junho 02, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #60 - AMANHÃ SAI O 3º ÁLBUM DA COLECÇÃO "CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN" COM O JORNAL PÚBLICO

No jornal Público de dia 29 de Maio, Carlos Pessoa apresentou o 3º álbum da colecção Clássicos da Revista Tintin e publicou também um texto sobre a própria revista Tintin. É a matéria que se apresenta abaixo. As fotos de Cosey e as pranchas de Jonathan assim com as capas dos números 1 da revista Tintin belga e portuguesa, são da responsabilidade do Kuentro.

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Jonathan no terceiro álbum da colecção Clássicos da revista Tintin

O PRAZER DA VIAGEM

Cosey é um dos mais originais e criativos autores europeus de banda desenhada, mas também um dos menos conhecidos em Portugal. Duas aventuras inéditas ajudam a conhecer este herói inquieto e sensível

Carlos Pessoa

Em 1975, Jonathan aparece pela primeira vez na revista Tintin (edição belga) em busca da identidade e memória perdidas nos cumes dos Himalaias. No final do ano passado, encontramo-lo na Birmânia tutelada por uma ditadura militar.

Entre os dois pólos de uma viagem constante, o herói nunca perde de vista aquele que é o seu objectivo maior - a demanda do sentido da vida e dos laços significativos que unem (ou devem unir) todos os seres. Mais do que a mera ligação física entre dois pontos geográficos, o que parece animar Jonathan é o prazer da descoberta do que está para além do acidental e do efémero. Por outras palavras, o seu percurso e as suas descobertas situam-se, sobretudo, numa geografia subjectiva que é proposto a cada leitor identificar
e sentir.

Tais reptos realçam a singularidade da série, caracterizada por um grafismo quente e afectivo, onde a cor assume uma importância crucial, Pode dizer-se que é graças a essa "ferramenta" que Cosey procura exprimir estados de alma, fazendo partilhar os leitores de atmosferas e ambientes que tanto são dos personagens como dos espaços - quase sempre a poderosa imensidão dos Himalaias - onde decorre a acção.

Do interesse do artista pelo Tibete - "talvez em virtude do meu gosto pela montanha", afirmou um dia - nasceu em boa parte a ideia de uma personagem que vive as suas aventuras tão longe.
A"originalidade" do budismo tibetano (a expressão é do próprio desenhador) e as visíveis influências da viajante Alexandra David-Neel, da filosofia vedanta, de Jung e de Sri Aurobindo fazem o resto, lançando o herói para uma saga que está longe de ter atingido o seu fim.
Pelo caminho, ele vai encontrando os marcos fundamentais do seu próprio percurso - Drolma, a rebelde criança tibetana, a guerrilheira Shangarila, o oficial britânico reformado Stamford Westmacott, o psiquiatra autodidacta Casimir Forel, Neal e o seu amigo invisível Sylvester. .. Há ainda a coronel Lan do Exército chinês, a bela jovem americana Kate encontrada em Srinagar ("um jungiano diria que é a minha anima", refere a propósito Cosey) ou a enigmática Sabei-Jasmim da mais recente aventura. São os rostos visíveis de uma sempre procurada e nunca alcançada unidade, manifestações da força irreprimível e impronunciável de um desejo mais profundo e pleno de realização individual.

Cosey é um dos mais originais e criativos autores europeus de banda desenhada, mas também um dos menos conhecidos em Portugal. Até agora, apenas sete das 14 aventuras já editadas de Jonathan, o seu alter ego heróico, foram publicadas em publicações periódicas, mas nunca em álbum.
Saíram todas entre Outubro de 1976 e Julho de 1982 nas páginas da edição portuguesa da revista Tintin - Lembra-te, Jonathan... ; Pés Descalços sob os Rododendros; O Berço de Bodhisatva; O Espaço Azul entre as Nuvens; Douniacha, Há Muito Tempo Atrás; Kate; e O Privilégio da Serpente. Da restante produção do artista suíço, apenas foram editadas duas obras - Viagem a Itália (dois álbuns, 1990 e 1991, Meribérica-Liber) e Orquídea (editora Witloof, 2003).

O ÁLBUM

O Sabor do Songrong e Ela ou Dez Mil Pirilampos são as bandas desenhadas do terceiro álbum da colecção Clássicos da revista Tintin, uma selecção dos melhores heróis " clássicos daquela publicação periódica de referência que constituiu um suporte fundamental de divulgação de banda desenhada na segunda metade do século XX. Realizadas pelo suíço Cosey, estas duas aventuras são inéditas em Portugal.

Jonathan
Quarta-feira,3 de Junho
Por + 6,90 euros

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Revista Tintin, um marco europeu

No dia 26 de Setembro de 1946 chegava às bancas de Bruxelas o primeiro número da revista Tintin.
As 12 páginas iniciais da edição semanal mal chegavam para incluir as aventuras de heróis que iriam preencher o imaginário de gerações sucessivas de leitores - Blake e Mortirner e Corentin, além do próprio Tintin.

A adesão dos leitores foi imediata, a publicação cresceu em páginas, heróis e autores, tornando-se uma referência fundamental da BD europeia. Não surpreende, por isso que, pouco mais de dois anos depois, saía a versão francesa, a 28 de Outubro de 1948,

É fácil estabelecer o início da revista, mas não é tão simples dizer quando acabou. A edição belga francófona publicou-se até 29 de Novembro de 1988, num total de 2202 números. Quanto à edição francesa, terminou em 4 de Janeiro de 1973, no número 1262.
Mas a revista não acabou aqui, pois surgiria com um novo titulo - Tintin (L'Hebdoptimiste) - em 9 de Janeiro de 1973, saindo com alguns ajustes de fórmula até 9 de Setembro de 1975. A 16 de Setembro desse ano deu lugar ao Nouveau Tintin, que se publicou até 29 de Novembro de 1988.
Em 9 de Dezembro de 1988 saía Tintin Repórter (com conteúdos similares para Bélgica e França), que só durou até 28 de Julho do ano seguinte. Sucedeu-lhe, em 26 de Setembro de 1989, Hello Bédé, que terminou em 29 de Julho de 1993. É de referir ainda a existência de uma edição flamenga de Tintin (Kuijje em flamengo), que surgiu também em 26 de Setembro de 1946 e só deixaria de se publicar em 29 de Junho de 1993, sem qualquer interrupção.

O Tintin português teve um percurso próprio, tendo surgido em 1de Junho de 1968. Acabou em 2 de Outubro de 1982 com um total de 749 números. Publicou as mais importantes e significativas séries da publicação-mãe, mas também um conjunto relevante de autores portugueses, entre os quais José Ruy, Vítor Péon, Fernando Relvas, José Garcês, Pedro Morais, Paulo Nisa, J. Pitágoras, Estrompa, Augusto Trigo e Mimi. Teve ainda uma edição especial para o Brasil em 1969, com traduções adequadas ao léxico local, que durou apenas 26 números.

Carlos Pessoa

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Publicado por jmachado em junho 2, 2009 12:37 PM | TrackBack
Comentários

Que saudades...

Afixado por: Labas em junho 6, 2009 11:23 AM
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