
Jornal de Notícias, 10 de Janeiro de 2009
Tintin octogenário
Foi a 10 de Janeiro de 1929 que o "Le petit Vingtième" publicou a primeira prancha de Tintin, dando início a uma aventura cuja actualidade, 80 anos depois, se faz cada vez mais distante da BD.
Nessa primeira prancha, a preto e branco, tal como as oito aventuras que se lhe seguiram, mais tarde redesenhadas a cores, Tintin partia de comboio para o País dos Sovietes, onde escreveria a sua primeira e única reportagem. Era um início marcado pela ingenuidade e pelo desenvolver do argumento ao correr dos desenhos, mas onde Hergé já revelava as qualidades - legibilidade, domínio da planificação, dinamismo do traço, construção da trama - que fariam dele um dos nomes maiores da 9ª arte.
Depois da Rússia, retratada de forma crítica e parcial, por influência do director do jornal católico que o publicou, Hergé levaria o seu herói a África e aos Estados Unidos, à América do Sul, um pouco por toda a Europa e mesmo à Lua, 20 anos antes de Armstrong. Com Tintin, construiu uma obra equilibrada e deslumbrante, traçada num primoroso estilo linha clara, tendo por principais vectores a aventura, a amizade, a lealdade e o sentido de justiça.
E que hoje em dia permanece perfeitamente legível - e inalterada devido à vontade expressa nesse sentido por Hergé - e na qual se encontram algumas obras-primas da BD. Mas que, nalguns casos, necessita de ser lida e interpretada à luz da época e do contexto em que foi criada, para evitar acusações ridículas e ignorantes como "racista", "defensor de maus tratos aos animais" ou "colaboracionista", que regularmente são feitas a Hergé, quase sempre por gentinha em bicos-de-pés em busca de 15 minutos de (triste) fama à sombra de Tintin. O caso mais recente veio esta semana à luz nas páginas do respeitável "The Times", num artigo (risível) de Matthew Parris, antigo deputado britânico, intitulado "Claro que Tintin é gay. Perguntem a Milu", de imediato desmontado por estudiosos e defensores da obra de Hergé.
A venda de originais tem também feito sucessivas manchetes, como em Abril último, quando o desenho a guache que serviu de capa à primeira edição de "Tintin na América", datado de 1932, foi leiloado por 762 mil euros.
Com mais de 200 milhões de álbuns vendidos, a actualidade de Tintin a nível editorial (uma vez que o último álbum original data de 1976 e que Hergé faleceu em 1983) vem das sucessivas reedições em novas línguas e dialectos (que somam já mais de meia centena) e formatos, como o recente "Tout Tintin" (Casterman), que compila as 24 histórias num único tomo de 1694 páginas.
Isto, a par do filme (ver caixa) e da inauguração do Museu Hergé, marcada para 22 de Maio, data do 101º aniversário do nascimento do pai de Tintin. Situado em Louvain-la-Neuve, na Bélgica, foi desenhado com a forma de um prisma, quase sem ângulos rectos, que parece flutuar, pelo arquitecto francês Christian de Portzamparc. Com fortes preocupações ambientais, ao nível do aquecimento, tratamento do ar e poupança de energia, o edifício com 6 700 m2 de superfície, divididos por quatro andares, acolherá o espólio da Fundação Moulinsart, sendo a parte museológica concebida pelo autor holandês Joost Swarte.
(caixa)Um filme atribulado
A vontade de Steven Spielberg adaptar Tintin levou-o a conversar com Hergé sobre o assunto, tendo adquirido os seus direitos cinematográficos logo em 1983, adivinhando alguns a sua sombra em Indiana Jones, nomeadamente no espírito de aventura pura que percorre os filmes e nalgumas cenas de acção.
Em 2007, após acordo com os herdeiros de Hergé, Spielberg anunciou uma trilogia com actores de carne e osso, em parceria com Peter Jackson, devendo o primeiro filme, dirigido por si e baseado no diptíco "O segredo da Licorne"/"O Tesouro de Rackham o terrível", estrear em 2008. O segundo filme, dirigido por Jackson, seria baseado em "As Sete bolas de Cristal"/"O Templo do Sol", juntando-se os dois para a realização da última película, sobre "Rumo à Lua"/"Explorando a Lua".
Só que, as dificuldades para conseguir os 130 milhões de dólares de financiamento necessários para o projecto (pouco atractivo para o mercado norte-americano onde Tintin não vingou), atrasaram-no sucessivamente, estando agora previsto o início das filmagens para Fevereiro e a estreia em 2010.
Isso inviabilizou a participação de Thomas Sangster, como Tintin, onde ainda só estão confirmados Andy Serkis, como Capitão Haddock, e Nick Frost e Simon Pegg para interpretar a dupla Dupont & Dupond, (surpreendentemente) transformada numa espécie de Bucha e Estica de formas moderadas.
Copyright: © 2009 Jornal de Notícias; Pedro Cleto

Jornal de Notícias, 7 de Janeiro de 2009
Flash Gordon nasceu há 75 anos
A 7 de Janeiro de 1934, os jornais norte-americanos publicavam a primeira prancha de Flash Gordon, de Alex Raymond, iniciando o período mais tarde baptizado como a Época de Ouro das tiras de imprensa.
Na verdade, alguns consideram que ela tinha nascido no mesmo dia, mas cinco anos antes, com o Tarzan, de Hal Foster e Buck Rogers de Philip Nowlan e Dick Calkins, mas a verdade é que 1934 fica indelevelmente marcado na história da BD nos jornais também pelas estreias de Jungle Jim (no mesmo dia e também de Raymond), Secret Agent X-9, Mandrake, Li'l Abner ou Terry and the Pirates.
Curiosamente, o Flash Gordon de Raymond - considerado por Umberto Eco uma das dez obras mais representativas da cultura ocidental - nasceu como resposta ao êxito de Buck Rogers, e inicia-se com uma ameaça de colisão entre a Terra e Mongo, um planeta à deriva, inspirando-se livremente no romance "When Worlds Collide", de P. Wylie e E. Balmer.
Flash e a sua (eterna) noiva, a belíssima Dale Arden (por quem muitos suspiraram) seguiam a bordo de um avião que, atingido por um meteorito, caiu junto ao laboratório do sábio (meio louco) Hans Zarkov. Partem então com ele num foguete, apostados em desviar a rota de Mongo, onde acabam por despenhar-se. Perseguidos pelo ditador Ming, (também) apaixonado por Dale, inicia-se então a verdadeira aventura, uma luta pela libertação de um mundo que Raymond, com uma imaginação transbordante, tornou fabuloso com o seu traço fino, detalhado, barroco e hiper-realista, exigente na representação da anatomia humana mas sem limites na recriação das criaturas fantásticas com que o povoou.
O êxito da serie transpôs Flash Gordon para a TV e o cinema logo em meados da década de 30 e levou à criação de uma tira diária, em 1940, por Austin Briggs, tendo Raymond assegurado as pranchas dominicais até ser incorporado, em 1944, sucedendo-lhe, entre outros, Mac Raboy, Dan Barry, Paul Norris ou Al Williamson.
Em Portugal, o herói, por vezes rebaptizado Relâmpago ou Roldan, estreou-se no Mundo de Aventuras em 1946. A criação de tiras de imprensa originais seria suspensa em 2003, estando em publicação, pela Ardden Entertainement, comic com uma versão actualizada aos nossos dias, assinado por DeMatteis, Deneen e Paul Green.
Copyright: © 2009 Jornal de Notícias; Pedro Cleto

Jornal de Notícias, 10 de Janeiro de 2009
Barack Obama encontra o Homem-Aranha
Antes da tomada de posse, Barack Obama vai encontrar-se com o Homem-Aranha na revista "The Amazing Spider-Man #583", à venda nos EUA dia 14 e disponível nas lojas especializadas nacionais a partir de dia 31.
O encontro terá lugar numa história especial de cinco páginas, escrita por Zeb Wells e desenhada por Todd Nauck e Frank D'Armata, que decorre em Washington, durante a cerimónia de tomada de posse, que o Camaleão vai tentar boicotar, provocando a intervenção do Homem-Aranha, de quem é um dos mais antigos inimigos.
Joe Quesada, editor-chefe da Marvel, explicou que "quando soubemos que o Presidente eleito Obama é fã do Homem-Aranha e coleccionados das suas revistas, decidimos que eles tinham de se encontrar", acrescentando que "momentos históricos como este têm que se reflectir nos comics, pois o universo Marvel está definido no mundo real".
A participação de Obama na revista deve levar a um aumento da sua procura pelos coleccionadores, sendo de esperar uma reimpressão dentro de poucos dias. Menos certo, embora previsível, é que algum dos exemplares disponíveis nas lojas portugueses tenha a capa variante desenhada por Phil Jiménez, que reúne o Homem-Aranha e Obama, uma vez que "geralmente a Marvel oferece uns tantos exemplares com capas especiais em função das quantidades encomendadas", explicou ao JN Vasco Carmo, da livraria Mundo Fantasma no Porto, que, tal como a BDMania (Lisboa), conta disponibilizar a revista aos seus clientes a partir de dia 31.
A primeira aparição de Obama numa história de super-heróis aconteceu na revista "Savage Dragon #145", onde este herói dava os parabéns ao recém-eleito presidente, colocando-se ao seu dispor. Nada de surpreendente, se tivermos em conta que o seu autor, Erik Larsen, antes das eleições expressou o seu apoio à candidatura de Obama exactamente na capa do número 137 da sua revista, que por isso teve direito a três edições, ultrapassando todas as expectativas de vendas.
Desta forma, Obama passa a fazer parte de uma restrita galeria de Presidentes dos EUA que contracenaram com super-heróis, onde já estavam, entre outros, John Kennedy, Ronald Reagan e Bill Clinton.
Copyright: © 2009 Jornal de Notícias; Pedro Cleto

Os mais novos podem ficar surpreendidos ao ver um presidente numa revista de super-heróis - Mas isso tem acontecido desde sempre. Por vezes o presidente aparece anonimamente - a sua face é escondida. Um dos que apareceu mais vezes foi o Lincoln. Podem ver o Kennedy aqui: http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Brasil_EBAL/SupermanAlmanaque/icon/1965.jpg
Afixado por: Ze Oliveira em janeiro 19, 2009 09:59 PMOs mais novos podem ficar surpreendidos ao ver um presidente numa revista de super-heróis - Mas isso tem acontecido desde sempre. Por vezes o presidente aparece anonimamente - a sua face é escondida. Um dos que apareceu mais vezes foi o Lincoln. Podem ver o Kennedy aqui: http://www.bdportugal.info/Comics/Col/Brasil_EBAL/SupermanAlmanaque/icon/1965.jpg
Afixado por: Zé em janeiro 19, 2009 10:01 PM