
Jornal de Notícias, 7 de Dezembro de 2008
Novo Lucky Luke chega(ou) dia 9
Pedro Cleto
Chama-se "O Homem de Washington", é o novo álbum de Lucky Luke, terceiro do período pós-Morris, e chega às livrarias portuguesas no dia 9, praticamente em simultâneo com a edição francófona, à venda desde sexta-feira passada.
Os responsáveis pela nova aventura são mais uma vez o desenhador Achdé (aliás Hervé Darmenton) e o humorista Laurent Gerra, que optaram por uma abertura em grande, reeditando um duelo entre Lucky Luke e o mítico Billy the Kid, continuando a apostar numa das imagens de marca dos seus álbuns: as constantes evocações do passado da série, que conta já mais de sete dezenas de títulos, desde a sua criação a solo por Morris, em 1946.
Entre 1955 e até à sua morte, em 1977, Goscinny assinou os argumentos e introduziu personagens carismáticas como os terríveis irmãos Dalton ou o idiota cão Rantanplan, seguindo-se um período em que Morris recorreu a diversos argumentistas, até falecer em 2001. Dois anos depois, a actual dupla fazia a sua estreia no "cowboy que dispara mais rápido do que a sua própria sombra" com "Lucky Luke no Quebeque", primeiro tomo da nova série denominada "As aventuras de Lucky Luke segundo Morris".
Agora, em "O Homem de Washington", o fleumático cowboy enfrenta mais uma missão de alto risco: acompanhar e proteger o candidato republicano à Casa Branca, Rutherford Birchard Hayes (que na realidade viria a ser o 19º presidente norte-americano, entre 1877 e 1881), durante a sua campanha eleitoral pelo oeste selvagem, devido às ameaças de Pierre Camby, um rico explorador de petróleo apostado em ocupar o seu lugar, "um menino do papá", que, por coincidência ou não, tem a cara de um certo George W. Bush.
Partindo de um tema actual, pretexto para um olhar crítico ao mundo da política, os autores narram uma implacável perseguição pela vastidão da América que, revelou Achdé ao JN, conta com "emboscadas, índios, uma locomotiva, um cozinheiro falhado, loucos do revólver, uma diligência, senadores, o muro de Berlim, agentes muito especiais, um pregador no deserto, uma louca por limonada e um ou dois coiotes!" e o encontro com celebridades actuais, como uma certa Britney Schpires, "cantora de cancan" em saloons. Tudo condimentado com bom humor, ritmo vivo e um traço solto, dinâmico e agradável.
A edição francesa, disponível desde a passada sexta-feira, é o best-seller aos quadradinhos para a época natalícia no mercado francófono, esperando-se que as vendas ultrapassem o meio milhão de exemplares, já que o álbum anterior de Achdé e Gerra, "O Nó ou a forca", vendeu 650 mil cópias. A versão portuguesa chegará às livrarias na próxima terça-feira com uma tiragem (bem) mais modesta de 4 000 exemplares.
(ENTREVISTA – Em Caixa)
Achdé: "Sou o primo da província de Lucky Luke"
JN - Após três álbuns de Lucky Luke, qual é a sensação?
Achdé - Continuo nas nuvens e a ter enorme prazer neste mito da BD. Estes sete anos passaram como um sonho! Com muito trabalho, incertezas e angústias, mas também com prazer e satisfação.
JN - O que mudou na sua relação com ele?
Achdé - Lucky Luke entrou na minha família. É um amigo que vive no meu atelier. Morris era o seu pai, eu acho que posso dizer que sou o seu primo da província.
JN - Qual o seu melhor álbum de Lucky Luke?
Achdé - O próximo! Porque terá que ser ainda melhor que os precedentes.
JN - Há quatro Lucky Luke diferentes, o original de Morris, o mais popular de Goscinny e Morris, o pós-Goscinny e o actual de Achdé e Gerra?
Achdé - Pergunta difícil. Lucky Luke evoluiu ao longo dos anos. Os mais mágicos são os de Morris e Goscinny, mas alguns de Fauche e Leturgie são geniais. É impossível compará-los!
JN - Como apresenta o seu Lucky Luke?
Achdé - Uma mistura entre James Stewart e John Wayne; grande, calmo, pragmático, mas também leal, franco e cavalheiresco; um verdadeiro herói.
JN - Ainda tem dificuldades em desenhá-lo?
Achdé - Digamos que tenho medo de errar. Por isso volto muitas vezes aos meus desenhos, para tentar melhorá-los. Baixar a qualidade de uma personagem como Lucky Luke não é aceitável.
JN - Reencontrar Billy the Kid foi um prazer ou um problema?
Achdé - Um prazer, claro! Animar outra personagem pequena e nervosa como o Joe Dalton foi uma verdadeira maravilha!
JN - Como vê o seu futuro com Lucky Luke?
Achdé - Se Deus permitir, longo e bom!
JN - E um Lucky Luke escrito por Achdé?
Achdé - Todo o desenhador tem a veleidade de perguntar se será capaz de fazer texto e desenho. Para já, o papel de co-argumentista satisfaz-me plenamente, mas quem sabe o que trará o futuro?
JN - O próximo Lucky Luke vai ser.
Achdé - Lindo!
Copyright: © 2008 Jornal de Notícias; Pedro Cleto
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Jornal de Notícias, 8 de Dezembro de 2008
À abordagem!
Pedro Cleto
Após 40 anos de carreira, Hermann estreia-se numa história de piratas
Aos 70 anos, "O diabo dos sete mares", é (mais) uma confirmação de Hermann como um dos melhores desenhadores realistas da BD franco-belga.
E revela a sua mestria na planificação contida mas variada e dinâmica e, principalmente, no desenho traçado com soberbas cores directas, das múltiplas gamas de cinzentos das cenas nocturnas aos tons luxuriantes dos pântanos da Carolina do Sul. Isto, depois de incursões por quase todos os géneros: aventura em estado puro (em "Bernard Prince"), western ("Comanche"), Idade Média (revisitada n'"As Torres de Bois-Maury"), futuro pós-apocalíptico ("Jeremiah"), ficção histórica ("Jugurtha") ou humor e fantasia ("Nic, o sonhador").
Agora, tudo se inicia com o casamento em segredo da filha de um rico fazendeiro com um aventureiro de passado duvidoso. Só que o seu acto despoleta um sem número de consequências, do deserdar da jovem ao incêndio da plantação do seu pai, da fuga do casal às sucessivas alianças, lutas e traições pela posse do tesouro do mítico e terrível pirata conhecido como "Diabo dos Sete Mares", em torno de quem tudo gira apesar de uma aparição pouco mais do que fugaz.
Tudo narrado em cadência acelerada, com os acontecimentos e as revelações a sucederem-se, obrigando o leitor a parar por vezes para considerar as diversas pistas que o argumentista Yves H., como é habitual nele, vai fornecendo, fazendo de uma intriga aparentemente simples e directa, uma trama elíptica e elaborada.
O Diabo dos Sete Mares - Parte 1
Yves H. (argumento) e Hermann (desenho)
Vitamina BD
Nascido a 17 de Julho de 1938, Hermann Huppen, em parceria com Greg, foi um dos pilares da revista "Tintin", nas décadas de 60 e 70.
A partir dos anos 80, primeiro a solo, desde 1995 com argumentos do seu filho Yves H., aliou a um elevado ritmo produtivo um apuro gráfico da sua notável técnica de cor directa.
Copyright: © 2008 Jornal de Notícias; Pedro Cleto

Não consegui a capa da edição portuguesa, sorry.
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DEPOIS DE UMA VIAGEM AOS EUA PARA SER VISTO NUMA EXPOSIÇÃO, O DAVID DE MIGUEL ANGELO, VOLTOU ASSIM A FLORENÇA....
