TERMINADA A REPORTAGEM SOBRE O 14º SALÃO DE MOURA BD 2004, VAMOS REGRESSAR AO FESTIVAL DA AMADORA, PORQUE FICOU MUITA COISA AINDA POR MOSTRAR:





ATENÇÃO: HAVIA UM PROBLEMA COM AS AFIXAÇÕES DOS COMENTÁRIOS, MAS CREIO QUE O ASSUNTO JÁ FOI RESOLVIDO, SEGUNDO A WEBLOG PORTUGAL. AS MINHAS DESCULPAS, PARA QUEM NÃO VIU OS SEUS COMENTÁRIOS AFIXADOS !!
Publicado por jmachado em novembro 29, 2004 11:38 PMDepois do enorme fascínio provocado pela descoberta do primeiro álbum, a leitura de "Le bordel des muses" deixou-me algo decepcionado. Não que seja uma obra a desprezar, mas está nitidamente uns furos abaixo do livro que o mundo inteiro consagrou, tal como o Alves dos Santos.
Concretamente, o argumento é algo trôpego e apresenta dados como se o leitor estivesse num expositor de hipermercado.
Claro que ainda há pormenores deliciosos, mas no cômputo global a obra desilude quem esperava mais uma obra-prima. Será então aconselhável começar por ler "Le bordel des muses" e só depois passar ao Van Gogh? Não sei.
Bastou-me o primeiro álbum para que Smujda tenha a minha grande admiração. Mas este Toulouse Lautrec deixou-me com fome de algo mais. Talvez tenha faltado no álbum um Rolls-Royce pilotado pelo Ambrósio, a levar a senhora do Ferrero Rocher até ao Moulin Rouge.
Quanto à exposição na Amadora, merecia outro tratamento. Espaço exíguo, calor, percurso demasiado linear e a luz sem permitir fruir as pranchas como elas mereciam.Estas pranchas mereciam mais condimento.Extractos de entrevistas de Smujda reproduzidas em painéis, fotos do autor, fotos dos verdadeiros locais onde se desenrolou a acção, talvez mesmo reproduções de quadros de Van Gogh. Estou a falar ao correr da pena, não sei quais foram as exigências do artista e os limites à máquina organizativa. Apenas falo como fã, e numa perspectiva de dar a conhecer Smujda a quem ainda nada sabia sobre ele. Eu apaixonei-me rapidamente e fiquei a saber muita coisa em pouco tempo, através da Net.
Enfim, o homem também não pôde vir. Perdeu-se, com estes dois azares (exposição limitada e ausência de Smujda) uma óptima oportunidade para os portugueses contactarem o génio do primeiro álbum.
Estas pranchas mereciam autonomia de espaço. O visitante devia poder aproximar-se mais e afastar-se, sem se sentir pressionado por quem vem atrás. Smujda precisava de espaço. A grande qualidade das pranchas perdeu-se. Se a fotografia é luz e momento, esta exposição tinha pouca luz e o visitante teria de se deter por mais do que um momento. Não se podia ter passado por ela como por gato em vinha vindimada. Quem a pôde ver com calma, fora dos fins-de-semana (o meu caso), ainda conseguiu aproveitar. Caso contrário, não estou a ver como evitar o desperdício.
Ou será que as minhas expectativas eram muito elevadas e isso provocou a minha desilusão?
Pode até haver um espaço pequeno, mas o fascínio tem de ser estimulado. Recordo a fabulosa exposição dedicada à revista "Pilote", num espaço igualmente pequeno, na Fábrica da Cultura.