O jornal Público continua na senda da BD, no actual deserto da banda desenhada em Portugal. De novo em parceria com as Edições ASA, vai lançar com o jornal no dia 19, QUATRO?, de Enki Bilal.

ÚLTIMO ÁLBUM DA TETRALOGIA DO MONSTRO
Viagem de Bilal até ao fundo da condição humana.
A realidade é fragmentada, nunca se cansa o artista de lembrar aos leitores. É essa ânsia de unidade e de coerência que 'parece mover os três protagonistas pelos caminhos da vida.
Carlos Pessoa (13Março2009)
• Para quem apreciou a banda desenhada O Sono do Monstro, integrada no álbum consagrado a Enki Bilal da colecção Grandes Autores de BD do Público (Fevereiro de 2008), a leitura de Quatro? será o corolário final da experiência então iniciada.
Recordemos brevemente o começo de tudo. A Jugoslávia unificada pelo marechal Tito agoniza numa irremediável desintegração que deixa atrás de si um rasto de morte, desolação e dor Bilal, nascido em 1951 em Belgrado, capital de um país que deixou de existir, faz o seu luto pessoal dando início a um novo projecto que levará 12 anos a concluir. O Sono do Monstro, 32 de Dezembro, Encontro em Paris e agora Quatro? - publicado em parceria com as Edições ASA e com uma capa exclusiva para esta edição - são as quatro estações de uma tetralogia que acompanha de perto o percurso atribulado e sofrido de três órfãos nascidos no inferno de Sarajevo, em 1993.
O artista começou por colocar em palco Nike, reenviado aos 33 anos pela sua memória hipertrofiada para os momentos dificeis do próprio nascimento no início da história. Acompanham-no Leyla e Amir, vizinhos de berço e depois da vida. Agora, todos voltam a ser os protagonistas neste álbum que funciona como epílogo e remate de uma viagem atravessada pela presença de Optus Warhole, que se auto-intitula "Incarnação do Mal Supremo".
O ambiente desta banda desenhada inédita em português é o de um futuro próximo - o ano 2027 - povoado por clones meio humanos que colonizarão Marte e onde as equipas de futebol, sinal dos tempos, já não representam países, mas religiões. A realidade é fragmentada, nunca se cansa o artista de lembrar aos leitores; e é essa ânsia de unidade coerente que parece mover os protagonistas.
O fantástico e a ficção científica que constituíram, quase sempre, uma das imagens de marca deste talentoso criador, encontram um meio de expressão no admirável desenho do artista, mais pictórico do que gráfico.
Os azuis acinzentados de fundo proporcionam inconfundíveis atmosferas frias e reforçam a presença difusa dos personagens das histórias de Bilal. As cores quentes das sequências mais íntimas expõem, com toda a crueza, seres que tentam, apesar de todas as vicissitudes e adversidades, sobreviver no caos instalado.
A atmosfera das bandas desenhadas de Bilal, sobretudo a partir do momento em que assumiu as responsabilidades do argumento e do desenho, não mais deixou de traduzir o pessimismo, a depressão e o vazio da condição humana. Vale a pena relembrar as palavras do autor a propósito do aparecimento do título inaugural desta tetralogia, quase proféticas:
"O sono do monstro quer dizer muita coisa. Em primeiro lugar, o monstro que dorme em cada um de nós. E não posso deixar de considerar monstruoso e aberrante que alguém se torne o assassino do seu vizinho simplesmente porque soube que não são ambos da mesma etnia. Projectado à escala planeta, isso significa: 'Vocês não pensam como eu, por isso mato-vos...'
Imaginemos que se leva até ao extremo um pouco do que se vê por toda a parte, que se puxa ao limite a ascensão dos sectarismos, das máfias, da intolerância… chegar-se-á fatalmente a um mundo bipolar. É esse um pouco o tema do álbum em que, de uma assentada, uma ditadura espiritual se transforma num monstro de intolerância à escala do planeta, contra o pensamento, o conhecimento e a memória..."
O álbum
QUATRO?
É o último capitulo da Tetralogia do Monstro, a mais recente BD de Enki Bilal. História a três vozes que acompanha Nike, Leyla e Amirpelos caminhos do mundo, numa viagem em busca da memória perdida e da identidade estilhaçada. Narrado em cores sombrias e em ambientes crepusculares, confirma a mestria de um autor de excepção. É uma edição conjunta do PÚBLICO e das Edições ASA, com capa exclusiva.
QUATRO?
Quinta-feira 19 de Março
Por mais14€

Capa e prancha de QUATRO? na edição original da Casterman (P.Kuentro)

Enki Bilal
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13 de Março, 2009

QUEM É O REALIZADOR DE "TINTIN?"
Steven Spielberg terminou os 32 dias de filmagens, utilizando a técnica "motion capture", de "The Adventures of Tintin: Secret of the Unicorn", o filme de animação 3D baseado no ícone de BD criado pelo belga Georges Prosper Remi - ou, como era mais conhecido, Hergé.
Agora, passa o testemunho a Peter Jackson, realizador de "O Senhor dos Anéis", que irá tratar do material digitalmente durante os próximos 18 meses, revela a "Variety", para um resultado final que deverá ser semelhante ao de "Beowulf" de Robert Zemeckis. O americano filmou com actores "reais" e forneceu a Jackson a matéria de base para o neozelandês poder agora fantasiar.
Comparando o tempo que o projecto passará nas mãos de cada um, parece que "Tintin e o Segredo do Unicórnioo" pertence mais a Jackson do que a Spielberg, mas este vai ser o único realizador de Unicórnio -, diz ainda a revista.
Kathleen Kennedy, produtora de "Tintin e o Segredo do Unicórnio" e de outros filmes de Spielberg, insiste que o filme não vai expor as diferenças entre os dois realizadores e que estes estão a colaborar melhor do que Spielberg e Lucas nos filmes de "Indiana Jones".
Spielberg e Kennedy adquiriram os direitos de "Tintin" em 1983, depois de "Os Salteadores da Arca Perdida" ser repetidamente comparado às aventuras de "Tintin" pela forma como levava Indiana Jones para locais exóticos. O projecto apenas pôde avançar quando a tecnologia de animação conseguiu responder às exigências da história. É possível que "Tintin e o Segredo do Unicórnio" tenha semelhanças com "Beowulf" de Zemeckis, ou mesmo com "O Homem Duplo" de Richard Linklater, dois filmes que também utilizaram técnicas de "motion capture" e – com tratamento digital. O entanto, a produção garante que o filme será algo completamente novo. Martin Levy, porta voz de Spielberg, disse à revista norte americana que a tecnologia utilizada tem que ser vista para ser compreendida e que "não pode realmente ser descrita".
Especula-se que as aventuras do jovem jornalista se tornem numa trilogia e que Spielberg apenas fique com os créditos de realização no primeiro filme, porque Jackson será o realizador do segundo. No entanto, uma sequela ainda não está confirmada.
O elenco de "Tintin e o Segredo do Unicórnio" inclui Jarnie Bell ("Billy Elliot") no papel do jovem jornalista, Craig Daniel como o pirata Rackham, os comediantes britânicos Simon Pegg e Nick Frost serão a dupla Dupont e Dupond, Andy Serkis (o "Gollum" de "O Senhor dos Anéis") interpretará Capitão Haddock e TobyJones (o "Dobby" dos filmes de "Harry Potter") será o professor Girassol. "Tintin e o Segredo do Unicórnio" tem estreia agendada para 2010.

Foto promocional (P. Kuentro).
No Diário As Beiras, João Miguel Lameiras escreveu hoje, sobre as edições mangá da ASA. Mas só teremos esse RECORTE na 3ª feira.
Publicado por jmachado em março 14, 2009 05:43 PM | TrackBackPzRzkn zjqxtgxnnsqh, [url=http://lcrcuxeumbcb.com/]lcrcuxeumbcb[/url], [link=http://ceazvbbyxvba.com/]ceazvbbyxvba[/link], http://hoyxdrzfxbez.com/
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