maio 04, 2007

PAULO MONTEIRO - QUEM É O DIRECTOR DO FESTIVAL DE BD DE BEJA?

Nascido em Vila Nova de Gaia, 1967, Paulo Monteiro é conhecido no meio da banda desenhada nacional pela sua associação aos projectos bedéfilos tidos na cidade de Beja. Contudo o seu percurso neste sector é muito mais completo, tendo raízes em formação e actividades artísticas polivalentes, que com o tempo se vieram a especializar na Nona Arte – a Banda Desenhada.

Em 1987, Paulo Monteiro ingressou na Universidade de Lisboa, onde se veio a licenciar em Letras, período durante o qual passou frugalmente pelo cinema de animação, com o projecto “Guessene, o Monge Pintor”, da Fundação C. Gulbenkian. Posteriormente, iniciou estudos em Pintura, na Escola de Artes e Comunicação, em Lisboa.

Seguidamente, em 1993, muda-se para Beja, e integra o Museu Regional como bolseiro, procedendo depois à instalação do Sector Educativo desta entidade. Foi como responsável desse Sector Educativo que realizou, junto com a equipa do Museu, diversas actividades didácticas dirigidas às crianças e jovens do distrito, entre as quais teatro de fantoches, sombras chinesas, oficinas de ilustração, BD, azulejaria, e conversas sobre banda desenhada com alunos de diversas escolas, o jornal O Candil, etc.

É na sequencia destas ocupações que Paulo Monteiro inicia a sua aventura na banda desenhada, quando em 1996 funda e monitora o Toupeira, um espaço dedicado à Nona Arte, criado ao abrigo da iniciativa Ateliers Permanentes promovida pela Casa da Cultura e Pelouro da Juventude de Beja. O propósito desta oficina de BD, que funciona em regime de workshop, foi albergar em horário extra-curricular e pela duração do ano lectivo diversos entusiastas da matéria, cuja produção se compilava posteriormente em fanzines antológicos (Pax-Fanzine 300 e Lua de Prata). Estes, por sua vez, deram mais tarde lugar à revista Venham+5, editada presentemente na abertura do FIBDB.

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Foto de Março de 2005 - Apresentação mutua: apresentámos a Paulo Monteiro o projecto BDjornal, enquanto ele nos apresentava o Festival de BD de Beja e a Bedeteca de Beja.

O Atelier Toupeira foi dessa forma o catalizador de toda uma geração de promissores autores alentejanos, nos quais se contam Susana Monteiro, João Lam, Maria João Careto, VéteBD e Zé Francisco, entre muitos mais, alguns actualmente tidos como valores emergentes da BD portuguesa.
Parte da formação destes artistas e uma faceta da actividade do ´Toupeira foram as digressões que Paulo Monteiro organizou, levando o atelier aos festivais nacionais e vizinhos com vista a completar aprendizagens e abrir os seus horizontes, das quais resultou uma relação estável entre o grupo e eventos da Catalunha, resultando esta em mostras colectivas e individuais que os autores lá têm podido realizar. Entre presenças nas Jornadas de Banda Deseñada de Ourense, Paulo Monteiro tornou igualmente regulares a participação do atelier nos eventos BejAlternativa, Moura BD e Festival Internacional BD da Amadora.

O Atelier Toupeira, sob a batuta de Paulo Monteiro, conseguiu posteriormente a proeza de ser o único atelier do projecto original a manter-se activo após o descontinuar da iniciativa, e inclusivamente a manter abertas as suas portas para além dos meses lectivos, funcionando agora ininterruptamente durante o ano.

Já no novo milénio, enquanto novos autores se vão associando ao projecto, Paulo Monteiro concretizou uma ideia de alguns anos, na qual havido começado a trabalhar desde 2004, inaugurando no ano seguinte a Bedeteca de Beja, localizada na Casa da Cultura da cidade. O espaço – que actualmente conta com cerca de 5 mil álbuns (europeus e americanos), 3 mil revistas especializadas e inúmeros zines, reunidos sempre com o propósito de disponibilizar leitura e arte que não seja conseguível obter em bibliotecas genéricas – abriu portas simultaneamente com o 1º Festival Internacional BD de Beja, que estando prestes a realizar o seu 3º salão é já tido como o 2º mais importante certame bedéfilo português, e um exemplo para os demais, pela inigualável excelência logística, capacidade de mobilização e bom-gosto na preparação das exposições que executa.

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Em Viseu, Outubro de 2005. Almoço durante a estadia naquela cidade para visitar o Salão de BD. Ao lado de Paulo Monteiro está Luiz Beira, mentor e impulsionador dos Salões de BD da Sobreda, Moura e Viseu.

Não suficiente, a Bedeteca de Beja tem vindo a editar com igual critério e ecletismo dois títulos – a supra-mencionada revista Venham+5 e os mini-comics afectos à Colecção Toupeira, que até à data lançou “Bófias” (de Silvestre Francisco, aliás VéteBD), “Space & Co” (de João Lam) e em breve “La Béllete” (de Pedro Rocha Nogueira). Paralelamente, a Bedeteca de Beja disponibiliza ainda o caderno informativo Splaft! e promove ocasionais fanzines, como o Café & Cigarros.

Enquanto ilustrador, o Paulo é um profissional experiente, com trabalhos publicados em mais de trinta livros e revistas, entre as quais a Rua Sésamo, para a qual igualmente assinou textos. Esta actividade da escrita veio a assumir de maior papel na carreira do autor quando, mais tarde, envolvido com a banda desenhada, assinou criticas e reportagens sobre esta (e outros assuntos) para rádio e diversos jornais, como o Noticias de Alverca – que fundou com alguns amigos em 1983.

O começo da prática na 9ª Arte deu-se em meados dos anos 80, aquando o Paulo produziu e editou alguns fanzines (ie. Abelharuco, em 1984; Eclipse e De Washington a Moscovo com partida em Nova Iorque, ambos em 1985), mas também em periódicos, como o DNJovem.

Todavia, não deixa de ser peculiar que o autor actualmente encontre mais oportunidades de ver o seu trabalho publicado na vizinha Espanha do que em Portugal, onde editou apenas a BD curta “Reflexos de Metal” (in Efeméride #01, 2005). Desde então, Paulo Monteiro tem vindo a publicar regularmente no célebre Barzowia, do nº06 em frente; lá, contam-se já as histórias “Os Mortos não Dançam” (in Barzowia #06), “O Amor infinito que te tenho” (in Barzowia #07), tendo ambas estas BDs sido posteriormente reeditadas na compilação Barzowia em Chamas, e já em 2007 no Barzowia #08 e 09, respectivamente com as BD “Irei ver a Amada” e “A Canção do Soldado”.

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Prancha de Rádio Miedo, de Paulo Monteiro

Presentemente, enquanto completa uma BD curta em conjunto com Kike Benlloch (argumento), intitulada “Rádio Miedo” (cujas primeiras páginas são aqui mostradas) preparou uma nova BD para o Efeméride #02, com cores de Susa Monteiro, por editar brevemente no III FIBDB, e mais tarde, durante o último trimestre, editará um álbum original para a chancela Polvo.

É por estes motivos; pelo excelente trabalho que tem feito em frente do Atelier Toupeira, Bedeteca de Beja e do Festival Internacional BD de Beja, mas também pelo seu vasto e crescente currículo na área da banda desenhada e ilustração, que este ano o júri do Troféus Central Comics decidiu homenagear Paulo Monteiro com o Troféu Especial do Júri.

Texto adaptado: Daniel Maia
PUBLICADO ORIGINALMENTE EM http://www.centralcomics.com

Publicado por jmachado em maio 4, 2007 10:25 AM | TrackBack
Comentários

Ficámos a conhecer melhor o Paulo Monteiro. Oportuno artigo.
Sabia algumas coisas, mas a maior parte desconhecia.
Por tudo o que ficou exposto, a homenagem é mais do que merecida.

Afixado por: Luís Graça em maio 4, 2007 11:07 AM

só podia ser meu tio!!

Afixado por: minhoca em agosto 4, 2007 07:27 PM

Que saudades...ao fim de tantos anos encontrar-te por aqui...Paulo, parabéns pelo teu sucesso.

Afixado por: Luísa em janeiro 29, 2008 01:00 AM

Sou eu a tua cunhada Rosário com o mail da filha,ainda não entrei nestas modernices dos mails.Bem, vamos ao que interessa:
Tantas pormenores que eu desconhecia,fiquei com curiosidade de saber muito mais,PARABÈNS tens de facto um trabalho e um currículo fantástico!

Rosário

Afixado por: kataryna em fevereiro 24, 2008 12:24 AM

O pá! Bolas!...
Neste País é fácil ser reconhecido quando se fazem porcarias. Vêm sempre no noticiário!
Quando se faz criação artística, normalmente passa-se à história. Aliás o estudo artístico em certas áreas é desfavorecido pelo Estado, mas haja quem se manifeste contra!
De qualquer forma é o trabalho dos artístas como tu que vence! Só tens que continuar a regar o teu trabalho, Paulo.

Afixado por: mariaxxi em fevereiro 24, 2008 03:49 PM

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