A introdução que fizemos ontem ao post sobre Manuel Caldas no Público, motivou uma resposta privada do jornalista Carlos Pessoa. Como me parece que essa resposta repõe ao fim e ao cabo a verdade sobre o que tem sido a relação do jornal Público com a Banda Desenhada (e até a própria realidade da BD em Portugal nos últimos anos) - um pouco distorcida por mim na referida introdução - achei por bem publicá-la aqui, já de seguida (depois de devidamente autorizada, claro).
Caro amigo Machado Dias,
Muito obrigado pela "publicidade" (com ou sem aspas, é igual...) à prosa sobre o Manuel Caldas.
Permite-me, porém, que faça um esclarecimento a propósito do teu comentário de introdução. A tua formulação é prudente, mas ao falares da existência de uma eventual "barreira anti BD" no jornal sugeres a existência de uma qualquer orientação editorial no sentido de não contemplar a informação sobre BD. Não é verdade.
Aceito que se considere que vão longe os tempos em que o Público dedicava mais espaço a uma cobertura mais sistemática e aturada do movimento editorial de BD e das múltiplas iniciativas no sector. Mas aquilo que o jornal fez nos anos 90 em termos de cobertura noticiosa e sobretudo editorial não teria hoje qualquer sentido - o exemplo citado, a respeito do Salão de Lisboa, não é muito bom, porque não foi o Público quem deixou de fazer uma edição ilustrada, foi o salão que deixou de realizar-se.
O Público mudou em Fevereiro passado, como sabes, e isso teve bastantes implicações. Mas também se poderia dizer que o sector da BD também mudou muito e que essa mudança não foi, infelizmente, no sentido da revitalização do sector. O Público pode ser acusado de não falar muito (ou, se quiseres, de falar muito pouco) dos álbuns saídos (também não têm sido assim tantos, mas enfim), mas há outras abordagens que têm vindo a fazer o seu caminho - posso citar os meus contributos (entre aqueles que me lembro agora, mas havendo outros) a respeito do Salão de Beja e do atelier de BD que ali existe, da comemoração dos 100 anos de Hergé, da efeméride Salgari, do percurso brasileiro do Cardoso Lopes, da história "portuguesa" do Daix, dos 30 anos da morte de Goscinny ou do artigo sobre o Manuel Caldas, mas também dos contributos das jornalistas do Público Joana Amaral Cardoso (sobre os fazedores portugueses de comics), Alexandra Lucas Coelho ou Maria José Olivera, entre outros que agora não me vêm a memória. Modéstias à parte, são todas elas boas histórias que mais ninguém contou, pelo menos da forma como o Público o fez. É muito? É pouco? Julgue quem quiser.
Um abraço cordial e sempre amigo do
Carlos Pessoa
PS - E, ironia das ironias, quem é que, não tendo no seu "core business" a edição de BD, tem vindo a editar banda desenhada em Portugal com regularidade e sobretudo, com enorme visibilidade (já não falo do volume de vendas, que daria para outra estória)?
O Público, claro!
Registo também aqui as minhas desculpas ao jornal Público, se bem que o objectivo da referida introdução fosse mais provocatório do que outra coisa, uma vez que estou de acordo com o que diz Carlos Pessoa.
Aliás, o Público foi o único jornal nacional que publicou um extenso (quase uma página) texto de recensão crítica a uma das últimas edições da Pedranocharco: sobre Sexo, Mentiras e Fotocópias, de Álvaro. como aqui deixámos testemunho há bem pouco tempo.
O nosso amigo Carlos Pessoa, jornalista do Público, de vez em quando lá consegue furar a barreira anti BD que parece ter-se instalado naquele diário - que em tempos publicava regularmente informação sobre banda desenhada e se associou até ao Salão de Imagem e Banda Desenhada de Lisboa, fazendo edições totalmente ilustradas (sem fotografias).
Desta vez foi um texto sobre Manuel Caldas e o restauro e edição de O PRÍNCIPE VALENTE, de Hal Foster.
Eis a página:

E eis o texto (legível):
Manuel Caldas, editor de Clássicos da BD
O RESTAURADOR EXCELENTÍSSIMO
27.12.2007, Carlos Pessoa
É portuguesa a melhor edição do mundo a preto e branco do Príncipe Valente. Nacionalismo bacoco, exagero provinciano? Só pode pensar isso quem nunca viu os álbuns
Houve dois golpes de sorte na vida de Manuel Caldas. O primeiro aconteceu aos 13 anos, quando O Primeiro de Janeiro lhe revelou as magníficas pranchas da série de BD Príncipe Valente. O segundo, já adulto, foi ter sido colocado na biblioteca da escola secundária da Póvoa de Varzim, onde trabalhou como auxiliar de acção educativa até há cerca de ano e meio.
O que tem isso a ver com a actual situação de Caldas, editor independente de quadradinhos (Livros de Papel) a quem se deve o ambicioso projecto, em curso, de editar na íntegra o clássico norte-americano de Harold Foster em Portugal e Espanha? A resposta é simples: a paixão pelo Príncipe Valente ("fiquei assolapado", confessa), que nunca mais se extinguiu, pôde ser alimentada pelo tempo vivido no ambiente dos livros.
A escola ficou para trás e, embora beneficie presentemente de uma licença sem vencimento, o editor não tenciona regressar. Agora, o seu local de trabalho é nas águas-furtadas da casa onde vive, um edifício no centro da Póvoa de Varzim. No espaço acanhado e com pouco conforto, as estantes cheias de livros de BD (quase só clássicos americanos) coexistem com pilhas de álbuns prontos a expedir, uma secretária com computador e scanner, e algum mobiliário ali armazenado. Na porta de entrada está colado um poster gigantesco com pranchas de Príncipe Valente, anunciando um território onde Caldas passa horas e horas num trabalho muito solitário. "Eu só vou lá abaixo para sentir o ambiente. Quando os filhos eram mais pequenos e precisavam de mim, vinham bater-me à porta. Agora sou eu que preciso deles..."
Tirando o facto de trabalhar em casa, nada parece distinguir este pequeno editor de outros que elegeram a BD como matéria-prima de edição. Mas há uma diferença, e de peso: Manuel Caldas só publica as bandas desenhadas de que gosta. Antes disso, porém, entrega-se a um laborioso e exigente processo de restauração dos desenhos, das vinhetas e das pranchas até atingir um grau de perfeição que as torna únicas. E isso torna-o também único no mundo.
Trabalho insuportável
Dar à estampa uma edição integral de Príncipe Valente foi o seu sonho de sempre. "Eu costumava dizer que podia morrer quando acabasse de editar "Val" [diminutivo por que é conhecida a personagem no meio da BD]", afirma com um sorriso tímido.
Optou por uma versão a preto e branco - a série original, publicada nos jornais, era a cores - por razões económicas, mas a boa receptividade do mercado já o faz pensar numa outra edição, desta feita definitiva e a cores.
Manuel Caldas sabia no que se metia quando começou a trabalhar há três anos, pois as edições disponíveis deixam muito a desejar, incluindo as americanas. Não existem originais e a sua principal fonte foram fotocópias a preto e branco das provas originais cedidas pelo King Features Sindycate, a agência detentora dos direitos da série. O problema é que faltam bastantes, sobretudo dos primeiros anos da série, e a qualidade de muitas "é péssima". Nesses casos, Caldas teve de recorrer às páginas dos jornais americanos, às quais retirou a cor, restaurou as tramas e as manchas de negro e depois "limpou" pacientemente os cinzentos até obter o traço final pretendido.
Se a prancha está em bom estado, uma ou duas horas são suficientes para obter o resultado final.
Quando assim não acontece e é preciso deitar mão às páginas de jornal, são necessários dois dias inteiros de trabalho intensivo para obter uma prancha. "Se não gostasse muito da banda desenhada, fazer este trabalho era-me insuportável", reconhece Manuel Caldas.
A tecnologia digital veio em auxílio do editor. Hoje, todo o trabalho é feito em computador graças a um software já velho e ultrapassado, mas com o qual Caldas se dá às mil maravilhas. Antes disso, a recuperação da obra era feita com tesoura, cola e fotocópias para aproveitar a melhor impressão do material de que dispunha. "Cheguei a obter pranchas compostas por bocados provenientes de três originais diferentes."
Com os seis álbuns publicados até à data, o pior já lá vai. O sétimo volume está pronto e, se tudo correr bem, espera concluir a edição dos 22 volumes previstos dentro de cinco anos.
Aposta ibérica
Os primeiros álbuns estão esgotados e isso demonstra que existe mercado para clássicos da BD de boa qualidade. "O Príncipe Valente interessa a muita gente", diz, lembrando que a série se publicou durante décadas no jornal O Primeiro de Janeiro, mas foi igualmente divulgada pela revista Mundo de Aventuras.
Os nostálgicos da obra não são um exclusivo português. Manuel Caldas cedo começou a ter pedidos de leitores espanhóis, atraídos pela excelente qualidade do trabalho. Tantas foram as solicitações que decidiu editar os álbuns em castelhano. Um dia bateu-lhe à porta um distribuidor espanhol interessado em pôr os livros no mercado. Fez bem em aceitar: "Em Espanha a distribuição funciona muito melhor do que em Portugal."
Quando começou a ganhar dinheiro como editor, Manuel Caldas decidiu que tinha chegado a hora de levar "as coisas muito a sério". Material e ideias não lhe faltam. Assim, no começo do próximo ano surgirá o primeiro de quatro álbuns, a cores, da integral de Lance, um clássico de Warren Tufts que Caldas considera ser "o Príncipe Valente do western". Outra obra prestes a sair, mas apenas distribuída no mercado espanhol, é a série Randall, de Arturo del Castillo (desenho) e Hector Oesterheld (texto) - neste caso, em consequência da insistência do crítico e estudioso Domingos Isabelinho. Little Nemo, de Winsor McCay, e Rip Kirby, criado por Alex Raymond e depois prosseguido por John Prentice, são outros clássicos que pensa seriamente em publicar.
Leonardo de Sá, estudioso da BD, reconhece que só tem "elogios a fazer" ao trabalho do editor da Póvoa de Varzim: "É admirável e quase incrível que isto aconteça em Portugal - as reedições de material americano acabam por ser melhores do que o que é editado naquele país." Ora, acrescenta, isto só se obtém graças a um "trabalho ingrato" e a "uma paciência infinita".
Para o crítico e divulgador João Paiva Boléo, Caldas é um "autodidacta admirável", que revela "um rigor e um amor pelas coisas que é extraordinário". Lamenta que as traduções nem sempre sejam boas, mas é taxativo ao afirmar que "não se pode fazer a história da BD em Portugal sem ele".
Olhando para os projectos e ideias, é fácil concordar com Caldas quando ele afirma: "A minha sina é só meter-me em coisas que dão muito trabalho de restauro e que ninguém quer fazer". Mas não há sombra de mágoa ou resignação no que diz. Pelo contrário: "Nunca me atrevi a sonhar com isto, editar a banda desenhada de que gosto." É o que Manuel Caldas faz, e com imenso prazer.
A PEDRANOCHARCO E O SEU BDjornal, DESEJAM A TODOS OS LEITORES E AMIGOS - ONDE SE CONTAM OS SEUS COLABORADORES DE SEMPRE - BOAS FESTAS DESTE ANO DE 2007, NA COMPANHIA DESTAS TENTAÇÕES DE SANTO ANTÃO, DE HIERONIMUS BOSH.

AQUI FICA A LISTA ACTUALIZADA DOS PONTOS DE VENDA DO BDjornal:
ALMADA
TABACARIA DO CAFÉ CENTRAL
Praça do M.F.A., 12 C
2800-171 ALMADA
A LIVRARIA
Rua Luís de Queirós, 18 A
2800-159 ALMADA
PAPELARIA TABACARIA PICASSO
Rua do Mercado, 22 - Cova da Piedade
2805-205 ALMADA
AVEIROS
SECÇÃO9, LDA.
Rua Banda da Amizade, 46
3810-059 AVEIROS
BEJA
BEDETECA DE BEJA (CASA DA CULTURA)
Rua Luís de Camões
7800-508 BEJA
BRAGA
CENTÉSIMA PÁGINA
Casa do Rolão - Avenida Central, 118-120
4710-229 BRAGA
CALDAS DA RAINHA
LOJA 107 LIVRARIA, LDA.
Rua Heróis da Grande Guerra, 107/109
1504-910 CALDAS DA RAINHA
PAPELARIA VOGAL
Av. 1º de Maio 3 r/c Dt.
2500-081 CALDAS DA RAINHA
LIVRARIA MARTINS FONTES
Rua Miguel Bombarda, 49 A
2500-238 CALDAS DA RAINHA
CASCAIS
CASCAISPRESS
Cascais Shopping - Lj. D 29
2645-543 ALCABIDECHE
TABACARIA CIDADELA
Av. 25 de Abril - Hotel Cidadela
2750 CASCAIS
LIVRARIA BULHOSA LIVREIROS
C.C. CascaisVila, loja 1.04
2750-786 CASCAIS
COIMBRA
LIVRARIA DR. KARTOON
R. da Manutenção Militar, 15
3000-259 Coimbra
DUNGEON COMICS
Avenida Sá da Bandeira, 115 - C.C.Golden, loja 5, piso 1
3000-351 COIMBRA
CORROIOS
QUIOSQUE do HUGO TEIXEIRA
Quinta do Brasileiro
2855-202 CORROIOS
ÉVORA
PAPELARIA TABACARIA “O ARDINA”
Praça Sertório, 26
7080-509 ÉVORA
FARO
GHOUL GEAR
Rua Dr. João Lúcio, 2 B
8000-329 FARO
FIGUEIRA DA FOZ
GALERIA TUBO DE ENSAIO
Rua 9 de Julho, 19 A - 1º
3080-113 FIGUEIRA DA FOZ
FUNCHAL
SÉTIMA DIMENSÃO
Rua da Piedade nº 19
9050-508 FUNCHAL
LEIRIA
LIVRARIA ARQUIVO
Av. Combatentes da Grande Guerra, 53
2400-123 LEIRIA
SHOP SUEY COMICS
Rua Barão de Viamonte, 50
2400 LEIRIA
LISBOA
LIVRARIA TRAMA – ao Largo do Rato
Rua S. Filipe Nery, 25 B
1250-225 LISBOA
LIVRARIA TEMA
Avª. Lusíada - Centro Comercial Colombo, loja 2003
1500-392 LISBOA
LIVRARIA TEMA - Restauradores
Av. da Liberdade, 9 - loja 1
1250 LISBOA
LIVRARIA DA CINEMATECA PORTUGUESA
Rua Barata Salgueiro, 39
1264-059 LISBOA
GALERIA ZÉ-DOS-BOIS
Rua da Barroca, 57
1200 LISBOA
LIVRARIA ETERNO RETORNO - LER DEVAGAR
Rua da Fábrica de Material de Guerra - POÇO DO BISPO
LISBOA
LIVRARIA BULHOSA LIVREIROS
Rua Tomás Anunciação, 68 B
1350-330 LISBOA
LIVRARIA BULHOSA LIVREIROS
Amoreiras Shopping, loja 1129
1070-100 LISBOA
NOUVELLE LIBRAIRIE FRANÇAISE
Av. Luís Bivar, 91
1050-143 LISBOA
LIVRARIA BULHOSA LIVREIROS
Campo Grande, 10 B
1070-034 LISBOA
LIVRARIA LETRA LIVRE
Calçada do Combro, 139
1200-113 LISBOA
LIVRARIA ALMEDINA
CENTRO DE ARTE MODERNA
DA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
Rua Dr. Nicolau Bettencourt, 8
1050-078 LISBOA
LIVRARTE
Av. do Uruguai, 13 A
1500-611 LISBOA
VILELIVROS
Calçada do Duque, 19 A
1200-155 LISBOA
Ao lado da Estação do Rossio
O AZ DO LIVRO – Só a BDVoyeur
Calçada do Duque, 3, 11
1200-155 LISBOA
Ao lado da Estação do Rossio
LIVRARIA CINECITTÁ – Só BDjornal e BDVoyeur
Rua de O Século, 19
1200-433 LISBOA
SOUNDCRAFT – Só livros Pedranocharco
Rua de O Século, 19
1200-433 LISBOA
CAFÉ CULTURAL CEM MEDOS
Rua da Rosa, 99/103
1200-383 LISBOA
KINGPIN OF COMICS
C.C. São João de Deus, Lojas 424 & 434
Av. António José de Almeida, 5
1000-042 LISBOA
(Metro: Saldanha - entre o Técnico e a Casa da Moeda)
ODIVELAS
LIVRARIA BULHOSA LIVREIROS
Estrada Paiã - Odivelas Parque, loja 1051/1 - PATAMEIRAS
2675-421 ODIVELAS
OEIRAS
LIVRARIA BULHOSA LIVREIROS
C. Comercial Oeiras Parque, loja 1116/7
2780 OEIRAS
PINHAL NOVO
FORUM NAVEGANTES - SERV. INFORMÁTICOS
Urb. Nogueira Matos, Lt. 2, Lj. R/c
2955-222 PINHAL NOVO
PORTO
MUNDO FANTASMA
Shopping Center Brasília, Lj. 203
4050-399 PORTO
TABACARIA PORTUENSE
Rua Sta. Catarina, 631
4000-453 PORTO
UNICEPE
Pr. Carlos Alberto 128-A
4050-159 PORTO
CENTRAL COMICS LIVRARIA
Também on-line: http://www.centralcomics.com/loja/
Rua das Doze Casas, 22
4000-193 PORTO
LIVRARIA UTOPIA
Rua da Regeneração, 22
4000-410 PORTO
SETÚBAL
LIVRARIA NONO IMPÉRIO
Rua de Fran Pacheco, 62
2900-373 SETÚBAL
VILA PRAIA DE ÂNCORA
LIVRARIA PÁRA E LÊ
Rua 31 de Janeiro, 47 A
4910-455 VILA PRAIA DE ÂNCORA
VISEU
LIVRARIA PRETEXTO
Rua Andrades, 55
3500-076 VISEU
HAVERÁ AINDA MAIS ALGUMAS LOJAS, ABRANGIDAS PELA DISTRIBUIÇÃO DA LETRAS EM MARCHA, QUE OPORTUNAMENTE DIVULGAREMOS AQUI.
LEMBRAMOS QUE O BDjornal PODE SEMPRE SER ADQUIRIDO VIA CTT (HAVENDO QUE JUNTAR OS PORTES DE CORREIO AO PREÇO DE CAPA), BASTANDO PEDI-LO, COM INDICAÇÃO DO NOME E MORADA, PARA bdjornal@yahoo.com
Como devem ter reparado está a ser difícil controlar o tempo de saída do BDjornal, especialmente quando começam a crescer outras edições, mas pronto, o BDj #21 está finalmente a ser enviado para as lojas.

Eis o Press-release e algumas imagens:
Mais uma vez saímos atrasadíssimos. Para recuperar do atraso acumulado nestes três últimos números, só há uma solução: alterar as datas de saída. Daí que este BDj #21 tenha na capa a data Outubro - Dezembro, para que o próximo possa corresponder ao bimestre Janeiro – Fevereiro e assim acertarmos o passo.
O 18º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora 2007, marcou estes meses e esta edição do BDjornal é o reflexo disso mesmo: as entrevistas com Milo Manara, Lloyy e Rui Pimentel, as análises ao próprio Festival e a referência ao “Caso Tiotónio”, as fotografias do evento, etc... tudo isto mostra como se viveu o FIBDA deste ano, com a paixão de sempre e com o crescente interesse na exploração de pequenos fragmentos (há quem diga nichos) do mercado editorial, onde a banda desenhada não tem estado muito activa em Portugal. Referimo-nos às novidades apresentadas na Amadora pela Pedranocharco Publicações, com relativo sucesso, como o livro de Álvaro, Sexo, Mentiras e Fotocópias, que esteve em pré-publicação aqui no BDjornal desde o nº 13, o de Hugo Teixeira, Bang Bang (o primeiro livro em estilo mangá de um autor português) e o de Nuno Pereira de Sousa, Formas de Pensar a BD – Entrevistas do BDesenhada.com. Isto para além do próprio BDjornal #20 e da BDVoyeur #2, o que contabilizou cinco novidades editoriais.
Nesta edição, para lá do que já apontámos, de referir dois novos colaboradores, Pedro Bouça (que tratará dos comics num registo genérico) e de Edgar Indalécio Smaniotto, com o qual passamos a ter correspondência no Brasil. Por outro lado assegurámos a colaboração permanente de José Carlos Francisco, para termos pelo menos uma página texiana em todas as edições, correspondendo assim aos desejos de centenas de fãs daquela personagem bonelliana.
Falta-nos ainda alguém que trate o fenómeno mangá com grande conhecimento da matéria, para que o naipe de interesses na BD fique mais ou menos completo. Mas este será porventura o mais difícil de encontrar, embora estejamos a fazer contactos nesse sentido.
Devido a compromissos profissionais de Filipe Pina, não foi possível apresentar o início do 4º capítulo de BRK, contando que na próxima edição se consiga publicar as 18 pranchas que faltam para completar a história.
Por outro lado chega ao fim mais um capítulo de Monótonos Monólogos de um Vagabundo, de Hugo Teixeira, fazendo de seguida uma pausa nesta história enquanto o autor se concentra na produção do 2º volume de Bang Bang.
Iniciaremos no BDj #22 o Projecto Wonderland, e por isso fazemos nesta edição a apresentação da série, com uma entrevista aos autores e a ilustração da capa deste BDj #21, de Henrique Valadas, Daniel Henriques, Rui Moura e André Beja (Split Up Studios). Lembremos que foi publicado no BDj #20 o capítulo piloto, com o título Zombie Mall. Trata-se de uma série de histórias, concebida como se fosse uma série de TV e que vai certamente provocar alguns arrepios aos tele... perdão, aos leitores.
Aproveitamos também para divulgar um projecto que anda em gestação e em negociações há uns tempos: o Núcleo de Leitores de Banda Desenhada, constituído pelos Assinantes do BDjornal de modo a proporcionar-lhes – e só a eles – descontos de 25% na aquisição de livros de BD dos catálogos de todos os editores portugueses da área. Como a esta altura ainda não está completamente definida a base do projecto, chamamos a vossa atenção para o desdobrável que irá acompanhar esta edição do BDj.
E como este será o último BDjornal do ano, Boas Festas e Boas Entradas em 2008, é o que desejamos a todos os leitores.
SUMÁRIO
4. ENTREVISTA COM MILO MANARA, João Miguel Lameiras
8. ENTREVISTA COM LLOYY, Osvaldo Macedo de Sousa
10.ENTREVISTA COM RUY PIMENTEL, Osvaldo Macedo de Sousa
12.O 18º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DA AMADORA 2007, J. Machado-Dias
15.O CASO TIOTÓNIO, J. Machado-Dias
17.CONCURSO DE COSPLAY NO FIBDA 2007, Clara Botelho
18.RENÉ GOSCINNY, 30 ANOS DEPOIS, Pedro Cleto
20.DICIONÁRIO UNIVERSAL DA BANDA DESENHADA, Leonardo De Sá
22.VALORES SELADOS – O PEQUENO E MONSTRUOSO MUNDO DE EDWARD GOREY - 1, Nuno Franco
23.EXPRESSO TRANS-IBERIANO, José Carlos Fernandes
24.BD - RACISMO, Rodrigo de Matos
28.AS FOTOS DO 18º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DA AMADORA 2007
30.OUTONO 2007 EM SALÕES E FESTIVAIS, Clara Botelho
32.BD – PRÉMIOS FIBDA 2007 – TRATADO DE UMBROGRAFIA – 2 PRANCHAS, José Carlos Fernandes (arg) e Luís Henriques (des)
34.BD – ZONAS TÉNUES, Daniel Maia (arg) e Estefano Gomes (des)
38.BD – ALAMEDA BANHADA, Pedro Leitão
42.WONDERLAND – O PROJECTO, J. Machado-Dias
44.MONÓTONOS MONÓLOGOS..., Hugo Teixeira
49.COLECCIONISMO & BD, Pedro Cleto
50.CRITICAS, Pedro Cleto
52.A PROPÓSITO DE STARDUST, João Miguel Lameiras
53.A TRÁGICA COMÉDIA OU CÓMICA TRAGÉDIA DE MR. PUNCH, Pedro Vieira de Moura
55.HELPFUL SOLUTIONS – RETROSPECTIVA DE HEAT ROBINSON EM LONDRES, Sara Figueiredo Costa
56.BREVES – O MERCADO CRESCE EM FRANÇA e ANGOULÊME EM MUTAÇÃO, Clara Botelho
59.TEX NA ARGENTINA: ASCENSÃO E QUEDA DO RANGER ITALIANO, José Carlos Francisco
60.ENTREVISTA COM ERNESTO GARCIA SEIJAS, Jesus Nabor Ferreira e José Carlos Francisco
62.ENTREVISTA COM MIGUEL ANGEL REPETTO, Jesus Nabor Ferreira e José Carlos Francisco
64.CHESTERQUEST NO FÓRUM FANTÁSTICO, J. Machado-Dias
65.A EVOLUÇÃO DOS COMICS DE SUPER-HERÓIS E OS MEGACROSSOVERS, Pedro Bouça
66.HQBRASIL: DA GUERRILHA “GRAPHIQ” AOS QUADRINHOS FILOSÓFICOS, Edgar Indalécio Smaniotto
67.MIRACLEMAN – O MITO ARIANO DE ALAN MOORE, Edgar Indalécio Smaniotto
68.BREVES, Clara Botelho
72.OS PRÉMIOS HARVEY 2007, Clara Botelho
COLABORAÇÕES: Clara Botelho, Sara Figueiredo Costa, João Miguel Lameiras, Pedro Cleto, Pedro Bouça, Pedro Vieira Moura, José Carlos Francisco, José Carlos Fernandes, Nuno Franco, Edgar Indalécio Smaniotto, Jesus Nabor Ferreira, Osvaldo Macedo de Sousa, Leonardo De Sá, Geraldes Lino.
BANDAS DESENHADAS E ILUSTRAÇÕES: José Carlos Fernandes, Daniel Maia, Pedro Leitão, Rodrigo de Matos, Hugo Teixeira, Estefano Gomes, Henrique Valadas, Daniel Henriques, Rui Moura, André Beja, Luís Henriques, Ruy Pimentel, Lloy, Milo Manara.
FOTOGRAFIAS: Dâmaso Afonso, J. Machado-Dias, Luís Graça, Lloyy, Miguel Ferreira.






Pois!!! Realizou-se ontem (2ª terça-feira de Dezembro, dia 11) o 279º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa, organizada por Geraldes Lino. Tratou-se do Encontro vadio de Natal (vadio porque não se realiza no poiso habitual, o Restaurante Gina do parque Mayer) e este ano, Lino resolveu mudar a orgânica do mês de Dezembro como ele próprio explica no Programa que pode ler-se abaixo:

G.Lino distribuiu o Tertulia BDzine #120 e as Folhas Volantes #192 e #193:


João Mascarenhas aproveitou para apresentar a sua homenagem a Hergé, com um DVD + BD d'O Menino Triste numa ida à Lua, reencarnando Tintin:

Geraldes Lino lançou finalmente o Fanzine Eros #10 - comemorativo dos 20 anos da publicação do #1. O Eros #10, tem 48 páginas de BD erótica, mais um encarte de 26 páginas com BD pornográfica: Vaz & Lina Na Travessa da Água Flor, de Henrique Manuel Serra Lopes (falecido em 1992 e do qual se sabe muito pouco), que tem originalmente 48 pranchas e foi editada em formato A3. Bem, as minhas divergências com Geraldes Lino acerca desta matéria (erótico versus porno), são por demais conhecidas do publico bedéfilo, mas um dia destes vou ter que escrever alguma coisa acerca disto... por ora não faço comentários!

Capa de Pepedelrey, que tem também uma BD no interior.

J.Coelho e Rui Lacas

Machado e ZÉ Francisco. As 4 páginas de O Regresso de Valentina, de Machado, estão disponíveis no blogue da BDVoyeur.

Zé Manel e, na contracapa, um autógrafo de Milo Manara (quem é este gajo?)
E aqui ficam as fotos. Como se pode verificar, o grupo da Associação Imaginarte (da Faculdade de Belas Artes de Lisboa), compareceu em peso:


Foi também lançado o BDj #21, que terá aqui no Kuentro o press release durante o fim-de-semana próximo.

E, já agora, foi também apresentado o projecto da capa da revista de humor - a Moda Foca - que a Pedranocharco vai lançar em Abril de 2008. O projecto, direcção e coordenação é do Álvaro e queremos que a Moca Fo... bem, que coisa agite as águas do humor gráfico neste país. Aqui fica o primeiro esboço da capa:

Aproveitamos para desejar ao Luís Graça, uma rápida recuperação!!!

João Abel Manta. Foto de J.Machado-Dias aquando da entrevista concedida pelo Mestre ao BDjornal, publicada no #5 - Setembro de 2005.
HOMENAGEM A JOÃO ABEL MANTA
No início de 2008, o Mestre João Abel Manta comemora o seu octogésimo aniversário. Uma longa vida dedicada às artes, desde a arquitectura, passando pela ilustração, caricatura, cartoon até à pintura. As homenagens devem ser feitas enquanto os artistas estão vivos e com saúde.
80 anos é uma bonita idade para se comemorar, e creio que nenhum artista, principalmente ligado ás artes gráficas, põe em causa o valor, a importância da sua obra no panorama das artes do séc. XX:
Todos sabemos que o Mestre detesta homenagens e actos públicos de louvor, com palavras ocas, com hipocrisias oficiais e oficiosas. Qual pois a melhor forma de homenagear um artista irreverente? Naturalmente com irreverência, com humor. A forma mais séria de olhar a vida. Qual a melhor forma de se reconhecer a importância estética de um artista? Com o preito de outros artistas. Com o espelho reflector, respondendo à arte com arte. Perante a obra do Mestre, os artistas devem responder com humildade, com o melhor da sua expressão estética, parodiando, alegorizando, caricaturando o Mestre…


A Humorgrafe (Osvaldo Macedo de Sousa) e o BDjornal (J.Machado-Dias / Clara Botelho) sonharam com uma homenagem ao grande Mestre João Abel Manta, como melhor forma de comemorar este aniversário, como melhor forma de chamar a atenção para a obra genial do Mestre. O CNBDI da Amadora alia-se ao projecto oferecendo a sua sala de exposições. Esta poderá depois percorrer outros espaços. Mas, nós não somos artistas, apenas “idiotas” de iniciativas, razão pela qual necessitamos de outros cúmplices.
Vocês caricaturistas, cartoonistas, banda-desenhistas, ilustradores estão interessados em colaborar nesta homenagem?
Cada artista pode participar com uma ou duas obras (e se forem bandas desenhadas não convinha que fossem muito grandes, uma, duas pranchas…) Se for uma obra digital pode ser enviada por e-mail (Jpeg, 300 dpis) para humorgrafe_oms@yahoo.com, se forem originais para
Osvaldo Macedo de Sousa
Av. Carolina Michaelis nº31-4ºA
2795-053 Linda-a-Velha.
Naturalmente que no final todos os originais serão devolvidos com o respectivo catálogo. A data limite ideal seria 30 de Janeiro de 2008. Quem precisar de elementos, como fotos do artista, ou reproduções de obras do Mestre, contactem-nos pelo mesmo mail.
Desde já agradecemos o vosso apoio.


AS IDADES DE SALAZAR, João Abel Manta.