dezembro 28, 2008

RECORTES 14 - SUPLEMENTO ÍPSILON (PÚBLICO) SOBRE JOÃO FAZENDA - PEDRO CLETO (JORNAL DE NOTÍCIAS) SOBRE O CREPÚSCULO DO WESTERN - O MENINO TRISTE (JOÃO MIGUEL LAMEIRAS in DIÁRIO AS BEIRAS) E SOL (RICARDO NABAIS)

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JOÃO FAZENDA HERÓI DA “MONOCLE”

19.12.2008 - Joana Gorjão Henriques

A revista escolheu 20 nomes de quem quer ouvir falar em 2009
Aparece ao lado de um arquitecto chileno, de uma economista canadiana e no mesmo "ranking" que o ministro italiano da administração pública, Renato Brunetta. O ilustrador João Fazenda é um dos 20 "novos heróis" da "Monocle", revista sobre temas internacionais, Economia, Cultura e Design, criada por Tyler Brûlé, que lançou a "Wallpaper".
João Fazenda está em 16º lugar na lista de nomes internacionais de quem a "Monocle" "quer ouvir falar mais em 2009", pessoas que, "ultrapassando as adversidades, encontrando espaços livre no mercado e pensando criativamente, ajudaram de facto a tornar o mundo melhor." Em resumo, "pessoas que merecem um palco maior".
"Seriously Comic" é o título do texto, que faz três perguntas ao ilustrador de 29 anos, actualmente a viver em Londres. Apresentam-no assim: "já é uma estrela em Portugal", lembram os prémios que ganhou (Festival da Amadora em 2000, o grande prémio Stuart de Desenho de Imprensa de 2007, as quatro distinções nos Awards for Excellence da americana Society of Newspaper Design...) e descrevem suas ilustrações: "no seu melhor têm a ''naivité'' dos posters das linhas áreas do Médio Oriente [do gráfico/ ilustrador] Jacques Auriac, ao mesmo tempo que, em contraste sombrio, podem também ser doses fúnebres de reportagem."
"O seu humor e olhar afiado, ao lado da sua recente mudança de Lisboa para Londres para chegar ao mercado internacional, vão fazer as editorias de cultura [londrinas] lutar pelas encomendas das suas pranchas em 2009." João Fazenda (http://www. joaofazenda.com/), colaborador regular do Ípsilon, tem vários projectos em cima da mesa, diz-nos. Está em vias de estrear duas curtas metragens de animação, "Café" e "Algo Importante" (a próxima chama-se "Sem Querer"). Tem um projecto de "cartoons" políticos animados com André Carrilho, Cristina Sampaio e João Paulo Cotrim "que vai crescer no próximo ano", chama-se "Spam Cartoon" e vai para o ar dia 5 de Janeiro na SIC Notícias (www.spamcartoon.com).
Regressou também à BD (começou a trabalhar num novo livro e prepara uma "pequeníssima editora, dedicada à imagem desenhada - à ilustração - e ao trabalho que se vai fazendo em Portugal nestas áreas". Depois da colaboração com a revista inglesa "Eye", a possibilidade de fazer ilustrações em jornais ingleses ainda não é certa mas também não é impossível. 2008 já acabou bem para ele.

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Texto da secção Cultura de 27 de Dezembro de 2008

F. Cleto e Pina

CREPÚSCULO DO WESTERN

Histórias de cowboys em declínio na banda desenhada, reflexo da mudança dos tempos

Uma das mais famosas imagens dos westerns aos quadradinhos é a vinheta final dos álbuns de Lucky Luke, na qual canta “Sou um pobre cowboy solitário, muito longe de casa”, cavalgando rumo ao pôr-do-sol...
Esta imagem, de alguma forma, pode ilustrar o crepúsculo que vive o género na banda desenhada - e também nas outras artes…

A perda do fascínio e do mistério que o Oeste selvagem em tempos exerceu e que desapareceu neste tempo globalizado em que toda a informação está ao nosso alcance; a transferência daquele fascínio para mundos siderais, onde as aventuras narradas, em muitos casos são puros westerns… espaciais; a substituição do ser humano – protagonista por excelência dos westerns, enquanto narrativa de superação – pela máquina, em tantas situações; o aparecimento de outras fontes de entretenimento, são algumas das justificações para esse estado.
Às quais Gianfranco Manfredi, em entrevista recente ao site Universo HQ, acrescentou o facto de “os novos desenhadores terem dificuldades em desenhar cavalos e o oeste em geral”, ao anunciar para 2010 o fim de Mágico Vento (um aclamado misto de western e terror, bem condimentado com a exploração dos costumes índios e o paralelismo ficcional à realidade histórica, distribuído mensalmente entre nós em edição brasileira da Mythos).

Por isso, é cada vez mais difícil substituir as imagens que estão na memória de todos aqueles que algum dia cavalgaram juntamente com o insubordinado Blueberry, foram companheiros de Jerry Spring, vibraram com o duelo de Red Dust e Kentucky ou viveram as preocupações humanistas de Buddy Longway ou Ken Parker. Isso, porque são poucos os que vêm renovar o género - Gus, Bouncer ou Preacher, são parcos exemplos - juntando-se aos resistentes: Blueberry, Lucky Luke, Túnicas Azuis, Jonah Hex, Zagor ou Tex.

Tex que é o mais duradouro western da BD, algo que Giovanni Luigi Bonelli, nascido a 22 de Dezembro de 1908, em Milão, estaria longe de imaginar quando o concebeu, em 1948, como um herói duro e determinado, capaz de usar a força das balas para obter justiça. Antes dessa estreia, com o desenhador Aurelio Galleppini, G. Bonelli, consumidor voraz de romances e filmes de aventura, cujo centenário do nascimento, se cumpriu no passado dia 22, tinha já uma assinalável carreira na BD, na literatura para a juventude e como editor.

Tex, inspirado nos grandes êxitos cinematográficos do género, seria a sua grande criação e, depois da chegada do seu filho Sergio à direcção da editora, tornou-se um imenso sucesso e a face mais visível dos fumetti (a BD italiana). Forçado a abandoná-lo, devido à idade e à doença, em 1991, Gian Luigi Bonelli deixou muitas outras criações (e westerns) populares, nas quais sempre exaltou a amizade, o companheirismo, a lealdade e o espírito de aventura.

Os 100 anos do seu nascimento ficam marcados pela atribuição do seu nome a uma rua de Agropoli, pela primeira reedição do único romance de Tex que escreveu – “Il massacro di Goldena” (1951) – e indissociavelmente ligados às comemorações do centenário do nascimento dos fumetti, com a revista “Il Corriere dei Piccoli”, cumprido exactamente hoje.

Quanto a Tex, mantém vendas mensais de cerca de um milhão de exemplares, no conjunto das suas várias colecções, pelo que custa a acreditar nas pessimistas previsões de Sergio Bonelli aqui abaixo, quase apetecendo dizer que, se Tex reflecte o crepúsculo da BD nos quadradinhos, muitos bandidos tombarão ainda perante as suas balas certeiras antes de chegar a noite escura e triste.

Mini-entrevista com Sergio Bonelli, argumentista de Tex

"Mais novos não gostam"

Tex está praticamente inalterado desde a sua criação. Por razões comerciais, artísticas ou sentimentais?
Infelizmente não é verdade. Apesar do esforço de imitar o seu criador, todos os novos argumentistas introduzem diferenças que os leitores mais atentos não deixam de apontar.

Os tempos actuais não pedem um herói mais politicamente correcto?
Pelo contrário, o rigoroso "politicamente correcto" exigido por alguns incomodaria outros. É difícil contentar todos. O mundo dos quadradinhos pode abrigar personagens de todo o tipo: o leitor facilmente encontra heróis "modernos" sem se desnaturar um "herói" tradicional.

Tex continua a conquistar leitores?
As novas gerações não gostam de western. Tex continua a ser a BD mais vendida em Itália, mas todos os meses perde leitores; pode ser que daqui a 5 ou 6 anos já não haja suficientes para o manter. Infelizmente, a BD está destinada a dar rapidamente lugar a outros divertimentos mais fáceis e cativantes.

Copyright: © 2008 Jornal de Notícias; F. Cleto e Pina

(Enviado por José Carlos Tex Francisco - in Blogue do Tex)

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Publicado por jmachado em dezembro 28, 2008 12:56 PM | TrackBack
Comentários

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Afixado por: upuylbq em julho 17, 2009 11:03 AM
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