março 10, 2009

RECORTES 31 - DIVERSOS

Alguns recortes ficaram por editar aqui. Ei-los:

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JAMES STURM VEM A PORTUGAL

06.03.2009 | Arte & Design | Banda Desenhada

O autor de referência de banda desenhada encontra-se em Portugal, onde participa numa conferência e num workshop sobre a sua arte.

James Sturm, um dos nomes incontornáveis da banda desenhada, está em Portugal no decorrer de uma iniciativa conjunta entre a ESAD, em Matosinhos, e a livraria Mundo Fantasma, e prepara-se para realizar uma oficina e uma conferência entre 9 e 11 deste mês. A vinda do autor norte-americano a terras lusas também comporta a inauguração de uma exposição de originais da sua obra America, que terá lugar no dia 11, às 18h00, na galeria da livraria Mundo Fantasma, na Boavista.

A oficina intitula-se Exploring Comics, e debruça-se sobre os fundamentos da construção da BD. No primeiro dia os participantes vêem abordadas e debatidas questões criativas relacionadas com vários artistas e, no dia seguinte, os formandos serão desafiados por James Sturm a criar uma BD completa, cujo processo de elaboração conta com curtas apresentações.

No dia 11, pelas 15h00, James Sturm dá uma conferência no auditório da ESAD, intitulada A Life in Comics, onde falará acerca do seu percurso individual e da banda desenhada em geral, estando ao dispôr da audiência para responder a questões.

James Sturm é o actual director do Center for Cartoon Studies, em Vermont, e um dos fundadores da National Association of Comics Art Educator. Da sua vastíssima obra destaca-se Fantastic Four – Unstable Molecules (2003), editado pela Marvel, que lhe valeu um Eisner Award.

A oficina está aberta ao público em geral, devendo as inscrições ser feitas até esta sexta-feira através do endereço lab@easd.pt. O custo da participação varia entre os 64 (alunos da ESAD) e os 80 euros (público em geral), e as inscrições estão limitadas a 20 participantes.

In http://www.rascunho.net/

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O SÉTIMO SELO EM BANDA DESENHADA

Pedro Cleto

O terceiro livro da colecção de banda desenhada "O Filme da Minha Vida", foi apresentado no passado dia 27, em Viana do Castelo. Intitulado "O Sétimo Selo" e inspirado pelo filme homónimo de Ingmar Bergman, de 1972, é da autoria de Jorge Nesbitt, que esteve presente para falar da obra e inaugurar uma exposição dos seus originais, que estará patente até 30 de Abril no Espaço Ao Norte, naquela cidade.

Nesbitt, artista plástico e ilustrador, com formação de Artes Plásticas pelo Ar.Co, Centro de Arte e Comunicação Visual, onde é também professor, inspirou-se na célebre cena do jogo de xadrez entre a Morte e Block, o cruzado cansado, mantendo a disputa "mas sem peças ou tabuleiro, sem acção, apenas diálogo", escreve na introdução da obra o crítico e especialista de BD João Paulo Cotrim.

Lançada em Maio do ano passado, esta colecção, dirigida pelo artista plástico Tiago Manuel, com design gráfico de Luís Mendonça, é uma iniciativa da associação Ao Norte - Audiovisuais que desafiou dez desenhadores portugueses a inspirarem-se num filme que os tenha marcado para criarem uma obra autónoma em 32 páginas de BD, em formato A5, a preto e branco, criando assim mais laços entre duas artes já com tanto em comum. Os dois primeiros volumes foram "O Percutor Harmónico" (inspirado em "Aconteceu no Oeste, de Sérgio Leone), e "Epifanias do Inimigo Invisível" (O Deserto dos Tártaros, de Valério Zurlini), assinados respectivamente por André Lemos e Daniel Lima. No próximo volume, João Fazenda revisitará "Vertigo", de Alfred Hitchcock.

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SILÊNCIO

João Ramalho Santos

Após um início com a sua mais dilecta obsessão Príncipe Valente (na edição do qual já não participa), a actividade do editor Manuel Caldas, agora na editora Libri lmpressi, tem sido um misto de naturalidade e imprevisibilidade.
Na primeira categoria inclui-se Lance de Warren Tufts (trabalho que tem óbvias afinidades com o Valiant de Hal Foster), na segunda as séries humorísticas Hagar, o Horrendo e Ferd'nand. Da primeira (dois volumes editados) já se disse o essencial: é um exemplo típico de uma série familiar de classe média (“deslocalizada” para o tempo dos Vikings), da qual se reconhecem como herdeiros contemporâneos tiras como FoxTrot ou 90% das séries televisivas humorísticas familiares norte-americanas. O trabalho de Dik Browne é muito competente enquanto entretenimento bem educado, e há uma qualidade média apreciável. Falta empolgamento, falta questionar e transcender a fórmula que se vai transformando em espartilho com o decurso da leitura. Ferd'nand, pelo contrário, tem alguns laivos de revelação. Da autoria do dinamarquês Mik (Henning Dahl Mikkelsen) e iniciada em 1937, a tira foi concebida como uma série de «gags» mudos, de modo a facilitar a sua posterior introdução noutros mercados, como veio aliás a suceder. Evitando o problema da língua, Mik procurava uma comunicação com leitores que fosse universal (desde que assente em pressupostos culturais partilhados), nesse sentido antecipando o trabalho de autores subsequentes (Peter Kuper, por exemplo). lndirectamente esta característica é também benéfica para a editora em termos de tradução, e permite neste caso uma edição «bilingue», com um texto introdutório em português e castelhano. Por último, o formato quadrado típico das colectâneas de tiras (não seguido em Hagar) pode ajudar Ferd'nand a encontrar um público interessado nas constantes vicissitudes de um protagonista bonacheirão e voluntarioso com dificuldades para se impor num mundo de hábitos e objectos que não colaboram. Numa tira Mik usa um estratagema notável na sua simplicidade para definir a personagem como à margem de tudo. Noutra, essa sim verdadeiramente brilhante, Ferd'nand realiza uma exposição de pintura, mas o único "quadro" que consegue vender é uma janela, com vista para uma paisagem semelhante às retratadas nos quadros «verdadeiros» (e, evidente apenas para um leitor, desenhada no mesmo estilo). Sem mercado para a sua «ficção», a personagem só consegue «vender» um caixilho emoldurando realidade. Parábola minimal sobre os riscos da representação a tira evoca também o enquadramento particular da BD (ou literatura) autobiográfica, em que, por mais que alguns dos seus cultores pensem de outro modo, o fulcro reside no facto de, teoricamente, estar ali retratado algo de «real». Grande parte do interesse «voyeuristico» dos leitores desvanecer-se-ia caso a obra-evento (é disso que se trata) fosse subitamente «despromovida» a «ficção» (pense-se em James Frey). Ferd'nand não é homogeneamente interessante, ao depender de um humor «físico» mudo, sem recurso a «muletas», talvez não fosse de esperar outra coisa. Podia pôr-se a hipótese de se editar uma colectânea com uma selecção de tiras, de resto uma estratégia comum. Mas a opção pela integridade respeita-se. Mesmo irregular, Ferd'nand cativa com a sua pesquisa incessante e inteligente sobre como fazer humor sem palavras. E, mais ainda, pelos pequenos tesouros que se escondem nas suas tiras.•

SURGE... FERD'NAND (tiras de 1937).
Argumento e desenhos de Mik. Libri 1mpressi, 110 pp., 12,5 Euros.

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Sexo

TINTIN FORA DO ARMÁRIO

Nuno Nodin*

Alguma uma vez suspeitou de que o Noddy e o Orelhas eram mais do que apenas "bons amigos"? Que o homoerotismo descarado do filme Batman e Robin (1997) não deixava de ter um quê de verdade? Ou que a amizade entre Ásterix e Óbelix era um pouco suspeita? Pois bem, a mais recente personagem de banda desenhada a ser arrancada do armário poderá deixar alguns de boca aberta, mas, francamente, apenas os mais distraídos.

Matthew Parris, jornalista britânico, juntou dois e dois e afirmou que, sim senhor, Tintin era gay. Tudo a tempo de celebrar os 80 anos do carismático personagem. Num artigo publicado no The Times no início deste ano, Parris faz uma lista exaustiva dos sinais que apontam nesse sentido, por exemplo, o estilo impecável de Tintin; a sua androginia; e um Fox Terrier chamado Milou.

Mas, para lá de estereótipos, Parris refere ainda que apenas dois por cento das personagens que se cruzam com o repórter ao longo das suas aventuras são mulheres, com completa ausência de moçoilas atraentes que pudessem ser bons partidos para o rapaz. Pelo contrário, Tintin desenvolve uma suspeita amizade com Chang, um rapaz chinês pelo qual chora num dos raros momentos em que a personagem deixa cair lágrimas por alguém.

A única amiga que ele tem é Castafiore, uma diva de ópera! Mas, fugindo mais uma vez a clichés, a prova gritante para tal argumento surge n'O Caranguejo das Tenazes de Ouro (1941). Nessa história, Tintin muda-se de armas, bagagens e Milou para a mansão do capitão Haddock, que, por essas alturas, é um instável alcoólico inveterado.
Porém, ao longo do tempo e após tal mudança de vida, Haddock vai acalmando.

Decerto há quem discorde veementemente de tal tese. Apesar de o autor de Tintin, Hergé, ser belga, foi em França que surgiu uma tempestade de contestações à teoria de Parris. Areacção gaulesa é tanto mais inesperada quanto os franceses são, regra geral, bastante liberais. Porém, a homofobia espreita por todos os cantos e, como este episódio demonstra, continua bem viva. Afinal, por que deverá ser problemática a sexualidade do rapaz? Ou de qualquer rapaz ou rapariga? Pois. Infelizmente, actos homossexuais continuam a ser motivo para que homens e mulheres sejam condenados à morte ou à prisão em muitos países. Indivíduos gays são vítimas de discriminação e violência todos os dias e continuamos a ouvir altas e baixas individualidades da Igreja dizer que a homossexualidade não é normal.

Nesse cenário, é de louvar J. K. Rowling, que voluntariamente revelou que Dumbledore, personagem de Harry Potter, é gay. Evitou assim que outros tivessem de interpretar uma evidência não óbvia, mas nem por isso menos verdadeira, tal como a sexualidade de Tintin.

E, enquanto isso, ninguém fez a pergunta fundamental: afinal Tintin era louro ou ruivo?

(*) Psicólogo e professor universitário
Pode enviar-nos as suas questões para
nunonodin@gmail.com

Publicado por jmachado em março 10, 2009 07:03 PM | TrackBack
Comentários

Infelizmente o que está em causa é o sensacionalismo e protagonismo que se consegue ao fazer este tipo de afirmações. A homossexualidade está na moda e como se diz no artigo os rótulos começam a cair em cima de quase tudo o que é famoso.
Fosse qual fosse a intenção de Hergé, só ele o poderia confirmar e para mim, o que é mesmo importante em todos os personagens de BD é o facto de serem os meus heróis. :)

Afixado por: Joaninha Versus Escaravelho em março 10, 2009 07:56 PM

O que é sinistro nesta tese de Parris é que quem discordar com ele é homofóbico. E Nuno Nodin vai pelo mesmo diapasão: "A reacção gaulesa é tanto mais inesperada quanto os franceses são, regra geral, bastante liberais. Porém, a homofobia espreita por todos os cantos e, como este episódio demonstra, continua bem viva. Afinal, por que deverá ser problemática a sexualidade do rapaz? Ou de qualquer rapaz ou rapariga? Pois. Infelizmente, actos homossexuais continuam a ser motivo para que homens e mulheres sejam condenados à morte ou à prisão em muitos países".
Ou seja, coítados dos gays, e querer fazer chorar as pedras da calçada com perseguições. Se ele afirmar que fulano X oy Y é gay, a questão que surge é "Há algum problema que assim seja?". Quer isto dizer que se pode fazer insinuações sobre a sexualidade de alguém que esse mesmo se defender é logo automaticamente homofobo. Tristes estes tempos que se vivem!!!

Afixado por: watch the men em março 11, 2009 01:00 PM

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Afixado por: sagqhr em julho 17, 2009 11:04 AM
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