Foi homenageado Méco (1915-57) a título póstumo. Esteve presente o filho Zé Manel - habitual tertuliano - para representar o pai.
A presença de Alan Voss, que conhecia de um Festival da Amadora, mas não a este nível de proximidade, tornou o ambiente mais animado do que o costume, devido ao seu bom humor. Alan Voss, que é francês, fala correctamente português, versão Brasil e eu tomei-o mesmo por um brasileiro. Disse-lhe até que estava lá um compatriota dele, o Pedro Bouça, que afinal é lisboeta, mas arranjou aquele sótáqui brásilêro, porque viveu no Brasil em chavaleco. Enfim, lá se desfizeram os meus equívocos, com grandes gargalhadas pelo meio. Ainda para mais, Voss é praticamente meu vizinho, mora no Linhó e trouxe montes de coisas para o sorteio.
No sorteio saíu-me o original do Zé Manel - uma caricatura do pai -, mas acabei por ficar com o enorme poster da praia, do Alan Voss, por troca com o Helder Jotta a quem tinha saído o poster. Aconteceu que o Helder Jotta queria muito o original do Zé Manel (até comprou 20 rifas, o que nunca tinha acontecido) e eu queria muito aquele poster. Trocámos.
Mas chega de paleio e aqui fica o material recolhido:





Primeira e última páginas do Tertúlia BDzine #116 (Agosto 2007), que publica uma BD de Hugo Teixeira (des) e Ana Vidazinha (arg).

Ana e Hugo Teixeira.












O poster d'A Praia.



O original de Zé Manel.





Prosseguindo nas visitas às Casas onde se vende o BDjornal e também outras edições da Pedranocharco (BDVoyeur, etc...), apresentamos hoje uma Casa especial, na Rua da Rosa - Bairro Alto: o Café Cultural Sem Medos.







Anabela Rocha, uma das proprietárias, escreve também regularmente notas de leitura para um dos jornais gratuitos que são distribuídos em Lisboa.


A VOZ DE ERMESINDE - Edição de 10-07-2007
“Guia de sugestões transcendentais...”
Editado pela Pedranocharco em 2006, “Manual de Posições para Labregos”, de Álvaro, também apresentado como «guia de sugestões transcendentais dirigido a gente brutinha», é apresentado pelo autor como sendo obra recauchutada produzida ainda na sua juventude (oito anos anos, tinha ele então 28 anos). Por isso, «até é divertido e fresco manter por ali uns momentos de arrogância e da estupidez da juventude». «... Não havia dvds. O Windows era o 98. Os Irmãos Catita ainda tocavam no CineArte de Santos. Os fumadores não eram escorraçados. A internet era por chamada telefónica e ainda não tínhamos sido invadidos pelos reality shows. Pronto. O leitor já está situado».
Este livrinho de humor que aparenta fazer do sexo a sua motivação, mas que se dirige mais à crítica de costumes pela falta de valores, pelo carneirismo militante, ou pela mais desapiedada intolerância, assenta a sua razão de ser no desenho de cartoon excessivo e parabólico e num texto a condizer, sempre provocatório e zombeteiro.
Começa assim: «Esta publicação visa preencher uma lacuna existente no mercado livreiro nacional. Perante o factode as edições para criaturas como você, pessoas rudes, em geral representarem uma percentagem mínima dos livros expostos nas livrarias e de as publicações periódicas para este público de hábitos culturais simples serem de qualidade bastante duvidosa, este livro terá um impacto marcante neste mercado tradicionalmente exclusivo para gente que se diz culta».
Pronto. Acho que estamos apresentados.
O livrinho parece ser, à primeira vista, um elegante sucedâneo do “Kamasutra”, prolixamente ilustrado, a traço preto, e abarcando todas as variedades dominantes do erotismo. A obra de carácter “didáctico” – como foi deixado bem explícito atrás – inicia-se, naturalmente pelos “Preliminares”. Nem poderia ser de outra maneira. Muitas das posições, absolutamente aconselháveis para os mais diversos fins, estão aqui bem documentadas em desenho e texto a condizer, tornando muito fácil levar à prática todos os exercícios que se sugerem ou vivamente se aconselham.
Por exemplo, no que toca ao referido primeiro caítulo: «(... Massagem vertebral. Agarre-a pelos ombros e pelos joelhos e enrole-a, como ela faz com a roupa lavada. Descontrai e também relaxa».
Ou, por exemplo, mais à frente, no capítulo muito apropriadamente designado “Relações Normais”: «(... pois. O autor tem dificuldade em compreender esta que ele próprio desenhou. Mas passem à frente!)». Passemos.
Com uma mordacidade redobrada, Álvaro estende depois o seu guia pelos “Homossexuais”, pelo “Sadomasoquismo”, etc..
Detenhamo-nos aqui um pouco. Começa concisamente o endiabrado autor: «O termo sádico deriva de Donatien-Alphonse François de Sade (1740-1814), mais conhecido por Marquês de Sade, que tinha práticas sexuais bizarras e depravadas peculiares».
Mais à frente, Álvaro, de forma demolidora, refere-se ao património da Santa Inquisição: «Estas práticas estranhas não tendo como objectivo a procriação, são consideradas pecado pela Igreja Católica, cujo corpo de funcionários e mercenários nunca tirou qualquer prazer quando humilhou, marginalizou, escorraçou, torturou, saqueou, pilhou, matou, massacrou, queimou ou chacinou alguém (...)».
No que respeita às proeza gráficas, aqueles que pensarem ir à procura de qualquer deleite voyeurista neste livrinho, desiludam-se já.
Um dos aspectos mais interessantes do ponto de vista da criação dos personagens masculino e feminino – que vão assumindo as mais variadas posições esperada de uma obra do género –, são a obesidade excessiva do macho, barrigudo e pesado, por contraposição ao desenho da fêmea que se reduz a traços finos quase lineares, muito em contramão do que se convencionou ilustrar como rotundidade feminina. Esta inversão é outra das muitas fintas de Álvaro presentes neste incrível manual que se espraia até ao Inquérito final “Será Você um Labrego?”, com o respectivo guia de pontuação.
Por: Luís Chambel