dezembro 18, 2003

TERTÚLIA BD DE LISBOA – EDIÇÃO DE NATAL – ENCONTRO 227º - 16 DE DEZEMBRO DE 2003.

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Pois... a Tertúlia BD do Geraldes Lino tem destas variantes: uma Tertúlia de Natal, realizada sempre na 3ª terça-feira de Dezembro. Esta realizou-se no Restaurante 5 Chaves (a propósito do nome do Restaurante e do atraso do serviço o Pedro Alves improvisou um cartoon na toalha de papel da mesa – como quase sempre faz nestas ocasiões – que o Lino “arquivou de imediato”, o Pedro tinha-me prometido que era para o blogue...) ali na Rua do Salitre...
Esta Tertúlia funciona por convites e num restaurante diferente do habitual. Estavam previstos 48 convidados, mas penso que faltaram 4 ou 5. Aqui não há homenageado nem convidado especial e cada tertuliano tem que trazer uma prenda (sobre, ou de BD) para que todos recebam uma no tradicional sorteio. A mim calhou-me TOMAH – O SOLITÁRIO, de Mounier e Brunel, edição Meribérica, 1990. Ofereci, para variar (eh, eh, eh) o duplo das Aventuras de Paio Peres (vê lá se mudas o disco, pá... era a frase do bruá geral quando se anunciaram as ofertas).
A sala estava armada com diversas mesas, na minha ficou o Luís Graça, o M.A.L.S. – vindo directamente do Entroncamento – e o Moreno.
Bem, o Luís Graça estava outra vez em estado cataléptico de cair para o lado com sono, a gente falava com ele e às tantas reparava que o rapaz já ia a caminho da terra dos sonhos em passo acelarado (ao mesmo tempo que descaía lentamente para a direita, indo encontrar apoio num pilar da sala). Mas eis que resolveu tomar uma bica antes de jantar e depois, não parou de falar o resto da noite – nem para comer – para mal dos pecados dos outros convivas da mesa que já o deitavam um bocado pelos ouvidos... felizmente o Luís tem um sentido de humor espontâneo e incisivo e não era possível ignorar a maior parte das bacoradas que foi dizendo.
O M.A.L.S. – melhor dizendo Manuel Alves Lopes da Silva, jornalista do Notícias do Entrocamento – raras vezes o vemos em Lisboa, a não ser em um ou outro Festival. Lá foi falando do jornal, do fim das Falanges da BD, uma página semanal sobre banda desenhada que ele mantinha naquele jornal e que terminou por via dos cortes orçamentais (parece que a coisa virou moda neste país) que o jornal teve de fazer para garantir a sobrevivência. É engraçado que me parece sempre, que conheço o M.A.L.S. há muito, muito tempo (na realidade conheço-o há uns dez anos talvez), mas só nos vimos para aí meia dúzia de vezes. É um tipo por quem tenho estima e consideração, apesar de alguns imbróglios de boca que mantivemos uma ou outra vez por causa de uns “trocos” que ele foi escrevendo sobre a Pedranocharco. Mas, águas passadas...
Quanto ao Moreno, que foi positivamente “caçado” para a mesa – as despesas eram a dividir pelos que estavam em cada mesa e nas coisas comuns, bebidas, entradas, etc... a coisa nota-se mais quanto menos forem a pagar – comeu quase à pressa porque tem sido últimamente o compére do Lino nos sorteios das rifas e desta vez, das prendas. E ele até tem queda para aquilo... Para os que não conhecem, lembro que o Carlos Moreno, que é desenhador de arquitectura, foi – quase – meu colega na empresa do Engº Santos Carvalho, quando eu também o era (desenhador de arquitectura, claro). Digo “quase”, porque eu trabalhei com o Santos Carvalho na Ilídio Monteiro Construções durante alguns anos e quando ele montou a sua empresa eu ainda trabalhei para ele como “outsider”, mas nunca fazendo parte dos quadros da firma. O Moreno revelou-se-me a dada altura um grande apreciador e conhecedor de banda desenhada e apareceu na Tertúlia assim de surpresa, há uns dois ou três anos, a ponto de ser agora um indefectível.
As comidas até nem foram más, comi – comemos três de nós, que o M.A.L.S. foi num bacalhau qualquer – uns medalhões de vitela grelhados que, para o meu palato estavam demasiado crus e ensanguentados, valendo-me o tinto do Ribatejo (Quinta de Qualquer Coisa) que era excelente.

O Tertúlia BDZine nº 73 distribuido na Tertúlia, é uma paródia ao Aquaman e o desenho é do Daniel Maia - o traço é já excelente (atenção à revista Maxmen, onde ele tem uma página de bd na secção Circus Máximus).

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Falando dos presentes, alguns indefectíveis: o Leonardo De Sá (a protestar sempre que lhe chegava algo mal fotocopiado ou em más condições), o Zé Abrantes, o Zé Manel, o Milhano-olho de milhafre, o David Soares, o Daniel Maia, a D.Lia, ... e muitos outros que a minha excelente memória não ajuda nada a identificar.
E ainda um ou outro, como o Pedro Alves, que já não aparecia há tempos (será que se casou?), etc...

E é assim, a tribo reuniu-se para assinalar o Natal (coisa que muitos já nem festejam), mostrando que gosta de confraternizar sempre que encontra um motivo. E aproveito para responder a um comentário do Alexandre Gil (que acho que não conheço) aqui no blogue, quero esclarecer que esta expressão “a tribo”, não constitui nenhum indicativo de grupo, nem pretende ser um nominativo de um qualquer “snobismo intelectual” de onde, como ele diz, (...) são excluídos todos aqueles que não pactuam com a abordagem dita "underground" dos fenómenos culturais (nomeadamente da 9º Arte). Digo isto porque todos aqueles que se atrevem a dar o salto para o "mainstream" deixam de ser considerados elementos válidos de serem seguidos (o vulgar fenómeno de se "curtir" algo só porque só meia dúzia de gatos pingados conhecem esse algo) (...), uma vez que não é nem nunca foi apanágio desta Tertúlia excluir quem quer que fosse em favor de uma abordagem que nem sequer é imagem de marca dos que por lá passam. Essa questão da separação entre “undergraund” e “mainstream”, não faz qualquer sentido neste caso, meu caro Alexandre Gil, basta consultar a lista de homenageados e convidados especiais, participar num convívio e tirar conclusões depois...

Eu chamo-lhe tribo da BD, mas não só aos que se encontram na Tertúlia, incluo nesta tribo todos os autores, críticos, editores e divulgadores da Banda Desenhada deste país, por oposição às tribos da literatura, da pintura, da poesia, etc... porque neste jardinzeco de merda à beira mar mal amanhado, todos os que nos interessamos por determinado tema, somos umas pequenas tribos comparados com outros grupos homólogos de outros países. Alguém consegue identificar todos os fanáticos da BD em França? Aqui, se calhar, contam-se pelos dedos e conhecem-se todos uns aos outros. È este o sentido da palavra “tribo” que eu emprego desde há seguramente treze ou catorze anos, para designar o conjunto de pessoas que, em Portugal, se envolve na BD.

OUTRA COISA MUITO, MUITO IMPORTANTE: O LUÍS GRAÇA VAI ESTAR NO CABARÉ DA COXA NA NOITE DE NATAL, COM A MARISA CRUZ (O PROGRAMA, AO CONTRÁRIO DO HABITUAL DIRECTO, JÁ FOI GRAVADO).
E DEPOIS QUEIXA-SE DE NÃO SER UM TIPO DE SORTE, IMAGINEM, COM A MARISAZINHA AO LADO QUASE TODA A NOITE... (diz lá: ao menos mexeste-lhe nalguma coisa, pá? Mesmo "sem querer"? Ou o Unas tava sempre à coca?) tch, tch, isto há cada um....

Publicado por jmachado em dezembro 18, 2003 01:12 AM | TrackBack
Comentários

Caro Jorge:
O problema dos jantares da tertúlia é estarem a ser efectuados "muito em cima" das minhas "directas". Em Outubro, de 4 para 5, agora uma directa na sexta-feira, com apenas 4 horas de sono no dia anterior.
Ando zombie e não é por andar na borga. É o que dá viciar-me nos blogs e na Net. Transformo a noite em dia e o dia em noite.Se a tertúlia fosse às 5 da manhã, queria ver quem se mantinha acordado! O meu fuso é outro, evidentemente.
Foi um prazer conviver com a malta toda, não desfazendo da Marisa Cruz. Quis eu portar-me bem e recolher às cabinas logo a seguir ao jantar.
Pois olha, eu, o Gastão Travado e o Luís Salvado ainda conseguimos seguir (via Metro) da Avenida até ao Marquês e depois...já não apanhámos o último Metro, na outra linha. As ligações agora são apenas para o Carl Lewis, o Ben Johnson e outra rapaziada mais do estilo Pepe Rápido.
E ficámos meia-hora à seca na paragem do autocarro, para finalmente recorrermos ao habitual expediente táxi. Fomos fazendo a nossa tertúlia pós-tertúlia, a olhar para a estátua do Marquês, numa noite fosca e solitária.
Hoje continuei na minha vida tertuliana, fazendo fuso para a poesia. Na Casa Fernando Pessoa, a sessão do Bernardo Pinto de Almeida já ia com meia-hora de atraso, pelo que bati em retirada antes mesmo do seu início e assim cheguei a horas à Ler Devagar, onde o meu colega de Comunidade de Leitores Luís Miranda (L. Miranda, como autor), lançou o seu "Relato do Homem Quântico", pela Angelus Novus.
Lançamento com todos os éfes e érres, com 15 separadores de música erudita e ópera, discurso inicial crítico de Helena Vasconcelos (do site www.storm-magazine.com, crítica literária do Mil Folhas e orientadora das minhas Comunidades de Leitores na Culturgest, nos dois últimos anos), discurso crítico do editor e leitura de vários extractos pela nossa colega de Comunidade com nome de chocolate: a Regina.
Na mesa, um lindíssimo candelabro deu um toque de charme do lado esquerdo e um belo vaso com flores compunha a situação do lado direito.
Uma vez mais, a Ler Devagar a dar uma mãozinha à cultura e aos livros. Na assistência, o Mestre Lagoa Henriques (deslumbrado com a leitura da Regina), o poeta Ernesto Manuel Mello e Castro,a poetisa Amélia Vieira, o crítico Fernando Guerreiro e muitos amigos de Luís Miranda, numa sessão que durou o tempo de um jogo de futebol (ou quase). À saída, soube que o Sporting foi despachado da Taça. Sou sportinguista, mas já nem dói. Afinal é Natal. A tradição ainda é o que era.
Só tenho pena de não ter apanhado o pianista Bernardo Sassetti, que mora por aquelas bandas e fez uma surtida rápida à Ler Devagar "Round Midnight". Há tempos que não lhe dou um abraço. Que ele merece sempre, pela simpatia e génio musical que são seu apanágio.

Afixado por: Luís Graça em dezembro 18, 2003 02:08 AM

Só uma pequena correcção, agora é que vi. O "meu" Cabaret da Coxa não é na Noite de Natal, é mesmo no Dia de Natal, a 25. Mas obrigado pela divulgação, de qualquer forma. Em meu nome e de todos os admiradores da Marisa Cruz, que ficam bastante mais bem servidos do que as minhas eventuais (e certamente raras) admiradoras. Ando há que tempos para tirar a carta de "sex symbol" e falta sempre um papel qualquer, um carimbo, depois é o professor que está doente, enfim, as habituais burocracias portuguesas. Não fosse isso, quem é que me agarrava?

Afixado por: Luís Graça em dezembro 18, 2003 02:12 AM

De facto, este blogue, fica mais interessante quando fala das Tertúlias ou outra "coisa" qualquer relacionada com B.D....
Espero que seja para continuar...
Continuo a espera dos próximos episódios!
Dêem um abraço ao Paulo Cambraia...

Afixado por: João Dias em dezembro 20, 2003 07:58 PM
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