dezembro 14, 2008

TERTÚLIA BD DE LISBOA - DE NATAL

O 292º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa, no seu 23º ano, decorreu no passado dia 9 de Dezembro. Até há dois anos havia em Dezembro dois encontros da Tertúlia – o normal, na 1ª terça-feira e o de Natal, na 3ª terça-feira. No ano passado Geraldes Lino decidiu alterar e concentrar as coisas, apenas se realizando a Tertúlia de Natal, que passou a ser na 2ª terça-feira de Dezembro. E sempre em Restaurantes diferentes do habitual mensal, tal como a Tertúlia de Aniversário, em Junho, e que por isso se chamam Tertúlias Vadias. Isto para já não falarmos da Tertúlia BD de Lisboa em Beja, que é anual e se iniciou naquela cidade com o II Festival Internacional de BD de Beja, em 2006.

Assim esta Tertúlia de Natal, em que estiveram presentes 47 tertulianos bedéfilos, realizou-se no Jardim dos Leitões (que só abre para grupos com marcação), perto da Praça do Chile e cuja especialidade é o leitão assado à Bairrada. Tem uma sala ampla, que ocupa aquilo que foi em tempos o quintal do edifício, agora coberto e com as paredes originais completadas até à cobertura com um encaniçado. Dois aquecedores de jardim amenizavam a tempertura fria que se fazia sentir e, sumo dos sumos (para os fumadores, pois), dado que a sala é quase uma esplanada, podia-se fumar!!! Lá estava o dístico azul…

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Dado que o meu scanner se lembrou de pifar uns dias antes da Tertúlia, não apresento as tradicionais digitalizações do Programa, Folhas Volantes e Tertúlia BDzine, mas sim fotos com o dito material circulante em primeiros planos – não se consegue ler, mas foi o que se arranjou!

Aqui ficam as fotos:

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Geraldes Lino, atento à questão da reabilitação do Parque Mayer (ou não fosse aí que se realizam os encontros mensais da Tertúlia BD de Lisboa), distribuiu um folheto em papel cinza intitulado Parque Mayer (1) – Notícias para os resistentes, cujo texto e uma planta do projecto, que não a mesma do folheto, aqui fica para os interessados.

MANUEL AIRES MATEUS, AUTOR DE PROJECTO PARA O RATO, VENCE CONCURSO DO PARQUE MAYER

Público, 27.11.2008 - 21h44 Luís Filipe Sebastião, Ana Henriques

O arquitecto Manuel Aires Mateus é o vencedor final do concurso de ideias para a reabilitação do Parque Mayer, em Lisboa, com a sua proposta de estender o Jardim Botânico até ao antigo recinto da revista à portuguesa.

Um hotel, serviços de vária ordem, restaurantes e duas salas de espectáculos – uma das quais o teatro Capitólio, devidamente recuperado – fazem parte dos edifícios previstos por Aires Mateus, que só tinha previsto 25 mil metros quadrados de construção, mas que, tal como os restantes concorrentes, teve de subir esse valor para 32 mil para se adaptar ao programa de concurso estabelecido pela câmara.

O arquitecto, que já tinha vencido a primeira fase do concurso, quer criar no antigo Parque Mayer mais um pedaço de cidade, com uma praça à volta do Capitólio e várias ruas. “Toda a zona será pedonal”, explicou hoje, dia em que soube que o projecto que irá por diante será o seu. Como o quarteirão está num declive, foram pensados alguns meios mecânicos, embora restringidos ao mínimo para ajudar os peões a vencer os desníveis que separam a Rua da Alegria da Rua da Escola Politécnica: escadas rolantes e elevadores. Ainda não é certo que no local fiquem bibliotecas e livrarias especializadas em artes plásticas e artes de palco e residências para artistas, como previu Aires Mateus inicialmente; a autarquia pediu aos concorrentes um programa de ocupação versátil do espaço para poder encaixar as valências que mais tarde entender.

Autor, com Frederico Valsassina, do projecto de um polémico edifício para o Largo do Rato que a Câmara de Lisboa não quer deixar construir, o arquitecto irá agora ajudar a autarquia a desenvolver um plano de pormenor para o quarteirão do Parque Mayer, uma área mais vasta que o antigo recinto do teatro de revista. O seu plano prevê ainda a recuperação do museu da Faculdade de Ciências.

O gabinete AXR Portugal Arquitectos, de Nuno e José Mateus, manteve o segundo lugar que conquistou na primeira fase do concurso. A sua proposta assentou em três eixos que caracterizam a zona: Ciência (museus), Natureza (Jardim Botânico) e Arte (Parque Mayer). As intervenções davam novos usos às construções existentes, embora também se admitisse um novo edifício de ligação à Praça da Alegria. Outras apostas: escolas de arquitectura paisagística e de jardinagem, hotel com 60 quartos e casa de chá suspensa (sobre o Parque).

Gonçalo Byrne, que ficara em 5.º lugar, subiu no alinhamento final à 3.ª posição. A sua proposta, com novos acessos à Praça da Alegria e Rua do Salitre, prevê uma capacidade construtiva de 60 mil m2 de habitação, hotelaria, comércio e serviços. O Capitólio, inserido num “denso tecido urbano multiusos”, beneficiaria de uma ligação por meio mecânicos ao Jardim Botânico.

Arquitecto premiado

Com vários prémios internacionais, Manuel Aires Mateus, de 45 anos, foi distinguido com o Valmor graças à reitoria da Universidade Nova, em Campolide. Já este ano ganhou, em parceria, um concurso para a nova sede da EDP na Boavista.

Como se poderá ver pelo projecto (é melhor visitarem o site indicado abaixo) a área de Restaurantes engloba o espaço actualmente ocupado pelo Restaurante Gina – talvez a Tertúlia tenha que fazer Encontros Vadios durante uns tempos, para depois voltar à casa mater….

Planta do Projecto (circulo vermelho - onde fica o Restaurante habitual, será a zona de Restaurantes):
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E agora, falemos de Leitões Assados à Bairrada:

A Bairrada é a Denominação de Origem de uma região entre Coimbra e Aveiro (Concelhos de Oliveira do Bairro, Águeda, Anadia, Mealhada e Cantanhede), que se notabilizou pelos seus secularmente famosos vinhos e que provavelmente deve a sua designação a Oliveira do Bairro – daí Bairrada. À fama dos seus vinhos, juntou-se em finais do século XIX, a do leitão assado.

Existe uma teoria que atribui o início do negócio do leitão assado dito “da Bairrada” a um tal Ti Marcelino que, vindo do Brasil, no início do séc. XX, se dedicou à confecção e venda (feita porta a porta e em feiras) do leitão assado. Terá tido como sucessor um seu aprendiz, António de Almeida, o Morcego, que viria a expandir o negócio no concelho de Águeda. No entanto, outros há que garantem ter sido graças à actividade de Carlos Mega e, mais tarde, Álvaro Pedro, que divulgaram a comercialização do leitão no concelho da Mealhada. Mas Pedro da Costa chama a atenção para um manuscrito conventual do séc. XVIII (1743) intitulado Caderno Refeitório, onde se faz a referência a uma receita de leitão assado que em quase nada difere da actual receita de leitão bairradino.

Refira-se, já agora, que entre a preparação do leitão assado à Bairrada e a do seu concorrente mais directo, o leitão assado de Negrais (na região saloia, a norte de Lisboa e a sul de Mafra e da Malveira), vai um mundo de pequenas diferenças, entre temperos e modos de preparo, sendo o mais notório o que diz respeito ao modo de assar: enquanto o da Bairrada é assado fechado no espeto, o de Negrais é assado aberto e espalmado.

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PREPARAÇÃO

INGREDIENTES
Para 1 leitão de 7 a 9 Kg:

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4 cabeças de alho
1 punhado de sal
1 colher sopa bem cheia de pimenta
50 a 100 g de banha de porco
2 colheres sopa de azeite

Pisam-se, num almofariz, os ingredientes pela ordem indicada até formar uma massa homogénea.
Em seguida, o interior do leitão, já esvaziado de tripas e miudezas é barrado com esta massa. Fazem-se alguns furos com a agulha no seu interior para que o molho penetre nas partes mais carnudas.
É então colocado no espeto de loureiro e, depois de cosida a barriga com agulha e fio carrete, vai para o forno.

COZEDURA

A qualidade do “Leitão da Bairrada” varia com o saber e arte do assador, não deixando também, de ser importante o tradicional forno de barro - que deve ser aquecido com lenha (casca de eucalipto ou feixes de vides) até ficar muito quente.
O leitão deve assar muito lentamente e, para que a cozedura seja uniforme, deve ser girado manualmente, sendo este um dos segredos da habilidade do assador. De meia em meia hora, retira-se o leitão e borrifa-se com água ou vinho branco maduro da Bairrada com sal, processo que se designa por “constipar o leitão” e que tem a finalidade de tornar a pele dura e estaladiça.

APRESENTAÇÃO

O “Leitão da Bairrada” é tradicionalmente servido em travessa de porcelana, cortado em pequenos bocados, colocados com a pele virada para cima e sem sobreposições para que a gordura não altere a textura estaladiça da pele.
Os acompanhamentos são batata cozida com a pele (há também quem o faça acompanhar de batata frita) e salada de alface, com tempero simples, para não alterar o paladar característico do leitão. Há também quem use rodelas de laranja para acompanhar, o que, apesar de alterar o sabor da iguaria, combina bem, já que tem um efeito adstringente.

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DERIVADOS

Cabidela de Leitão
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Prato típico da região da Bairrada que é confeccionado com sangue e miúdos (coração, pulmões e fígado) do leitão cortados aos bocadinhos e temperados com o molho do leitão, banha, sal, azeite, cebola, vinho tinto e água. Tradicionalmente, este prato é assado no forno, por baixo do leitão, aparando o molho que escorre deste.

Feijoada de Leitão
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Um refogado bem puxado a que se juntam os bocados de leitão assado e feijão branco cozido na hora. Não esquecer 1 colher de molho do leitão para temperar. Este prato tradicional faz-se para aproveitamento das sobras do Leitão da Bairrada.

Íscas de Leitão
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Fígado do leitão, cortado finamente, que, depois de temperado, é frito e usado tanto como petisco de entrada, como em cebolada para uma refeição mais completa.

Sandes de Leitão
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Pão da Mealhada com pedaços do Leitão da Bairrada que é característico das zonas de passagem e que tem a vantagem de o acompanhamento não alterar o paladar da iguaria.

Publicado por jmachado em dezembro 14, 2008 01:40 PM | TrackBack
Comentários

O importante foi a malta ter-se reunido toda mais uma vez.

A ver se me esqueço dos planos gerais, que apresentam um gajo de cabelos brancos...ou melhor, grisalhos...

Afixado por: Luís Graça em dezembro 15, 2008 03:59 AM

Cuidado com esses restaurantes com 100% de sala para fumadores.. tenho um amigo da ASAE.

Afixado por: artZ em dezembro 15, 2008 08:30 AM

Parabéns, Machado-Dias, por este notável "post" relacionado com o jantar de Natal da Tertúlia BD de Lisboa.
Foi pena que não tivesses podido reproduzir, como costumas fazer, as imagens dos fanzines gratuitos que edito em exclusivo para os "tertulianos", o "Folha Volante" e o "Tertúlia BDzine", este último com edição a cores, excepcionalmente, claro.
Os comentários que tive em relação à comezaina (bacalhau com natas e leitão à Bairrada) foram entusiásticos, não obstante a tua relutância pessoal em relação aos pratos com bacalhau aos bocadinhos...
P.S. - Li os comentários afixados, e intrigou-me o do Luís Graça, não consegui atingir o humor.
Oh Graça, parece que te incomoda a figura do gajo de cabelos grisalhos, ou brancos, nas fotografias, tanto, que até dizes que queres esquecer os planos gerais onde eu apareço.
Poderias perfeitamente ter desviado os olhos para figuras mais simpáticas, algumas até bastante charmosas, que eu convidei, tal como te convidei a ti.
A menos que apenas tenhas querido fazer humor (algo infeliz, acho eu) à minha custa.

Afixado por: Geraldes Lino em dezembro 17, 2008 05:59 PM

A piada era para mim, Lino.

Afixado por: Luís Graça em dezembro 26, 2008 01:46 AM
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