fevereiro 18, 2006

ANÁLISE AO BDJORNAL 10 - POR NUNO PEREIRA DE SOUSA

PELA PRIMEIRA VEZ LEIO UMA ABORDAGEM MAIS EXAUSTIVA E CRÍTICA A UMA EDIÇÃO DO BDJORNAL E NÃO PODIA DE REFERI-LA AQUI, COM TRANSCRIÇÃO INTEGRAL.

DE NUNO PEREIRA DE SOUSA NO BLOGUE BEDÊ (http://bede.blogdrive.com)

BDJ102.jpg

Com a leitura do BD Jornal 10 é impossível não reflectir sobre alguns assuntos, lá abordados ou evocados.

Comecemos pelo próprio jornal em si. A edição de Fevereiro atinge um número recorde de colaboradores: vinte e cinco. Poder-se-á pensar que este número se deve ao dossier do balanço de 2005 da Bedeteca (que devido a um erro de formatação, será republicado no próximo número), mas é um ledo engano, pois tal não foi considerado para a obtenção do referido número. A que se deve então este aumento? Provavelmente, a publicação já atingiu estatuto suficiente para que os convites do editor sejam aceites e outros colaboradores o procurem de mote próprio.

Por outro lado, as 32 páginas começam a ser poucas para o material a publicar – repare-se nos vários artigos que se viram forçados a continuar no próximo número. Tal, eventualmente, obrigará a uma selecção mais rigorosa do material a publicar no futuro, o que obrigará a uma redefinição da política editorial. Em princípio, a qualidade poderá lucrar com esta selecção.

Pedro Alves, na minha opinião, tem a sua melhor participação de sempre no jornal, com a prancha Razões para não comprar o BD Jornal. Os velhos (e, infelizmente, novos) do Restelo já anunciaram todas as razões e mais alguma para este projecto falhar, o qual teima em chegar às bancas e lojas especializadas mensalmente, sempre repleto de assuntos interessantes. E é divertido ver algumas das razões de descrédito desmontadas com humor q.b. Aliás, não deixa de ser curioso ler na reportagem sobre a comunicação do responsável pelo balanço anual da ACBD francesa Gilles Ratier que naquele país o interesse sobre as publicações periódicas sobre BD tem aumentado, bem como o seu número, que em 2005 atingiu as 22 revistas.

Mas há outros momentos de reflexão. José de Freitas, editor da Devir, aproveita o balanço editorial do ano passado para dar algumas luzes do plano para o presente ano. Pessoalmente, o seu artigo pareceu-me uma justificação para o derradeiro canto do cisne, onde se culpam vários factores para as fracas vendas (curiosamente, nunca a aparentemente amadora política editorial), que em última instância obrigam ao término das revistas mensais, à redução do número anual de publicações para cerca de metade e à descontinuação de algumas séries. Um futuro bastante melindroso para a publicação de comics em Portugal (não esqueçamos a política agressiva da editora nos direitos de publicação deste género), que eventualmente poderá benificiar o mercado de importações.

Mário Freitas, responsável pelas lojas especializadas Kingpin of Comics, puxa a brasa para a sua sardinha, ou melhor, para a loja que abriu apenas dedicada ao manga. Curiosamente, não são dados números (nem brutos, seja de quantidade de vendas, seja do montante implicado, nem percentuais, para se poder comparar tal com os outros géneros). Mas parece acreditar que o futuro da BD está nas publicações asiáticas (o manga japonês, o manhwa coreano, o manhua chinês e outros produtos similares). Em França, as pistas parecem apontar nesse caminho. Aliás, Gilles Ratier questiona-se sobre se as várias correntes não se estão a aproximar daquele estilo, notando noutras publicações alterações dos códigos gráficos ou narrativos por influência do manga. Já em Portugal, não tenho tanta certeza de que será assim. Dark Angel não conseguiu cativar muitos leitores e os recentes My-Hime e Vampire Princess Myu da nova editora Mangaline terão um eventual nicho de mercado restrito.

E, por outro lado, o nouvelle manga,- tendo O Homem que Caminha de Jiro Taniguchi recebido boas opiniões da crítica especializada - parece que vai continuar a ficar fora dos planos editoriais portugueses, segundo J. M. Lameiras.

E os autores nacionais? O artigo sobre a LX Comics, decididamente com um grafismo longe de qualquer tentativa mainstream, deixou-me uma dúvida – é uma montra da abundância (?) do underground feito no nosso país ou, pelo contrário, promove que novos autores produzam dentro de certas linhas de modo a lá serem publicados, sem que depois exista qualquer tipo de mercado para eles? Alguns nomes parecem ter contrariado este facto, mas talvez tal tenha resultado desses autores apresentarem um grafismo mais apelativo à população em geral.

E alguns deles têm participado em projectos inovadores. Por exemplo, Miguel Rocha com José Carlos Fernandes no andaluz Osinvito, onde se promove o turismo regional com... BD!

Estas e muitas outras questões se colocam na leitura do 10º número do BD Jornal (abordei aqui apenas 8 das 32 páginas).

A nível de BD, publicam-se 2 pranchas de Ruben Lopez, à laia de preview, a nova A 5ª Pedagógica de Miguel Montenegro (a necessitar de inspiração no argumento), uma tira cómica de Quico (idem), outra de Derradé (ibidem) e uma última de Pedro Alves do fanáticodaBD (também).

Publicado por jmachado em fevereiro 18, 2006 02:13 PM
Comentários

Saúdo o cuidado em dissecar de forma tão atenta o conteúdo do jornal.

Afixado por: Luís Graça em fevereiro 19, 2006 04:33 AM

na parte dos links da vossa pagina falta o
de Artur Correia
(premiado com o melhor album de banda desenhada de 2005)
http://artoon.planetaclix.pt

A. Vitorino

Afixado por: antonio vitorino em fevereiro 20, 2006 09:31 AM