junho 09, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #63 AMANHÃ, ÁLBUM DE MICHEL VAILLANT COM O PÚBLICO + Pedro Cleto no JN +

Um post cheio, mais uma vez: Carlos Pessoa escreve sobre o 4º álbum da colecção Clássicos da Revista Tintin (Michel Vaillant); Pedro Cleto no suplemento IN do Jornal de Notícias sobre o álbum SILVER SURFER – REQUIEM, da BDMania e no próprio JN sobre os 75 anos do Pato Donald; Armando Corrêa (ou Luiz Beira) entrevista Rui Lacas na última edição do Alentejo Popular e publica uma prancha (a 7ª) do ZECA, de Rui de Oliveira Cosme e José Manuel Soares; finalmente o anúncio da exposição que André Oliveira inaugura amanhã (dia 10 de Junho) no nº 36, 3º Dto. da Praça Luís de Camões – de 10 a 12 de Junho, das 16 às 19 h. E ficam a faltar ainda dois textos de Pedro Cleto que ficam para amanhã…

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MICHEL VAILLANT NO QUARTO ÁLBUM DA COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN
Mergulho total no desporto automóvel

Michel Vaillant
Quarta-feira, 10 de Junho
Por + 6,90 euros

Carlos Pessoa

Michel Vaillant é um bom exemplo de um herói da BD popular, mas que foi quase sempre desconsiderado por muitos críticos.

A série criada por Jean Graton nunca escondeu ao que vinha. Está inteiramente centrada no universo dos desportos motorizados, com destaque para a Fórmula 1, acompanhando de perto a vida e peripécias de um pequeno núcleo de personagens - o clã Vaillant.
Ou seja, é uma obra de puro entretenimento, visando atingir o mais alargado espectro de leitores possível.
A trama familiar é um dos factores de êxito da série, que trata os temas propostos com o máximo realismo e um exaustivo suporte documental. O patriarca Henri Vaillant, os irmãos Jean-Pierre e Michel Vaillant, o colérico americano Steve Warson e, mais tarde, Julie Wood (que teve série própria antes de ser integrada em Michel Vaillant) são os protagonistas centrais.
A fórmula pode parecer-nos hoje singela, mas à época em que surgiu foi verdadeiramente inovadora.
Os dois géneros em que assenta Michel Vaillant – aventuras desportivas e histórias de família - abriram um caminho que seria depois explorado por outros criadores. Mas coube a Jean Graton o mérito de ser o pioneiro.
Os argumentos com que impôs a sua obra à estima dos leitores são fáceis de enunciar: realismo dos veículos e das corridas; desenho de leitura simples e narrativa de compreensão fácil; histórias comuns centradas nos problemas, dramas, emoções e comportamentos das personagens; e imersão total no universo do desporto automóvel.

A série foi adaptada à televisão em 1967 e teve uma versão cinematográfica em 2003 - um protótipo Vaillant/Courage 41 com motor Porsche correu mesmo as 24 Horas de Le Mans em 1997, classificando-se em quarto lugar... Jean Graton já não desenha, mas conta com uma equipa de colaboradores (Christian Papazoglakis, Nedzad Kamenica e Robert Paquet) que asseguram a continuidade da série sob a égide do seu filho, Philippe Graton, que gere o filão Vaillant.

A série chegou a Portugal menos de dois anos após a primeira aparição na revista Tintin (edição belga): foi nas páginas do Cavaleiro Andante, que publicou entre 1de Novembro de 1958 e 10 de Outubro do ano seguinte a aventura O Grande Desafio (o herói chamava-se Miguel Gusmão).

Michel Vaillant ainda voltaria a marcar presença nesta mesma publicação em 1960, mas foi sobretudo a edição portuguesa de Tintin que contribuiu para a mais ampla divulgação da série em Portugal, entre Junho de 1968 (com O Circo Infernal) e Abril de 1977 (O Circo de São Francisco).
A personagem não foi privilégio daquelas duas revistas, tendo aparecido em outras publicações – O Falcão (em 1959), Bip-Bip (suplemento das revistas Foguetão e Cavaleiro Andante, 1961), Zorra (1964-65), Selecções (Mundo de Aventuras, 1980), Jornal da BD (1982), Almanaque Tintin (1983), Flecha 2000 (2ª série, suplemento do Diário Popular, 1985), Selecções BD (1ª série, 1988) e BDN (Diário de Noticias, 1990).

A primeira edição de Michel Vaillant em álbum é da Editorial Ibis, em 1969 (A Honra do Samuraí), sendo depois publicados mais álbuns por outros editores.

O ÁLBUM
O 8º Piloto e Suspense em Indianápolis são as duas aventuras do quarto álbum da colecção Clássicos da Revista Tintin, dedicado a Michel Vaillant. Esta colecção é composta por uma selecção dos melhores heróis clássicos daquela publicação periódica de referência que constituiu um suporte fundamental de divulgação de banda desenhada na segunda metade do século XX. As duas aventuras, realizadas por Jean Graton. São inéditas em Portugal.

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Philippe Graton e Jean Graton

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Capa do DVD do filme e Michel Vaillant no Auto Sport

Estas imagens são da responsabilidade do Kuentro.

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6 de Junho 09

SILVER SURFER - REQUIEM
J.M. Straczvnki e Esad Ribic

BDMANIA

Contar e recontar origens e fins tem sido um dos filões explorados ciclicamente pela Marvel, seja para dar nova roupagem a um herói, relançá-lo pelas mão do autor do momento, interligá-lo com a mega-saga em curso, obter retorno mediático ou relançar vendas...

No caso deste Requiem, no entanto, o fim do surfista prateado faz todo o sentido. Desde logo porque ele é uma das personagens mais estranhas do universo Marvel, com uma grande carga mística e filosófica, e divagar sobre o sentido da (sua) vida como antecâmara da sua morte anunciada, na sequência de uma doença degenerativa incurável, surge como natural e lógico. Claro que só isso não seria suficiente, pois facilmente a história poderia descambar para o lamechas ou até o ridículo. Mas Straczynki, argumentista talentoso e competente que assinou o Homem-Aranha durante anos, consegue evitá-lo com um argumento seguro solidamente construído ancorado em textos de apoio que vão conduzindo a narrativa, levantando questões e apresentando algumas respostas. E ao mesmo tempo relembra o passado do herói, a sua chegada à Terra e a interacção com o Quarteto Fantástico.
E consegue ainda criar momentos marcantes como o (belo) presente de Mary Jane, a resolução (óbvia mas necessária) de um conflito cósmico milenar e, claro está, todo o epílogo em si.
Por seu lado, Ribic fez de cada vinheta uma autêntica pintura, reforçando com isso o clima dramático da trama, mas dotou-as também de movimento, expressividade e bons enquadramentos que permitem que a leitura vá fluindo ao rimo adequado. E a isto tudo há que acrescentar ainda o fantástico acabamento «metalizado» do protagonista, pleno de reflexos e cambiantes, que realça e torna mais traumática a sua degeneração final.

F CLETO E PINA

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pcleto2.jpg 4 de Junho 09

jnlogo19.jpg 9 de Junho 2009

Pato Donald faz 75 anos
Criação de Disney estreou-se no cinema e transformou-se num dos maiores heróis de sempre

F. CLETO E PINA
Há exactamente 75 anos, passava pela primeira vez nos ecrãs dos cinemas norte-americanos mais uma "Silly Symphonie" Disney, "The Wise Little Hen", onde se estreou um dos mais importantes heróis de sempre: o Pato Donald.
Curiosamente, "a saída do ovo" poderia ter acontecido mais cedo, uma vez que ele já é mencionado no guião de um storyboard escrito por Walt Disney em 1931, tendo mesmo Ferdinand Horvath feito alguns esboços.
Mas acabou por acontecer eram decorridos pouco mais de dois minutos daquela animação baseada na fábula de Esopo, então criado pelo animador Dick Lundy, e interpretando o papel de um dos preguiçosos que se recusam a ajudar a galinha que quer plantar milho para mais tarde ter alimento, surgindo apenas no final para (tentar) comer os frutos do trabalho dos outros. De personalidade ainda indefinida, já possuía a (semi-ininteligível) voz característica, da responsabilidade de Clarence Nash, que contribuiu bastante para o seu sucesso junto do público, embora fosse mais alto e pesadão e tivesse patas maiores.
De seu nome completo Donald Fauntleroy Duck, viria a revelar-se impulsivo, irascível, convencido, irritável, implicativo, explosivo, incapaz de pedir desculpa e reconhecer os seus erros, certo de ter sempre razão e um grande azarado . Veio também a descobrir-se sobrinho do pato mais rico do mundo apesar de pobretão, tio dos irrequietos Huguinho, Zezinho e Luizinho (surgidos em 1937) e eterno namorado de Margarida (1940). Na origem, já vestia o chapéu e camisa de marinheiro azuis com lista branca que se tornariam a sua imagem de marca, mas ainda não soltava os seus inconfundíveis quacks!
Da sua carreira, constam cerca de 200 filmes animados, 12 nomeações para o Óscar e um conquistado (com "A face do Fuehrer", de 1943) e milhares de histórias de banda desenhada, onde se estreou no mesmo ano de 1934, numa adaptação de "The wise little hen", escrita por Ted Osborne e desenhada por Al Taliaferro, sendo datada de 1938 a primeira revista com o seu nome. Seria no entanto apenas com Carl Barks, que desenhou mais de 500 das suas histórias entre 1942 e 1967, que se tornaria tal qual o conhecemos hoje. Barks, com o seu humor sarcástico, humanizou o pato, dotando-o de alguns dos maiores defeitos do ser humano, usando-o para criticar a sociedade e os seus vícios, e tornando-o assim numa inesgotável fonte de gargalhadas. E foi na BD também que, mais tarde, surgiu como alter-ego do Superpato e interpretou, emulando Indiana Jones, os Duck Tales.
Hoje, se as histórias aos quadradinhos estão em perda há muito (com excepções como os países nórdicos, a Itália, a Alemanha ou a Índia) e a participação em filmes animados diminuiu drasticamente, substituído por heróis do momento, de enorme mas breve êxito, a sua popularidade mantém-se (quase) intacta, identificado por milhões de pessoas e continua a aparecer em milhares de produtos licenciados um pouco por todo o mundo.

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Entrevista com Rui Lacas
Um jovem talento da BD portuguesa

Armando Corrêa

Pertence àquela que já é uma geração de trintões da BD portuguesa, como Ricardo Bianco, Pedro Brito, Agonia Sampaio, André Carrilho, João Fazenda, Ana Cortesão, Eliseu Gouveia (Zeu), Irene Trigo, etc..
Editado e premiado em França e em Portugal, Rui Lacas (de nome próprio Rui Miguel Rodrigues), nasceu em Lisboa a 9 de Maio de 1974. Colaborou com ilustrações e banda desenhada em diversas publicações. Da sua já notável obra, destacam-se os álbuns: «Maldita Cocaína», «A Cauda do Tigre», «A Filha do Caranguejo», «O Que é Feito do Meu Natal?» e «Obrigada, Patrão!» (publicado e premiado em França, antes de o ser em Portugal).
E aqui vai a entrevista:

«Obrigada, Patrão!», editado em França e em Portugal. Premiado em França e em Portugal. Como te sentes com este triunfo invejável?
Sinto-me muito bem. Este livro já ganhou cinco prémios. Trabalhei e consegui fazer o que pode chamar de «um livro completo». E com um argumento muito forte, baseado numa ideia de Vasquito Lourenço.

Como te surgiu a hipótese de seres editado em França, antes mesmo que no teu País?
A Asa já andava interessada. Mas foi tardando e entretanto, enveredei por outros caminhos. Fui a França e pesquisei editoras. Das duas que procurei, a Paquet, após duas semanas, contactou comigo, dizendo que a minha história fora aceite. Curiosamente, quando fui propor o meu trabalho, havia muitos concorrentes na mesma situação e depois vim a saber que afinal, fui o único escolhido, o que me encheu de orgulho.

No entanto, anteriormente, já tinhas sido premiado em Portugal, não foi?
Sim, no primeiro concurso em que participei, em 1990, no Salão da Sobreda.
Depois, quase logo a seguir, ganhei o primeiro prémio no concurso da Amadora.

Como vês o panorama editorial-BD em Portugal?
Eu nem me posso queixar... A BD nacional teve os seus tempos áureos, mas continua com um mercado muito pequeno. E até temos muitos valores. Eu não tenho grandes ilusões e tudo o que faço tenho conseguido publicar. Mas aqui não consideram muito os artistas da BD, pormenor que não acontece em Espanha, França, Bélgica... Os nossos editores apostam muito pouco, com pouca coragem. Mas não falo por mim, pois até agora tenho tido sempre sorte.

Alguma vez pensaste em criar uma série com heróis?
Neste momento, tenho uma série com heróis. É a «Asteroid Fighters», que já está muito adiantada. Aliás, aproximam-se muito mais aos super-heróis. A série, ainda inédita, comportará seis tomos, dos quais três já estão prontos.

Sentes que a nossa nova geração de desenhistas «ignora» as gerações e saberes dos veteranos?
Essa é a pergunta do sim e não... Não temos escolas de Banda Desenhada. As gerações dos anos 80 rebelaram-se um pouco contra as bds, que estavam institucionalizadas. Mas daí a haver falta de respeito, isso não. Agora há os «cristianos ronaldos» e os «mourinhos» e já não estamos sempre colados aos «eusébios»... O nosso «escape» porém, de modo algum significa falta de respeito.

Rui Lacas concluiu recentemente, para a colecção «BD e Música/Rock Português», a história da «Sétima Legião».

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Publicado por jmachado em junho 9, 2009 09:31 PM | TrackBack
Comentários

ana cortesão já é das quarentenas e não dos trintinhas....
michel vaillant foi uma tipica recusa dos criticos em aceitar tão óbviamente que grande parte da bd é puro entretenimento para rapazes...
não vejo porque esta criação tenha que ser pior que muitas outras (situando no tempo) , só porque o tipo desenhava os queixos com tanto dinamismo como desenhava os carros?

Afixado por: teresa em junho 10, 2009 10:28 AM
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