novembro 23, 2006

RIbanho - de LUCA (LUís Afonso e CArlos Rico) VAI SER LANCADO NA BEDETECA DE BEJA

A Bedeteca de Beja vai acolher o lançamento deste livro de LUCA (LUís Afonso e CArlos Ricos), no próximo dia 30 deste mês.

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Está tudo explicado na contracapa do livro e no prefácio de Geraldes Lino, como pode verificar-se abaixo:

RIbanho, o riso alentejano

À laia de preâmbulo, começarei por dizer que detesto anedotas sobre alentejanos, mesmo que, por vezes, tenha rido com algumas. Detestei, em especial, as que tiveram o seu apogeu maldoso no pós-25 de Abril.
Para cortar à nascença ilações falsamente óbvias, que fique claro: sou lisboeta, e não tenho nenhum familiar alentejano.
Impõe-se, pois, que esclareça já o porquê desta minha animosidade em relação às ditas anedotas. É que sempre detectei nelas laivos de achincalhamento, e não raro alguma intencionalidade política, associando à população daquela província intensa carga negativa de esquerdismo, além de preguiça, lentidão e estupidez.
Mas o que é que tem a ver essa minha interpretação onde se cruza o Alentejo com anedotas e política, se o que está em causa é, tão-somente, apresentar um livro de "cartoons", da autoria de "Luca" –, publicados inicialmente nas páginas de um jornal?
Tem tudo a ver: o jornal é o Diário do Alentejo, e "cartoons", esse anglicismo tão vulgarizado, é algo classificável, simplificadamente, como anedotas ilustradas. Sobretudo, repare-se na coincidência: têm alentejanos como personagens, tal como os dois autores – e, claro, nem um nem outro são homens de direita.
Assim sendo, seria de esperar uma espécie de vingança, tipo, agora vamos nós gozar com quem tanto nos tem gozado? Posso afirmar que uma atitude desse género não faria sentido para eles, conhecendo-os como eu os conheço.
Luís Afonso nasceu em Aljustrel (1965).Ex-professor de Geografia, ex-técnico de Desenvolvimento Local, vive em Serpa, onde exerce a tempo inteiro a inacreditável profissão de cartunista (escrever "cartoonista" é tão absurdo como seria se escrevesse "footebolista"), fazendo para o jornal Público, diariamente, o já famoso (tanto que até motivou uma peça teatral) "Bartoon", e ao sábado "A Semana Política", sendo domingo o dia propício para a "Sociedade Recreativa" na revista semanal Pública. Mas todos os dias são bons para Luís Afonso fazer rir com o barbeiro que espalha as suas tiradas irónicas sobre desporto em geral, e futebol em particular, na tira de três vinhetas intitulada "Barba e Cabelo", no diário desportivo A Bola, onde também, mas nesse caso ao sábado, esgalha "Humor Ardente". A brincar com impostos, fugas aos ditos, preços do petróleo, cotações do euro, e assuntos quejandos, faz de 2ª a 6ª uma tira intitulada "SA" no Jornal de Negócios. Como às três da madrugada de 6ª feira normalmente ainda lhe apetece fazer mais qualquer coisinha, o cartunista alentejano lembra-se do compromisso que tem com a revista Sábado e para ela desenha um "gag" em que brilha um tal "Lopes, o repórter pós-moderno". Depois de tudo isto – que só de ler, cansa – ainda conseguiu imaginação para criar "Sol aos Quadradinhos", e tempo para os desenhar, no novel semanário Sol.
Carlos Rico nasceu em Moura (1968), onde vive e trabalha como gráfico do respectivo sector da Câmara Municipal, em representação da qual é o principal responsável pela realização anual do Salão Internacional de Banda Desenhada de Moura. Paralelamente, é também cartunista, e nessa qualidade já colaborou no Além Tejo Económico, de Évora, no quinzenário A Planície, de Moura, estando actualmente a desenhar a rubrica "Cartoon" no semanário Jornal do Sporting.
Como se isto fosse pouco para estes dois preguiçosos alentejanos, em Fevereiro de 2003 resolveram formar uma dupla, usando o pseudónimo de "Luca" ("Lu" de Luís, e "Ca" de Carlos), e com ela criaram a rubrica "RIbanho" no Diário do Alentejo. Desde então, semanalmente, têm posto em cena, com muita graça, personagens a analisar os acontecimentos que afectam o Alentejo, a comentar as decisões do governo do país ou simplesmente dos governantes locais, apenas fazendo os seus autores uma pequena concessão: a de gozarem com o sotaque dos "compadris" – afinal de contas, também o deles –, o que, em última análise, significa que se riem, com bonomia, de si próprios.
Acontece, naturalmente, haver por vezes, nesses curtos "gags" (imaginados e escritos pelo Luís, desenhados e coloridos pelo Carlos), intervenientes algo ingénuos, ou, em contrapartida, terem acutilante sentido crítico, sendo que, com frequência, os diálogos se mostram certeiros, oportunos e actuais em relação aos acontecimentos. Leia-se, por exemplo, este:

"– Parece c'as tropas portuguesas fizeram uma simulação de guerra ali p'ròs lados de Grândola, "compadri"!
– Uma guerra a "brincari"?!
– Claro, "compadri"!… Se fosse a sério chamavam-se os americanos!"

Acrescente-se a este acerado humor as imagens caricaturais – mas um caricatural amável, quase ternurento – dos dois alentejanos protagonistas, acompanhados na última vinheta por um burro que troca olhar cúmplice com o leitor/visionador, e ter-se-á a noção do exemplar funcionamento deste género de comentário figurativo.
Por trás dessas imagens que "falam" usando "balões" de banda desenhada, está a excelente capacidade de análise divertida e sempre oportuna da invulgar dupla de autores, talentosos alentejanos que se mantêm firmes na sua terra, defendendo-a com a terrível arma do humor, sem necessidade de balas achincalhantes.
Geraldes Lino

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Carlos Rico e Luís Afonso

CARLOS RICO

Nasce em Moura, em 1968.
Desempenha, na Câmara Municipal de Moura, as funções de “designer”, no respectivo Sector Gráfico.
Coordena o “Moura BD – Salão Internacional de Banda Desenhada”, certame que, desde 1991, a Câmara de Moura tem vindo a promover.
Desde 1990 publica “cartoon” na imprensa. Primeiro, no Diário do Alentejo (onde começou com “Beto, o traquinas”, uma série em forma de tira, cujos protagonistas eram um grupo de miúdos); pouco depois, n’ A Planície (onde, na última página, publicou, durante cerca de quatro anos, a série “Fecho... é claro”).
Mantém a colaboração com o “DA” (até hoje). Pelo meio, colabora esporadicamente em inúmeras publicações (Revista da Água, Jornal de Almada, O Ás, A Voz de Paço d’Arcos, Notícias do Entroncamento, etc) e, com alguma regularidade, no Além Tejo Económico, enquanto o projecto dura (alguns meses).
Em 1999 começa a publicar “cartoon” no jornal do Sporting. É uma experiência completamente nova, dado que as ideias lhe são fornecidas pelo jornal. Apenas o traço (a preto) é seu. Este esquema dura até 2001. Pára durante dois anos. Em 2003, ao mesmo tempo que o jornal sofre uma mudança gráfica, reinicia a colaboração, publicando, semanalmente, um “cartoon” a cores, que ilustra textos humorísticos de temática desportiva. Em 2005, a página de humor é suprimida e passa a publicar, a cores, na última página, uma série de tiras cujo principal personagem – um leão, claro – foca temas relacionados com o clube de Alvalade e com o futebol em geral.
Em Fevereiro de 2003 cria com Luís Afonso a série “Ribanho” assinada sob o pseudónimo de LUCA.
Publica o álbum “A Moura Salúquia”, em banda desenhada, sob edição da Câmara Municipal de Moura (1995). Seguem-se “HumoRico” (1996, edição da Associação Jogo de Imagens) e “Um sorriso no... ar!” (1998, Edições Polvo).
Ilustra livros infanto-juvenis, com textos de Maria Eugénia Fernandes, sob edição das Câmaras de Moura (A canção do Pastor, Um céu de lata e Nas nuvens também há flores) e de Barrancos (Manolito, o bixarrácu e a Fêra de Agohtú; Manolito, o bixarrácu e o presépio encantado; Manolito, o bixarrácu e o cahtélu de Noudá).
É Convidado Especial na Tertúlia BD de Lisboa, em 2000.
Recebe o Troféu Sobredão, em 2002, no salão BD da Sobreda.
Em 2006 recebe o Prémio Mais Ilustração atribuído pela revista Mais Alentejo.

LUÍS AFONSO

Natural de Aljustrel (1965), casado, três filhos.
Residente em Serpa. Licenciado em Geografia pela Universidade de Lisboa (1988).
Leccionou no ensino secundário e trabalhou para autarquias em projectos de desenvolvimento local/regional até 1995.
A partir desse ano dedicou-se exclusivamente aos cartoons, actividade que havia iniciado dez anos antes, quando estudava em Lisboa.
Começou n’O Diário/fim-de-semana, passando por vários jornais e revistas.
Mantém colaborações permanentes em A Bola (desde 1990), Público (1993), Jornal de Negócios (2003), Sábado (2004) e Sol (2006).
Desde 2003 escreve os textos da tira RIbanho, com desenhos de Carlos Rico, no Diário do Alentejo.
É autor dos livros Bartoon (1996), Selecção (1996), Bartoon 2 (1998), Bartoon 3 (2000), editados pela Contexto; e de Bartoon 10 anos (2003), Futebol Por Linhas Tortas (2004) e Sociedade Recreativa (2005), editados pelas Publicações D. Quixote.

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Publicado por jmachado em novembro 23, 2006 01:24 PM
Comentários

Mas que bosta é esta? Isto é demasiado mau, as piadinhas dos alentejanos, para ser verdade. Isto nem para ler na retrete, presta. Assim, com as porcarias que andam a sair no bdjornal (onde se inclui, creio, este tal Carlos Rico)

Afixado por: galinha em novembro 23, 2006 02:41 PM

Galinha é nome de paneleiro. E de acéfalo.

Afixado por: Alentejano em novembro 23, 2006 04:12 PM

Esse senhor que assina "Galinha", como qualquer tolinho de rua, decide falar(ou grunhir?) sobre as coisas antes de as conhecer. Eu não posso dizer se gosto ou não porque ainda não conheço o livro. Vou lê-lo primeiro e só depois falar dele. Ao contrário da Galinha, com a lucidez que a caracteriza...

Afixado por: Antunes Gomes em novembro 23, 2006 04:20 PM

Hello tõ de volta cambada do Kuentro:

Eu pessoalmente gosto muito do trabalho do Luís Afonso. Ia sempre espreitar na revista "Publica" a sua "Sociedade Recreativa"... Humor genial...
Podia ser um dos autores a ser convidado para o Festival da Amadora, que continua a convidar (todos os anos) o JCF (BLARGH) e também o Miguel Rocha (este eu gosto, mas aparecer sempre no Festival Amadora cansa)...

Afixado por: João Paulo Dias em novembro 23, 2006 05:10 PM

Magnífico! Parabéns aos autores, e em particular ao meu Velho Amigo Carlos Rico cujo trabalho muito admiro.
Um destaque para o Kuentro pela importante divulgação que faz a este género de publicações.
Muitos êxitos!
José Ruy

Afixado por: José Ruy em novembro 23, 2006 07:05 PM

Olá amigos do Kuentro. Sou um cartoonista e humorista português, formado em Espanha, acabado de chegar ao mercado português dos cartoons. Para já, comecei a colaborar com o Expresso, estando responsável pelo blog Humoral da História - http://expresso.clix.pt/COMUNIDADE/blogs/humoral_da_historia/default.aspx

Gostaria de convidar-te a visitar a minha página: http://www.rodrigodematos.tk e a descobrir mais sobre mim.

Saudações humorísticas,

rodrigo

Afixado por: rodrigo em novembro 29, 2006 03:38 PM

Até mesmo o veterano José Ruy, diz "este género de publicações". Preciso ler mesmo essa porcaria? A tira acima diz tudo, como dizem as supostas piadas (para rir?) que saem no Bdjornal, desse tal Rico. Se calhar, sou eu. Deve haver um santo graal escondido em "Ribanho": piadas elaboradas, personagens não estereótipadas, enfim, tudo aquilo que serve para que a BD não seja um mera leitura de pia. Aliás, para o que me acusam de falar do que não conheço, afirmo aqui, sob compromisso de honra, que já peguei na caca em questão e deu para ver do que se tratava. Como qual caca que se preze, da verdadeira, a seguir tive de ir lavar as mãos. Pena também que Luis Afonso, autor do genial "Bartoon", esteja por detrás desta porcaria...Enfim, isso só mostra os leitores exigentes que temos em Portugal, que se divertem com piadas de tasca...

Afixado por: galinha em novembro 30, 2006 12:41 PM

O sr. “Galinha” tem todo o direito de não gostar do meu trabalho, de não gostar do “Ribanho”, de não gostar das piadas de tasca ou até mesmo de não gostar do BD Jornal. O que não tem o direito é de ofender-me a mim, mas isso, infelizmente, é algo a que todos nós estamos sujeitos, através de comentários de pessoas sem carácter, que se escondem atrás dum nome fictício para dizer aquilo que, sem máscara, provavelmente não teriam coragem de dizer (embora você faça juz ao nome de “galinha” que, popularmente, identifica um indivíduo cobarde ou de pouca inteligência).
Quero dizer-lhe que está redondamente enganado quando se refere às “supostas piadas” que eu publico no BD Jornal. Até hoje, o BD Jornal leva já 15 números editados sendo que eu apenas publiquei uma tira, creio que no número dois do jornal. Acredito que lhe tenha sido difícil achar piada à referida tira (está no seu direito), não acredito é que tenha lido todos os números do BD Jornal para fundamentar o seu comentário. Como pode confirmar, se quiser dar-se a esse trabalho (o que não me parece), a minha colaboração no BD Jornal é mais uma excepção do que uma regra.
Quanto ao “Ribanho”, o livro está á venda nas livrarias mas ninguém o obriga a comprá-lo!Portanto, a escolha é sua, meu caro!
Quero também dizer-lhe que apenas lhe respondi porque você utilizou termos ofensivos e pouco dignos para qualificar o meu trabalho, mas não pense que lhe vou dar mais trela porque, para mim, o assunto acabou aqui, diga você o que quiser a partir deste momento.
Se por acaso, um dia destes, der de caras comigo e quiser criticar o meu trabalho olhos nos olhos, terei todo o gosto em cumprimentá-lo por isso, ainda que depois (e não me leve a mal) eu tenha que ir imediatamente lavar as mãos!

Afixado por: Carlos Rico em dezembro 2, 2006 07:42 PM

ah, só para dizer ao alentejano. Também sou alentejano, embora não viva no Alentejo, e não sou paneleiro, para sua informação. Nunca me chateou piadas de alentejanos, porque nós os alentejanos temos sentido de humor, e também fazemos anedotas sobre pessoal do Porto e Lisboa. Sobretudo, aos algarvios. Mas uma coisa é dizer essas piadas e que as há com graça, las há. Agora, fazer o boneco do alentejano, à semelhança do gato Fedorento, do Herman José, aos acéfalos dos Malucos do Riso, não só já chateia como já mete nojo. Tal como mete nojo estes bonecos do "RIbanho". Inovem! Criem! Não repitem fórmulas

Afixado por: galinha em dezembro 5, 2006 11:53 AM

Comprei o livro em questão na FNAC(onde estava em destaque) e achei-o muito bem conseguido, com piadas muito oportunas sobre a realidade do Alentejo(sou alentejano mas vivo em Lisboa). Li os comentários anteriores e parece-me que o participante "Galinha" terá alguma coisa pessoal contra os autores(ou autor, porque se "atira" a Carlos Rico). Acho que o livro não justifica tais ataques, até porque há que perceber que são tiras semanais num jornal do Alentejo e há que ter atenção ao público-alvo(idade, estrato social, etc) quando se faz uma coisa destas. Uma obra de Pratt ou Bilal poderiam ser ali publicadas que ninguém prestaria atenção. É como levar um filme de Godard ao cine-teatro da Amareleja. O fundamental é conseguir fazer as pessoas ler as coisas e passar alguma mensagem. Peço ao participante Galinha que ponha de lado as questõe pessoais e tente olhar para o livro sob esta perspectiva. Um abraço.

Afixado por: José S. Pinto em dezembro 9, 2006 07:15 PM

Venho a este blog cumprimentar Carlos Rico pelo lançamento do seu album ''Ribanho''embora nao o tenha lido ate este momento porem desejante. Carlos ,se ainda estas com a memoria em dia saberá que fomos convidados a expor nossos trabalhos juntamente com o grupo de Bds do Brasil '' Fator -Rhq " no festival de Moura em 2003. EMbora haja cessado nosso contato,mostro-me disponivel a criar relaçoes e intercambios para mostras e lançamentos entre artistas de Portugal e Brasil. escreva-me carlos:diogohenrique25@hotmail.com

Afixado por: diogo henrique em janeiro 24, 2007 02:55 AM

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