junho 18, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #65 - 3 TEXTOS DE JOÃO RAMALHO SANTOS NO JL...

Três textos de João Ramalho Santos no JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias), já um bocadinho atrasados, mas que, nesta “guerra” informativa sobre o festival de Beja, o aniversário da tertúlia BD de Lisboa e alguns outros textos mais prementes, acabaram por ficar para trás. Mas não esquecidos! Aqui ficam então os textos de JRS nos JL de 3 de Julho e 20 e 6 de Maio, sobre 3 lançamentos da colecção “O filme da Minha Vida”, o filme Watchmen, de Zack Snyder e SILVER SURFER: REQUIEM, editado pela BDMania.

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3 - 16 Junho 2009 – JL

PONTES

João Ramalho Santos

As boas ideias têm o condão de ser óbvias «a posteriori». A série “O filme da minha vida”, é uma dessa ideia, por vários motivos. Primeiro porque é simples, desafiando vários ilustradores a adaptarem para banda desenhada um fiIme que o tenha influenciado. Segundo porque o resultado é breve (obrigando os autores a um esforço sinóptico-evocativo evidente) e barato, características que a BD tem perdido. Terceiro porque se destina claramente aos não-interessados por banda desenhada, não prega aos convertidos. Quarto porque não tem medo de usar o cinema (evocando as colunas de Bénard da Costa) como «atractor». Ou seja, num certo sentido (é triste dizer isto, mas não deixa de ser verdade) vai buscar validação aonde é mais fácil ser concedida por um público vasto. Não necessariamente um público genérico, note-se, mas eventualmente disponível. Trata-se pois um projecto-ponte que, lançado pela Associação Ao Norte, tem o cunho de um dos mais interessantes ilustradores narrativos portugueses, Tiago Manuel. Só quem não conhece o percurso de polinização múltipla deste autor poderia, de resto, ficar surpreendido.

“O filme da minha vida” implica ainda, para além da edição em si, exposições e acções pedagógicas junto de escolas. Ou seja, é um ideia-acção global que se saúda até por estar sediada fora dos locais «óbvios» (Bedetecas de Lisboa e Beja, CNBDI da Amadora).

Embora breves, há em cada livrinho três objectos, dois visíveis que evocam um terceiro, invisível.

Este último é, bem entendido, o filme em causa, projectado na altura do lançamento de cada obra, mas ausente a partir daí, a não ser, eventualmente, na cabeça do leitor. Apesar de cada obra incluir uma ficha técnica e sinopse do filme, bem como a biografia do realizador, isto obviamente não substitui o objecto em si. Por outro lado, concorde-se ou não com a substância (e talvez sobretudo o tom) dos textos introdutórios de João Paulo Cotrim a verdade é que se impõem como ponte entre o visível e o invocado (filme), contribuindo, por sua vez, para a ligação que um leitor faça com a BD; não só com cada BD específica, mas com a linguagem em geral.

Há várias maneiras de encarar um desafio deste género: recriar parte da atmosfera do filme, focar um momento marcante, jogar com alguma da simbologia icónica, procurar resumir a mensagem fundamental (gráfica ou narrativamente), ou, no limite, fazer algo totalmente distinto mas próximo em espírito (solução mais radical que era interessante alguns autores tentarem no futuro). E não é arriscado dizer que a recepção de cada projecto dependerá em grande medida do conhecimento prévio que cada leitor tenha do filmes em causa, e de quanto se aproximem dos seus filmes-referência (pode haver vários filmes de uma vida, e muitas vezes mudam).

O espaço é curto mesmo para uma sinopse, e claro que isso acarreta riscos. Ou seja, há sempre a possibilidade, muito comum neste tipo de projectos, de a ideia inicial ser mais fértil do que a sua concretização, algo que depende não só da escolha de intérpretes, mas da sua capacidade para gerir as coordenadas impostas. Nesse sentido a maturidade de “O filme da minha vida” vê-se no interesse dos seus falhanços.

“Aconteceu no Oeste” (Sergio Leone em cinema, André Lemos em BD) é um exercício menos interessante de um autor extremamente interessante pela simples razão de a sua redução (simbolico-icónica) ser, passe a redundância, profundamente redutora, no sentido em que tudo desaparece num vórtice de traço e a BD pouco diz por si mesma. Depuração extrema?

Se quiserem, há racionalizações para tudo. “O Deserto dos Tártaros” está uns furos acima, com Daniel Lima a captar reflexo da paranóia instalada num Forte isolado onde soldados esperam por um inimigo que nunca se sabe se vai atacar (ou, sequer, se existe); mas que se aguarda com um misto de medo, ansiedade e desejo. Uma escolha curiosa, de resto o filme de Valerio Zurlini (belíssimo em termos cinematográficos, desequilibrado pela multidão de personagens/motivações que tenta seguir) tem como ponto de partida o romance homónimo de Dino Buzzati, um autor com ligações à BD (veja-se o interessantissimo Poema afumetti sobre o mito de Orfeu), e Lima está pois a fazer uma espécie de invocação em terceiro grau.

Por sua vez “Sétimo Selo” de Ingmar Bergman é, não só a escolha cinefilamente mais «pacífica», mas aquela na qual a banda desenhada faz uma ligação mais clara com o filme, sendo de notar que Jorge Nesbitt é, dos três autores, o que tem desenvolvido menos em termos de BD, o que não será coincidência. No fundo Nesbitt recria com as suas ilustrações planos do filme (podiam quase ser fotogramas) e destila em termos de texto a sua essência, transcrevendo a parte mais marcante dos diálogos entre a Morte e Antonius Block (ou o monólogo interior de Bergman). Sinopse muito eficaz e conseguida, ou redundância? Falta apenas um momento crítico desse diálogo. Quando a Morte indaga «Nunca te cansas de fazer perguntas?», Block responde «Não, nunca». «Mas não obténs respostas... », replica a Morte. Pois, se calhar não, digo eu. Mas tenta-se.

O FILME DE MINHA VIDA I: Aconteceu no Oeste.
Argumento e desenhos de André Lemos. a partir do filme de Sergio Leone.
Ao Norte, 36 pp., 2 euros.
O FILME DE MINHA VIDA 2: O deserto dos Tártaros.
Argumento e desenhos de Daniel Lima, a partir do filme de Valeria Zurlini adaptando uma obra de Dino Buzzati. Ao Norte, 36 pp., 2 euros. •
O FILME DE MINHA VIDA 3: Sétimo Selo.
Argumento e desenhos de Jorge Nesbitt, a partir do filme de Ingmar Bergman.
Ao Norte, 36 pp., 2 euros.

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6 a 19 Maio 2009 JL

TRADUÇÕES

João Ramalho Santos

O fim da banda desenhada impressa «tradicional» está previsto desde há muito, com a possível excepção de uns focos nostálgicos em locais como a França/Bélgica ou o Japão, onde o fenómeno ultrapassa em muito o imaginável. As razões são múltiplas, incluindo as que parecem condenar a maioria do jornalismo «tradicional», onde sobreviverão, não necessariamente, como se propala com perversa ingenuidade, os bons, mas aqueles com mais recursos, ou os capazes de fixarem melhor a atenção de um público saturado de imagens e máximas de 140 caracteres ou menos (com «verdade» ou sem ela). Surgida em força com o Século XX, a BD perdeu para o contemporâneo Cinema em termos de capacidade de evocação simbólica de massas (sem esse princípio dificilmente haveria outros tipos de cinema, muito menos teorias de cinema). Mais recentemente perdeu para a internet a vantagem que sempre deteve sobre o Cinema: o baixo custo (impressão, distribuição). Por mim não vejo problemas de maior, adorando livros de papel espero ser surpreendido com o potencial da tela virtual infinita, sobre a qual já muito se falou mas ainda pouco se fez. E que há um limite de pachorra para as citações e desconstruções por onde passa muita BD contemporânea, por mais inteligentes que sejam, a certa altura tem de se começar a construir qualquer coisa diferente. Ou não?

A relação entre BD e Cinema foi sempre próxima, havendo a destacar as particularidades da BD em termos de jogos com a «seta de tempo» (numa mesma página o leitor pode estar exposto a vários momentos espacio-temporais em simultâneo, no cinema não-excepções como Timecode de Mike Figgis àparte), ou de potenciar o uso do desenho caricatural, algo difícil de se fazer bem com actores «reais» (ou mesmo híbridos real-CGI) sem cair, lá está, na caricatura, conotada tanto mais negativamente quanto maior a associação com o real.

Como o Cinema pede meças à realidade que a BD nunca pôde pedir, tem também de pagar a factura respectiva. O que é evocativo na BD The Fountain de Kent Williams, é pedante no filme de Darren Aronofsky. Neste caso a primeira derivou do segundo, mas a transição mais em voga recentemente é a oposta: BD para cinema. Não deixa de ser natural, muita BD contemporânea foi criada tendo explicitamente em conta códigos cinéfilos mais ou menos óbvios, mais ou menos desconstruídos. Frank Miller é um exemplo paradigmático, e não são de espantar que filmes baseados nas suas obras Sin City ao 300 tenham algum ritmo, uma alma, se bem que coxa. Como não é de espantar que a adaptação que Miller fez de The Spirit de Will Eisner, uma obra que nada tem a ver com o seu universo, e que tem tanta relação com o Teatro como com o Cinema (e nunca com o mesmo Cinema associado a Sin City), tenha sido um desastre a todos os níveis.

O mesmo destino não teve, no entanto, Watchmen, a épica metáfora politico-social disfarçada do obra de super-herois escrita por Alan Moore e desenhada por David Gibbons nos finais da década de 1980 e recentemente adaptada para cinema por Zack Snyder, o mesmo responsável pela adaptação de 300. Watchmen foi um sucesso de bilheteira e não é arriscado afirmar que a esmagadora maioria dos que a consideram uma das melhores BDs de sempre esperava um objecto fílmico menoríssimo. Foi o meu caso, e estava enganado.

Como filme Watchmen funciona, no sentido em que transmite o essencial da mensagem, disfarçada de entretenimento ligeiro com os maneirismos de um filme de super-heróis. Fá-lo com as mesmas ferramentas que Snyder utilizou em 300: a extrema fidelidade gráfica e, sobretudo, narrativa. Dizer, por exemplo, que (e para pegar apenas nos extremos) os actores que fazem os papéis de Comedian ou Rorschach se destacam, enquanto o que encarna Ozymandias é um canastrão, é irrelevante. Sem deixar de ser verdade, é irrelevante.

Leia-se o livro e perceba-se que não podia ser de outro modo, os primeiros são personagens vividas, o último, de facto, um canastrão da pior espécie. Até nesse sentido o casting é perfeito, ao recorrer (tal como em 300) a actores pouco identificáveis. Já agora, Sin City (realizado por Robert Rodriguez e Frank Miller com o inefável Tarantino) resultava com actores conhecidos na medida em que estes se adaptavam aos «bonecos-tipo» da BD de Miller, na verdade representando papéis semelhantes aos seus «tipos» habituais. Snyder aposta no «virtuosismo» gráfico (no fundo uma mera fidelidade ao material de base) tratando os actores exactamente do mesmo modo que Manoel de Oliveira. Menos como pessoas e mais como meros veículos não-autónomos para encher de palavras e conceitos.

Em Watchmen Snyder tem o privilégio de ter as falas de Alan Moore, em vez do discurso proto-épico-simplisto-fascista do Frank Miller de 300, filme que, ao tentar emular a BD, reforça o seu teor caricatural de um modo que se torna ridículo, um ridículo não suficientemente mau para ter piada. Se há coisa que se retira dos filmes de Snyder é que, honra lhe seja, leva a coisa a sério. É, no fundo, um encenador que segue à risca indicações dos dramaturgos. Em BD estas são, por definição, visuais. Já agora, o filme Watchmen lembra que é altura de se dar o devido mérito ao estilo sóbrio (e «rígido») de David Gibbons na BD original, sem ele talvez a grandiloquência inteligente de Moore não tivesse resultado tão bem, tão contida.

Sendo impossível traduzir a riqueza do original, Snyder tem ainda o mérito de ter conseguido modificar Watchmen nos sítios justos, criando um filme que inegavelmente funciona sem trair o essencial da mensagem. Que é, entre outras coisas, que estamos todos tramados (com «F» maiúsculo), que a realidade é uma criação mantida artificialmente, que o destino soçobra em pormenores, e que ninguém daqueles que supostamente nos «protegem» sabe o que anda a fazer; ou, se sabe, está profunda e generosamente enganado, na melhor das hipóteses.

Pensada em termos da Guerra Fria, a obra de Moore e Gibbons ecoa como se tivesse sido pensada para hoje, sinal da sua maioridade. Que Zack Snyder a tenha feito chegar de maneira aceitável a um público mais vasto não é um milagre, mas o resultado de um trabalho artesanal (no sentido não-elitista do termo) cuidado. No fundo a prova simples de que com boas ideias se fazem boas coisas, com pastelões pseudo-épicos faz-se isso mesmo. Essa é a diferença entre 300 e Watchmen. Se a BD só servir para isto será muito pouco, mas aceito o que vier de bom. Iron Man já foi interessante, Watchmen melhor, veremos o Tintin de Spielberg.

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20 Maio - 2 Junho 2009 JL

MORTE

João Ramalho Santos

O aforismo de (apenas) não haver remédio para a morte é recorrentemente desrespeitado na banda desenhada de super-heróis.

Houve já vários «eventos especiais» nos quais diferentes personagens encontraram o seu fim, e isso foi utilizado para glosar eventuais «fins de época» com as quais os heróis se identificariam, funcionando sobretudo como golpes publicitários para trazer um sub-género à atenção de um público mais vasto.

Emblemáticos exemplos recentes incluem o duo simbólico dos «Dois EUA», o Super-homem (e o anacronismo da sua presumida inocência invulnerável) ou o Capitão América (símbolo de uma América entre a paranóia da segurança interna e o intervencionismo), mas houve outros. Com a particularidade de muitos se terem revelado, de um modo ou outro, reversíveis: tal como o fim da História de Francis Fukuyama, ou os obituários de Mark Twain, relatos sobre o fim de alguns super-heróis foram algo prematuros. Curioso é notar que toda a discussão em torno de Super-homem por alturas da sua «morte» (o que representava enquanto ícone, qual a sua viabilidade contemporânea) foram esquecidas aquando da sua menos mediática «ressureição». À espera de serem recuperadas aquando da «próxima» morte? O que vale é que nestes dias de Alzheimer social precoce ninguém se lembra de ontem.

Ironicamente, este tipo de estratagemas esconde o facto de alguma BD de super-heróis (entendida num sentido lato) ter produzido da melhor ficção político-cultural contemporânea, oferecendo interpretações alegóricas sobre o vigilantismo, a relação de poderes, o equilíbrio entre os direitos à igualdade/diferença, a instrumentalização do conhecimento, os pequenos clubes exclusivos e forças invisíveis com agendas próprias (que tanto podem ser de empresários, como de super-vilões).

Para lá das inevitáveis menções a The Dark Knight Returns e Watchmen, alguns arcos (a qualidade oscilante é um problema das séries em continuidade) de Animal Man, Doom Patrol, The Authority, Invisibles, ou Planetary (ou seja, coisas escritas por Warren Ellis ou Grant Morrison), para lá da sátira niilista de Marshal Law (Pat Mills e Kevin O'Neil), ou dos mais celebratórios Marvels/Astro City (Kurt Busiek, Brent Anderson e Alex Ross), e ainda, embora a outro nível, momentos de Hellblazer, Transmetropolitan ou Preacher, merecem outro tipo de leitura, que não a displicente.

Mas voltemos à morte, nada de a ignorar, como é costume. Silver Surfer: Requiem é uma obra interessante, bem captada do ponto de vista gráfico, e, sobretudo, bem escrita por J. Michael Straczynski, que, tendo um universo menos erudito (no bom e mau sentido) e mais linear do que os de Ellis e, sobretudo, Morrison, consegue ter uma voz individual lúcida. Criador da série de FC Babylon 5, argumentista de várias séries de BD de super-heróis (conhecidos ou de criação própria como o interessante Midnight Nation) e argumentista de Changeling, dirigido por Clint Eastwood. Tal como Busiek, Straczynski é um cultor dos grandes clássicos/arquétipos americanos, aos quais junta uma componente de estranheza (extraterrestres, super-heróis, a troca de uma criança), mas sempre como parte integrante, nunca como um corpo estranho. Silver Surfer/Surfista Prateado é uma personagem curiosa, misto de uma liberdade descontraída simbolizada pela prancha de surf (como a California era vista de Nova Iorque, sede da Marvel Comics), e misticismo contemplativo. Arauto do grande Galactus, Devorador de Mundos (sim, sei muito bem como isto soa...) a missão de Norinn Rad/Surfista era garantir que Galactus apenas devorava mundos desabitados, até basicamente o stresse da função o ter levado a despedir-se/ser despedido, passando a navegar o cosmos em solitário, reflectindo na sua imensidão, e, como corolário, na pequenez da maioria dos problemas que atormentam as formas de vida inteligentes que o habitam.

Sem nunca se sentir um iluminado ou um Mestre (ao contrário do Dr Estranho, uma personagem com coordenadas similares), antes como alguém que sabe demais, mas ignora como transmitir esse conhecimento de forma convincente. Em muitas das suas melhores histórias é essa dificuldade o principal motor narrativo. A empatia angustiada do Surfista contrasta com a amoralidade distante de Galactus, uma força bruta que transcende tudo sem explicar nada; modos complementares de pensar o infinito. Tal como com outros super-heróis, o que conta aqui são os conceitos básicos, os «topoi» que de imediato definem um todo filosófico. As boas acções de Super-homem, a nocturnalidade de Batman, o Id descontrolado de Hulk, a marginalização judaico-racista) dos X-Men, a rotina diária do Homem-Aranha, as telenovelas familiares no Quarteto Fantástico, o Homem Tecnológico de Álvaro de Campos em Homem de Ferro. Mais do que a personagem, este é o requiem para uma era, a era que gerou o Surfista, e com a qual Straczynski tem óbvias afinidades (de Babylon 5 a Midnight Nation), tal como, por exemplo, Moebius, que também trabalhou o Surfista. O pendor cósmico supostamente libertário das filosofias orientais da década de 1960 foi-se aburguesando na reciclagem, performance-art e feng-shui, e há muito que as lamentações e lições do Surfista se tornaram cansativas, também pela gama limitada de recursos que, paradoxalmente, a imensidão do cosmos lhe dava. Straczynski sublima isso mesmo ao fazer daquilo que transformou Norinn Rad no Surfista a causa da sua morte. Resta pois um percurso iniciático em marcha-atrás (um recuo iniciático), no qual as particularidades da personagem são apresentadas por contraste com as de outros heróis, até ao inevitável (para já?). A planificação e desenho a cor sem linhas de Esad Ribic evocam grandiloquência com o toque melancólico apropriado (como raramente acontece em Alex Ross), numa espécie de garrida paleta «hippie» envelhecida, feita sudário. RIP.

SILVER SURFER: REQUIEM. Argumento de J. Michael Straczynski, desenhos de Esad Ribic. BDMania, 100 pp., 12,50 euros.

ATENÇÃO: FORAM ACRESCENTADOS NO POST ANTERIOR MAIS DOIS LINKS DO YOUTUBE COM VIDEOS DO FIBDBEJA 2009 !!!

Publicado por jmachado em junho 18, 2009 09:22 PM | TrackBack
Comentários

a bd transmutou-se ,deixou de ser entretenimento infanto-juvenil, está a ganhar novos espaços e novos publicos , agora é mais ARTE que antes e uma arte barata mesmo que as melhores impressões sejam caras ...portanto contemporanea sim
é isso que os chamados "alternativos" em portugal andam há muito a tentar esclarecer sem sucesso tal é a dominancia da bedófilia

Afixado por: teresa em junho 19, 2009 11:33 AM
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