas de ávidos texianos que os rodeavam durante as sessões de autógrafos, recompensando-os também deste modo, pela longa espera a que estiveram sujeitos devido ás longas filas, nunca negando inclusive um sorriso ou uma foto. Uma verdadeira lição de profissionalismo, humildade e amor pelos seus fãs e pelo seu trabalho que perdurarão, certamente, por muito tempo na memória daqueles que tiveram o privilégio de os viver, alguns dos quais vieram de longe, inclusive do estrangeiro, tudo por uma paixão comum: TEX.

A assinalar esta homenagem portuguesa aos 60 anos de Tex Willer, ocorrida no FIBDA foi produzido um gracioso pin oficial, feito propositadamente para o evento, com autorização da SBE e nele consta o logótipo tradicional de Tex, assim como a menção ao sexagésimo aniversário do Ranger e um desenho de Tex a cavalo da autoria de um dos mais consagrados desenhadores do mundo, o americano Joe Kubert!

E assim num curto espaço de tempo (2005-2008) TEX WILLER teve a sua terceira grande exposição no nosso país, facto de grande realce, inclusive porque Portugal é um país onde Tex não é publicado, embora recebendo desde 1971, as edições brasileiras, o que mostra bem o interesse, empenho e carinho dos texianos portugueses pelo lendário Ranger e mostra sobretudo a importância que a Sergio Bonelli Editore concede a Portugal, ao colaborar em exposições de tão alta importância, como bem atesta a mais recente, denominada "60 Anos de TEX", depois da “Nova vaga de desenhadores” ocorrida na cidade alentejana de Moura em 2007 ou a relativa aos “Autores de Tex Gigante”, em 2005 na nossa cidade, todas elas contribuindo para que a longa cavalgada de Tex continue ainda por muito tempo, nesta sua incansável luta ao serviço de uma causa justa, entre índios e mexicanos, rancheiros e pistoleiros: ontem nos desertos do Arizona, hoje nos pântanos da Florida, amanhã nas infinitas pradarias do Texas, porque depois deste histórico passado de seis décadas, continuará sem a menor dúvida, crescendo no futuro, cada vez mais, a lenda de Tex Willer, o Águia da Noite...

* José Carlos Pereira Francisco

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JORNAL “I” DE 19/06/2009.

ESPECIALISTA BD

CRISTÓVÃO GOMES

Art Spiegelman: Homens e Ratos

A CONFUSÃO que caracteriza os Zylberberg em 1948,o ano do nascimento de Arthur, tem uma causa bem identificada: a Segunda Guerra Mundial. Depois da libertação do campo de Aschwitz são recolhidos em Estocolmo como refugiados políticos. É lá que nasce Arthur. Mas aos 9 anos já vivem em Nova Iorque, com o apelido bem americanizado. Art descobre os comics e é neles que se refugia. A vida continua a ser difícil: passa pelo manicómio e vê a mãe suicidar-se. Que faz então o jovem Art? Escreve, desenha e expia as suas dores. Ganha nome entre os ilustradores e funda duas revistas fundamentais no crescimento dos comics: a Arcade e a RAW. Começa então a publicação da obra que havia de lhe mudar a vida: ''Maus'', onde narra a historia dos seus pais - judeus po1acos na Alemanha nazi. O reconhecimento foi imediato, o usa inteligente de uma fórmula próxima da fábula – os judeus como ratos, as nazis como gatos - o preto, o branco e a cinzento e uma história forte sobre as limitações da dignidade humana trouxeram à BD uma atenção que antes não merecera. Expõe até no MoMa de Nova Iorque e é-lhe atribuído o prémio Pulitzer. No fundo fez-se justiça, pois se foi um rato quem reduziu a BD a entretenimento juvenil, haviam de ser ratos a conferir-lhe reconhecimento artístico.

Em 2004 editou "In The Shaodow of No Towers", uma reflexão sobre a queda das Torres Gémeas, já que Art vive numa esquina próxima. Se há vidas que davam um filme a vida de Spiegelman parece escrita para ser desenhada.

Escreve à sexta-feira.

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Hugo Jesus no programa COMICZ, do Canal Porto

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junho 18, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #65 - 3 TEXTOS DE JOÃO RAMALHO SANTOS NO JL...

Três textos de João Ramalho Santos no JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias), já um bocadinho atrasados, mas que, nesta “guerra” informativa sobre o festival de Beja, o aniversário da tertúlia BD de Lisboa e alguns outros textos mais prementes, acabaram por ficar para trás. Mas não esquecidos! Aqui ficam então os textos de JRS nos JL de 3 de Julho e 20 e 6 de Maio, sobre 3 lançamentos da colecção “O filme da Minha Vida”, o filme Watchmen, de Zack Snyder e SILVER SURFER: REQUIEM, editado pela BDMania.

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3 - 16 Junho 2009 – JL

PONTES

João Ramalho Santos

As boas ideias têm o condão de ser óbvias «a posteriori». A série “O filme da minha vida”, é uma dessa ideia, por vários motivos. Primeiro porque é simples, desafiando vários ilustradores a adaptarem para banda desenhada um fiIme que o tenha influenciado. Segundo porque o resultado é breve (obrigando os autores a um esforço sinóptico-evocativo evidente) e barato, características que a BD tem perdido. Terceiro porque se destina claramente aos não-interessados por banda desenhada, não prega aos convertidos. Quarto porque não tem medo de usar o cinema (evocando as colunas de Bénard da Costa) como «atractor». Ou seja, num certo sentido (é triste dizer isto, mas não deixa de ser verdade) vai buscar validação aonde é mais fácil ser concedida por um público vasto. Não necessariamente um público genérico, note-se, mas eventualmente disponível. Trata-se pois um projecto-ponte que, lançado pela Associação Ao Norte, tem o cunho de um dos mais interessantes ilustradores narrativos portugueses, Tiago Manuel. Só quem não conhece o percurso de polinização múltipla deste autor poderia, de resto, ficar surpreendido.

“O filme da minha vida” implica ainda, para além da edição em si, exposições e acções pedagógicas junto de escolas. Ou seja, é um ideia-acção global que se saúda até por estar sediada fora dos locais «óbvios» (Bedetecas de Lisboa e Beja, CNBDI da Amadora).

Embora breves, há em cada livrinho três objectos, dois visíveis que evocam um terceiro, invisível.

Este último é, bem entendido, o filme em causa, projectado na altura do lançamento de cada obra, mas ausente a partir daí, a não ser, eventualmente, na cabeça do leitor. Apesar de cada obra incluir uma ficha técnica e sinopse do filme, bem como a biografia do realizador, isto obviamente não substitui o objecto em si. Por outro lado, concorde-se ou não com a substância (e talvez sobretudo o tom) dos textos introdutórios de João Paulo Cotrim a verdade é que se impõem como ponte entre o visível e o invocado (filme), contribuindo, por sua vez, para a ligação que um leitor faça com a BD; não só com cada BD específica, mas com a linguagem em geral.

Há várias maneiras de encarar um desafio deste género: recriar parte da atmosfera do filme, focar um momento marcante, jogar com alguma da simbologia icónica, procurar resumir a mensagem fundamental (gráfica ou narrativamente), ou, no limite, fazer algo totalmente distinto mas próximo em espírito (solução mais radical que era interessante alguns autores tentarem no futuro). E não é arriscado dizer que a recepção de cada projecto dependerá em grande medida do conhecimento prévio que cada leitor tenha do filmes em causa, e de quanto se aproximem dos seus filmes-referência (pode haver vários filmes de uma vida, e muitas vezes mudam).

O espaço é curto mesmo para uma sinopse, e claro que isso acarreta riscos. Ou seja, há sempre a possibilidade, muito comum neste tipo de projectos, de a ideia inicial ser mais fértil do que a sua concretização, algo que depende não só da escolha de intérpretes, mas da sua capacidade para gerir as coordenadas impostas. Nesse sentido a maturidade de “O filme da minha vida” vê-se no interesse dos seus falhanços.

“Aconteceu no Oeste” (Sergio Leone em cinema, André Lemos em BD) é um exercício menos interessante de um autor extremamente interessante pela simples razão de a sua redução (simbolico-icónica) ser, passe a redundância, profundamente redutora, no sentido em que tudo desaparece num vórtice de traço e a BD pouco diz por si mesma. Depuração extrema?

Se quiserem, há racionalizações para tudo. “O Deserto dos Tártaros” está uns furos acima, com Daniel Lima a captar reflexo da paranóia instalada num Forte isolado onde soldados esperam por um inimigo que nunca se sabe se vai atacar (ou, sequer, se existe); mas que se aguarda com um misto de medo, ansiedade e desejo. Uma escolha curiosa, de resto o filme de Valerio Zurlini (belíssimo em termos cinematográficos, desequilibrado pela multidão de personagens/motivações que tenta seguir) tem como ponto de partida o romance homónimo de Dino Buzzati, um autor com ligações à BD (veja-se o interessantissimo Poema afumetti sobre o mito de Orfeu), e Lima está pois a fazer uma espécie de invocação em terceiro grau.

Por sua vez “Sétimo Selo” de Ingmar Bergman é, não só a escolha cinefilamente mais «pacífica», mas aquela na qual a banda desenhada faz uma ligação mais clara com o filme, sendo de notar que Jorge Nesbitt é, dos três autores, o que tem desenvolvido menos em termos de BD, o que não será coincidência. No fundo Nesbitt recria com as suas ilustrações planos do filme (podiam quase ser fotogramas) e destila em termos de texto a sua essência, transcrevendo a parte mais marcante dos diálogos entre a Morte e Antonius Block (ou o monólogo interior de Bergman). Sinopse muito eficaz e conseguida, ou redundância? Falta apenas um momento crítico desse diálogo. Quando a Morte indaga «Nunca te cansas de fazer perguntas?», Block responde «Não, nunca». «Mas não obténs respostas... », replica a Morte. Pois, se calhar não, digo eu. Mas tenta-se.

O FILME DE MINHA VIDA I: Aconteceu no Oeste.
Argumento e desenhos de André Lemos. a partir do filme de Sergio Leone.
Ao Norte, 36 pp., 2 euros.
O FILME DE MINHA VIDA 2: O deserto dos Tártaros.
Argumento e desenhos de Daniel Lima, a partir do filme de Valeria Zurlini adaptando uma obra de Dino Buzzati. Ao Norte, 36 pp., 2 euros. •
O FILME DE MINHA VIDA 3: Sétimo Selo.
Argumento e desenhos de Jorge Nesbitt, a partir do filme de Ingmar Bergman.
Ao Norte, 36 pp., 2 euros.

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6 a 19 Maio 2009 JL

TRADUÇÕES

João Ramalho Santos

O fim da banda desenhada impressa «tradicional» está previsto desde há muito, com a possível excepção de uns focos nostálgicos em locais como a França/Bélgica ou o Japão, onde o fenómeno ultrapassa em muito o imaginável. As razões são múltiplas, incluindo as que parecem condenar a maioria do jornalismo «tradicional», onde sobreviverão, não necessariamente, como se propala com perversa ingenuidade, os bons, mas aqueles com mais recursos, ou os capazes de fixarem melhor a atenção de um público saturado de imagens e máximas de 140 caracteres ou menos (com «verdade» ou sem ela). Surgida em força com o Século XX, a BD perdeu para o contemporâneo Cinema em termos de capacidade de evocação simbólica de massas (sem esse princípio dificilmente haveria outros tipos de cinema, muito menos teorias de cinema). Mais recentemente perdeu para a internet a vantagem que sempre deteve sobre o Cinema: o baixo custo (impressão, distribuição). Por mim não vejo problemas de maior, adorando livros de papel espero ser surpreendido com o potencial da tela virtual infinita, sobre a qual já muito se falou mas ainda pouco se fez. E que há um limite de pachorra para as citações e desconstruções por onde passa muita BD contemporânea, por mais inteligentes que sejam, a certa altura tem de se começar a construir qualquer coisa diferente. Ou não?

A relação entre BD e Cinema foi sempre próxima, havendo a destacar as particularidades da BD em termos de jogos com a «seta de tempo» (numa mesma página o leitor pode estar exposto a vários momentos espacio-temporais em simultâneo, no cinema não-excepções como Timecode de Mike Figgis àparte), ou de potenciar o uso do desenho caricatural, algo difícil de se fazer bem com actores «reais» (ou mesmo híbridos real-CGI) sem cair, lá está, na caricatura, conotada tanto mais negativamente quanto maior a associação com o real.

Como o Cinema pede meças à realidade que a BD nunca pôde pedir, tem também de pagar a factura respectiva. O que é evocativo na BD The Fountain de Kent Williams, é pedante no filme de Darren Aronofsky. Neste caso a primeira derivou do segundo, mas a transição mais em voga recentemente é a oposta: BD para cinema. Não deixa de ser natural, muita BD contemporânea foi criada tendo explicitamente em conta códigos cinéfilos mais ou menos óbvios, mais ou menos desconstruídos. Frank Miller é um exemplo paradigmático, e não são de espantar que filmes baseados nas suas obras Sin City ao 300 tenham algum ritmo, uma alma, se bem que coxa. Como não é de espantar que a adaptação que Miller fez de The Spirit de Will Eisner, uma obra que nada tem a ver com o seu universo, e que tem tanta relação com o Teatro como com o Cinema (e nunca com o mesmo Cinema associado a Sin City), tenha sido um desastre a todos os níveis.

O mesmo destino não teve, no entanto, Watchmen, a épica metáfora politico-social disfarçada do obra de super-herois escrita por Alan Moore e desenhada por David Gibbons nos finais da década de 1980 e recentemente adaptada para cinema por Zack Snyder, o mesmo responsável pela adaptação de 300. Watchmen foi um sucesso de bilheteira e não é arriscado afirmar que a esmagadora maioria dos que a consideram uma das melhores BDs de sempre esperava um objecto fílmico menoríssimo. Foi o meu caso, e estava enganado.

Como filme Watchmen funciona, no sentido em que transmite o essencial da mensagem, disfarçada de entretenimento ligeiro com os maneirismos de um filme de super-heróis. Fá-lo com as mesmas ferramentas que Snyder utilizou em 300: a extrema fidelidade gráfica e, sobretudo, narrativa. Dizer, por exemplo, que (e para pegar apenas nos extremos) os actores que fazem os papéis de Comedian ou Rorschach se destacam, enquanto o que encarna Ozymandias é um canastrão, é irrelevante. Sem deixar de ser verdade, é irrelevante.

Leia-se o livro e perceba-se que não podia ser de outro modo, os primeiros são personagens vividas, o último, de facto, um canastrão da pior espécie. Até nesse sentido o casting é perfeito, ao recorrer (tal como em 300) a actores pouco identificáveis. Já agora, Sin City (realizado por Robert Rodriguez e Frank Miller com o inefável Tarantino) resultava com actores conhecidos na medida em que estes se adaptavam aos «bonecos-tipo» da BD de Miller, na verdade representando papéis semelhantes aos seus «tipos» habituais. Snyder aposta no «virtuosismo» gráfico (no fundo uma mera fidelidade ao material de base) tratando os actores exactamente do mesmo modo que Manoel de Oliveira. Menos como pessoas e mais como meros veículos não-autónomos para encher de palavras e conceitos.

Em Watchmen Snyder tem o privilégio de ter as falas de Alan Moore, em vez do discurso proto-épico-simplisto-fascista do Frank Miller de 300, filme que, ao tentar emular a BD, reforça o seu teor caricatural de um modo que se torna ridículo, um ridículo não suficientemente mau para ter piada. Se há coisa que se retira dos filmes de Snyder é que, honra lhe seja, leva a coisa a sério. É, no fundo, um encenador que segue à risca indicações dos dramaturgos. Em BD estas são, por definição, visuais. Já agora, o filme Watchmen lembra que é altura de se dar o devido mérito ao estilo sóbrio (e «rígido») de David Gibbons na BD original, sem ele talvez a grandiloquência inteligente de Moore não tivesse resultado tão bem, tão contida.

Sendo impossível traduzir a riqueza do original, Snyder tem ainda o mérito de ter conseguido modificar Watchmen nos sítios justos, criando um filme que inegavelmente funciona sem trair o essencial da mensagem. Que é, entre outras coisas, que estamos todos tramados (com «F» maiúsculo), que a realidade é uma criação mantida artificialmente, que o destino soçobra em pormenores, e que ninguém daqueles que supostamente nos «protegem» sabe o que anda a fazer; ou, se sabe, está profunda e generosamente enganado, na melhor das hipóteses.

Pensada em termos da Guerra Fria, a obra de Moore e Gibbons ecoa como se tivesse sido pensada para hoje, sinal da sua maioridade. Que Zack Snyder a tenha feito chegar de maneira aceitável a um público mais vasto não é um milagre, mas o resultado de um trabalho artesanal (no sentido não-elitista do termo) cuidado. No fundo a prova simples de que com boas ideias se fazem boas coisas, com pastelões pseudo-épicos faz-se isso mesmo. Essa é a diferença entre 300 e Watchmen. Se a BD só servir para isto será muito pouco, mas aceito o que vier de bom. Iron Man já foi interessante, Watchmen melhor, veremos o Tintin de Spielberg.

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20 Maio - 2 Junho 2009 JL

MORTE

João Ramalho Santos

O aforismo de (apenas) não haver remédio para a morte é recorrentemente desrespeitado na banda desenhada de super-heróis.

Houve já vários «eventos especiais» nos quais diferentes personagens encontraram o seu fim, e isso foi utilizado para glosar eventuais «fins de época» com as quais os heróis se identificariam, funcionando sobretudo como golpes publicitários para trazer um sub-género à atenção de um público mais vasto.

Emblemáticos exemplos recentes incluem o duo simbólico dos «Dois EUA», o Super-homem (e o anacronismo da sua presumida inocência invulnerável) ou o Capitão América (símbolo de uma América entre a paranóia da segurança interna e o intervencionismo), mas houve outros. Com a particularidade de muitos se terem revelado, de um modo ou outro, reversíveis: tal como o fim da História de Francis Fukuyama, ou os obituários de Mark Twain, relatos sobre o fim de alguns super-heróis foram algo prematuros. Curioso é notar que toda a discussão em torno de Super-homem por alturas da sua «morte» (o que representava enquanto ícone, qual a sua viabilidade contemporânea) foram esquecidas aquando da sua menos mediática «ressureição». À espera de serem recuperadas aquando da «próxima» morte? O que vale é que nestes dias de Alzheimer social precoce ninguém se lembra de ontem.

Ironicamente, este tipo de estratagemas esconde o facto de alguma BD de super-heróis (entendida num sentido lato) ter produzido da melhor ficção político-cultural contemporânea, oferecendo interpretações alegóricas sobre o vigilantismo, a relação de poderes, o equilíbrio entre os direitos à igualdade/diferença, a instrumentalização do conhecimento, os pequenos clubes exclusivos e forças invisíveis com agendas próprias (que tanto podem ser de empresários, como de super-vilões).

Para lá das inevitáveis menções a The Dark Knight Returns e Watchmen, alguns arcos (a qualidade oscilante é um problema das séries em continuidade) de Animal Man, Doom Patrol, The Authority, Invisibles, ou Planetary (ou seja, coisas escritas por Warren Ellis ou Grant Morrison), para lá da sátira niilista de Marshal Law (Pat Mills e Kevin O'Neil), ou dos mais celebratórios Marvels/Astro City (Kurt Busiek, Brent Anderson e Alex Ross), e ainda, embora a outro nível, momentos de Hellblazer, Transmetropolitan ou Preacher, merecem outro tipo de leitura, que não a displicente.

Mas voltemos à morte, nada de a ignorar, como é costume. Silver Surfer: Requiem é uma obra interessante, bem captada do ponto de vista gráfico, e, sobretudo, bem escrita por J. Michael Straczynski, que, tendo um universo menos erudito (no bom e mau sentido) e mais linear do que os de Ellis e, sobretudo, Morrison, consegue ter uma voz individual lúcida. Criador da série de FC Babylon 5, argumentista de várias séries de BD de super-heróis (conhecidos ou de criação própria como o interessante Midnight Nation) e argumentista de Changeling, dirigido por Clint Eastwood. Tal como Busiek, Straczynski é um cultor dos grandes clássicos/arquétipos americanos, aos quais junta uma componente de estranheza (extraterrestres, super-heróis, a troca de uma criança), mas sempre como parte integrante, nunca como um corpo estranho. Silver Surfer/Surfista Prateado é uma personagem curiosa, misto de uma liberdade descontraída simbolizada pela prancha de surf (como a California era vista de Nova Iorque, sede da Marvel Comics), e misticismo contemplativo. Arauto do grande Galactus, Devorador de Mundos (sim, sei muito bem como isto soa...) a missão de Norinn Rad/Surfista era garantir que Galactus apenas devorava mundos desabitados, até basicamente o stresse da função o ter levado a despedir-se/ser despedido, passando a navegar o cosmos em solitário, reflectindo na sua imensidão, e, como corolário, na pequenez da maioria dos problemas que atormentam as formas de vida inteligentes que o habitam.

Sem nunca se sentir um iluminado ou um Mestre (ao contrário do Dr Estranho, uma personagem com coordenadas similares), antes como alguém que sabe demais, mas ignora como transmitir esse conhecimento de forma convincente. Em muitas das suas melhores histórias é essa dificuldade o principal motor narrativo. A empatia angustiada do Surfista contrasta com a amoralidade distante de Galactus, uma força bruta que transcende tudo sem explicar nada; modos complementares de pensar o infinito. Tal como com outros super-heróis, o que conta aqui são os conceitos básicos, os «topoi» que de imediato definem um todo filosófico. As boas acções de Super-homem, a nocturnalidade de Batman, o Id descontrolado de Hulk, a marginalização judaico-racista) dos X-Men, a rotina diária do Homem-Aranha, as telenovelas familiares no Quarteto Fantástico, o Homem Tecnológico de Álvaro de Campos em Homem de Ferro. Mais do que a personagem, este é o requiem para uma era, a era que gerou o Surfista, e com a qual Straczynski tem óbvias afinidades (de Babylon 5 a Midnight Nation), tal como, por exemplo, Moebius, que também trabalhou o Surfista. O pendor cósmico supostamente libertário das filosofias orientais da década de 1960 foi-se aburguesando na reciclagem, performance-art e feng-shui, e há muito que as lamentações e lições do Surfista se tornaram cansativas, também pela gama limitada de recursos que, paradoxalmente, a imensidão do cosmos lhe dava. Straczynski sublima isso mesmo ao fazer daquilo que transformou Norinn Rad no Surfista a causa da sua morte. Resta pois um percurso iniciático em marcha-atrás (um recuo iniciático), no qual as particularidades da personagem são apresentadas por contraste com as de outros heróis, até ao inevitável (para já?). A planificação e desenho a cor sem linhas de Esad Ribic evocam grandiloquência com o toque melancólico apropriado (como raramente acontece em Alex Ross), numa espécie de garrida paleta «hippie» envelhecida, feita sudário. RIP.

SILVER SURFER: REQUIEM. Argumento de J. Michael Straczynski, desenhos de Esad Ribic. BDMania, 100 pp., 12,50 euros.

ATENÇÃO: FORAM ACRESCENTADOS NO POST ANTERIOR MAIS DOIS LINKS DO YOUTUBE COM VIDEOS DO FIBDBEJA 2009 !!!

Publicado por jmachado em 09:22 PM | Comentários (1) | TrackBack (23)

junho 16, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA 2009 – ENCERRAMENTO – PRÉMIOS CENTRAL COMICS – ÚLTIMAS FOTOS – VÍDEO…

Encerrou no domingo, dia 14, o V Festival de Banda Desenhada de Beja 2009! O saldo, segundo uma breve conversa telefónica com Paulo Monteiro (o mentor e director do FIBDB), é largamente positivo, havendo já uma estimativa de cerca de 7.500 visitantes nesta edição, o que ultrapassa claramente a edição de 2008 – que teve 6.200.

Depois, a atribuição dos Troféus Central Comics – que, mais uma vez o digo, precisam ainda de uma boa afinação para se tornarem credíveis –, no último fim de semana do festival (integrando o programa), se tornam numa mais valia para os dois lados: para o Festival e para a CC. A primeira coisa a apontar a estes Troféus é que não é de estranhar o 2º lugar do BDjornal atamancado na categoria de “Melhor Publicação Técnica”, uma vez que o BDjornal NÃO É UMA PUBLICAÇÃO TÉCNICA e assim concorreu com catálogos de exposições e outros livros teóricos sobre BD. Portanto, são coisas destas (e outras de que me ocuparei em texto específico que surgirá mais tarde, no BDjornal #25 – e com a minha proposta de definição de categorias e arrumação das candidaturas) que precisam ser ajustadas, já agora por quem saiba o que está a fazer.

Aqui ficam então os vencedores dos Troféus Central Comics e as últimas fotos do FIBDB 2009, juntamente com um pequeno vídeo realizado no primeiro fim de semana, no qual chamo a atenção para o autógrafo de Gary Erskine (Batman) e a homenagem a Geraldes Lino pelo Presidente da Câmara Municipal de Beja no final do jantar de dia 30.

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Estas duas últimas fotos fixam a agradável conversa na manhã de domingo, dia 31 de Maio na esplanada do café Luís da Rocha e na espera para o almoço, com Lorenzo Mattotti, Carlos Pessoa (à direita na foto da esquerda), Clara Botelho e eu próprio.

VII TROFÉUS CENTRAL COMICS

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Melhor Editora
Edições Asa/O Público – 26%
BDmania – 23%
Vitamina BD – 21%
Gradiva – 13%
Edições Asa – 11%
Chili com Carne – 6%

Melhor Publicação Nacional
Camões, de vocês não conhecido nem sonhado? (Plátano) – 26%
Terra Incógnita – A Metrópole Feérica (Tinta da China) – 21%
O Menino Triste – A Essência (Qual Albatroz) – 19%
Venham+5 nº5 (Bedeteca de Beja) – 18%
Vencer os Medos (Assírio & Alvim) – 12%
O Futuro tem 100 anos (Bizâncio) – 4%

Melhor Publicação Estrangeira
Fábula de Bagdad (BDmania) – 37%
O Principezinho (Presença) – 24%
Silver Surfer – Requiem (BDmania) – 12%
Sonno Elefante – As paredes têm ouvidos (Campo das Letras) – 12%
Universal War One 4 – O Dilúvio (Vitamina BD) – 8%
Wanted (BDmania) – 7%

Melhor Publicação Cartoon
Mutts 4 – Shim! (Devir) – 35%
Hägar, o Horrendo 1 – Um Viking de Sorriso Inofensivo e Feliz (Librimprensa) – 28%
Cartoons do Ano 2007 (Assírio & Alvim) – 14%
Pérolas a Porcos 6 – Os Sopratos (Bizâncio) – 10%
Geração Lasca, BC – 50 Anos de Tiras de Johnny Hart (Bonecos Rebeldes) – 7%
Grimmy – Cão Fedorento (Gradiva) – 7%

Melhor Desenho Nacional
Jorge Miguel (Camões, de vocês não Conhecido nem Sonhado?) – 31%
Luís Henriques (Terra Incógnita – A Metrópole Feérica) – 28%
Susa Monteiro (Vencer os Medos) – 20%
Ricardo Ferrand (Venham+5 nº5) – 10%
Jorge Mateus (O Futuro tem 100 Anos) – 6%
Marco Mendes (Tomorrow the Chinese will deliver the Pandas) – 5%

Melhor Desenho Estrangeiro
Niko Henrichon (Fábula de Bagdad) – 34%
Xúlio Das Pastoras (Castaka – Dayal, o Primeiro Antepassado) – 23%
Mike Mignola (Hellboy 6 – O Verme Conquistador) – 15%
Esad Ribic (Silver Surfer – Requiem) – 13%
John Cassaday (Astonishing X-Men 1 – O Regresso) – 11%
Kim Jae-Hawn (Warcraft – Trilogia do Poço do Sol v1) – 4%

Melhor Argumento Nacional
José Carlos Fernandes (Terra Incógnita – A Metrópole Feérica) – 33%
Jorge Miguel (Camões, de vocês não conhecido nem sonhado?) – 26%
João Paulo Cotrim (Vencer os Medos) – 14%
Marco Mendes (Tomorrow the Chinese will deliver the Pandas) – 13%
Ricardo Ferrand (Venham+5 nº5) – 9%
Marcos Farrajota (Noitadas, Deprês e Bubas) – 5%

Melhor Argumento Estrangeiro
Brian K. Vaughan (Fábula de Bagdad) – 28%
Johann Sfar (O Principezinho) – 22%
Alessandro Jodorowsky (Castaka – Dayal, o Primeiro Antepassado) – 18%
Joe M. Straczinsky (Silver Surfer – Requiem) – 13%
Mark Millar (Wanted) – 12%
Denis Bajram (Universal War One 4 – O Dilúvio) – 7%

Melhor Publicação Técnica
Catálogo World Press Cartoon 2008 (vários) – 31%
BDjornal (Pedranocharco) – 23%
10º Porto Cartoon World Festival – Direitos Humanos (Afrontamento) – 21%
João Abel Manta – Caprichos e Desastres (Assírio & Alvim) – 14%
Catálogo 19º Festival Internacional BD da Amadora (CNBDI) – 7%
Arte Digital – Técnicas de Ilustração Digital (FCA) – 4%

Melhor Fanzine
Murmúrios das Profundezas (R’lyeh Dreams) – 23%
Cabeça de Ferro (Imprensa Canalha) – 22%
Colecção Toupeira 04 – A Carga (Bedeteca de Beja) – 18%
The Trute is Aute Der (Dr.Makete) – 14%
Efeméride 03 – Super-Homem no séc.XXI (Geraldes Lino) – 12%
Gambuzine (vol.2) 01 (Teresa Câmara Pestana) – 11%

Melhor Obra Curta
Analepse (Filipe Pina e Filipe Andrade; in Venham+5 nº5) – 27%
O Dia que o Mundo Acabou (José Lopes; in 4 Salas, 4 Filmes) – 20%
Cansado (Ricardo Cabral; in Efeméride 03) – 18%
Super-Carlos (Ken Nimura; in Venham+5 nº5) – 17%
A Luta Continua (Marco Mendes; in Efeméride 03) – 11%
Rádio Medo (Kike Benlloch e Paulo Monteiro; in Venham+5 nº5) – 7%

Melhor Projecto em BD
Plano editorial de publicações Mangá, da Edições Asa – 29%
Projecto BD de Fresco – Aldeia das Amoreiras, pelo Centro de Convergência de Odemira – 25%
Projecto Murmúrios das Profundezas, coord. Rui Ramos – 25%
Exposição Dave McKean – VI Festival Internacional de BD de Beja – 14%
Evento Furacão Mitra, coord. Chili Com Carne e Imprensa Canalha – 4%
Workshop Construção de Action Figures – VI FIBDB, cood. Filipe Messias – 3%

Fora do concurso, os membros do júri do evento – o crítico Pedro Cleto (Jornal de Noticias); o pedagogo e crítico Pedro Vieira Moura (blog LerBD e série documental VerBD); o bloguista Nuno Amado (Leituras de BD); e os co-organizadores Daniel Maia (autor) e Hugo Jesus (livreiro e argumentista) – atribuíram este ano, postumamente, o Troféu Especial ao escritor Dinis Machado, autor do seminal “O que diz Molero” e também um dos mais activos apoiantes da banda desenhada em Portugal, tendo apoiado Vasco Granja nas suas acções de divulgação da banda desenhada (embora mais a partir “dos bastidores”).

O seu contributo mais preponderante no sector bedéfilo nacional – e também internacional, tendo sido quem abriu inicialmente ao Portugal as portas dos grandes festivais europeus, que Granja soube explorar enquanto repórter – foi na revista Tintim, como chefe de redacção, durante quase 15 anos, e mais tarde no semanário Spirou, duas publicações que não só abriram os horizontes de toda uma nova geração de autores portugueses, como marcaram a introdução aos (agora clássicos) personagens franco-belgas para leitores de várias faixas etárias.
A derradeira entrevista de Dinis Machado deu-se para o programa VerBD, do Canal 2 (em breve disponível em DVD).

A votação deste VII TCC teve lugar entre 14 Fevereiro a 31 Março, tendo-se recolhido quatro centenas de votos online – um novo recorde para o evento! Do universo de leitores que participaram, 56% são homens, 38% mulheres, e 6% não-identificados (descartados do processo, conforme indica o regulamento). Ainda, deste total, 18% é profissional do sector, sejam autores, editores ou críticos.

A habitual mini-bedeteca de oferta aos votantes foi sorteada pelo dir. do festival, Paulo Monteiro, e deu este recheado cabaz a José Madeira, de Faro. No valor global superior a 650,00€, reúne livros, comics e merchandize cedidos pelos parceiros do evento - a quem agradecemos uma vez mais a amabilidade - as editoras Asa, Bedeteca de Beja, C.M. do Montijo, Centro de Convergência de Odemira, CNBDI, Devir, Pedranocharco, Qual Albatroz, Texto Editores, mais os selos editoriais Arga Warga, Dr.Makete, Terminal Studios, a revista A Peste e fanzine Zona Zero, assim como a livraria Central Comics e distribuidora Castello Lopes.

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Pode ver-se ver AQUI o site provisório da Central Comics.

O VIDEO DO V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA

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Clique na imagem para ver o video.

VER TAMBÉM OS VIDEOS PUBLICAÇÕES EM BEJA E VOYAJER

Publicado por jmachado em 09:15 PM | Comentários (1) | TrackBack (28)