O jornal Público lança amanhã mais um livro da colecção Clássicos da revista Tintin, desta vez “Bernard Prince”, de Greg e Hermman. Na 5ª feira, também com o Público é lançado o livro “A Teoria do Grão de Areia”, de Benoit Peeters e François Schuiten. Tudo isto em colaboração com a ASA.
De referir que esta “A Teoria do Grão de Areia”, foi motivo de uma recensão crítica de Pedro Cleto no BDjornal #21 (Outubro/Dezembro de 2007) que, já agora incluímos aqui, bem como a referência à exposição em Bruxelas, aquando do lançamento do álbum.
Mas vamos por ordem de lançamentos:
19Junho2009

BERNARD PRINCE NO SEXTO ÁLBUM DA COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN
TRÊS AVENTUREIROS NUM BARCO
Bernard Prince
Quarta-feira, 24 de Junho
Por + 6,90 euros
Carlos Pessoa
Bernard Prince, Barney Jordan e Djinn são os elementos residentes de uma banda desenhada popular de qualidade. Este trio inconfundível, com características complementares - de facto, a quem ocorreria associar um homem elegante, fleumático e com boa apresentação (Prince) a um colérico barrigudo, beberrão e mal vestido (Barney) e a uma criança? -, foi uma criação da dupla Greg - Hermann, dois talentos puros que iriam, nos anos seguintes, dar ainda muito que falar de si e do seu trabalho.
Quanto a Bernard Prince e seus companheiros, começaram por ser os protagonistas de curtas histórias que viram a luz do dia na revista Tintin (edição belga), a partir de 4 de Janeiro de 1966. Uma vez apresentados, puseram-se a correr mundo a bordo do seu navio Cormoran, vivendo situações em destinos cada vez mais exóticos.
A série filia-se, assim, na melhor tradição da BD de aventuras, tão ao gosto dos jovens leitores da revista que as acolheu, mas também de um público mais adulto que sabe apreciar uma boa série de acção.
Os adversários dos heróis são, em geral, gente dura e sem escrúpulos, traficantes ou simples bandoleiros, criminosos empedernidos ou personagens oblíquas sem ética. Ou seja, homens e mulheres pouco recomendáveis, para quem a vida humana pouco ou nada vale. Neste contexto tão adverso, os personagens respondem com a sua inteligência e coragem, frieza e audácia, condimentadas com a força física sempre que isso se revela necessário. O resultado final é convincente: realizadas na fase culminante do percurso da série, as duas aventuras seleccionadas ilustram bem essa capacidade de síntese dos ingredientes narrativos, sabiamente doseados pelos seus criadores.
A mão de Greg está presente na maturidade dos argumentos que escreve. Hermann revela, nesta primeira obra de uma longa série produzida nas décadas seguintes, um talento acima da média. Associando acção e dramatismo (Greg) num registo gráfico realista com grande força expressiva (Hermann), os dois criadores assinam uma das obras de referência da BD europeia da segunda metade do século XX. Infelizmente para todos, Hermann abandonará a série em 1977, para se dedicar a outros projectos.
A carreira de Bernard Prince em Portugal começa no dia 31 de Maio de 1969, quando a revista Tintin inicia a publicação de Tormenta sobre Coronado. Nesse mesmo ano surge o primeiro álbum da série - Os Piratas de Lokanga (inclui uma segunda história, O General Satã), com a chancela da Editorial Íbis. Além da Íbis, outras três editoras publicaram álbuns da série Bernard Prince. A Livraria Bertrand foi responsável pela saída de quatro livros entre 1973 e 1978 e a Distri Editora publicou dois em 1983. A Meribérica-Liber, por último, lançou três álbuns de Bernard Prince em 1987 e 1988 (um dos quais assinado por Dany e Greg).
A Fortaleza das Brumas e Objectivo Cormoran são as histórias que integram o sexto álbum da colecção Clássicos da revista Tintin, dedicado a Bernard Prince. Esta colecção é composta por uma selecção dos melhores heróis clássicos daquela publicação periódica de referência que constituiu um suporte fundamental de divulgação da banda desenhada na segunda metade do século XX. As duas aventuras (argumento de Greg e desenho de Hermann) estão inéditas em álbum em Portugal.


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A Teoria do Grão de Areia, BD inédita em Portugal em edição conjunta Público-ASA
ESTRANHOS ACONTECIMENTOS EM BRUXELAS
A TEORIA DO GRÃO DE AREIA (tomo 1)
Quinta-feira, 25 de Junho
Por +17,50euros
Carlos Pessoa
Último episódio do ciclo Cidades Obscuras, verdadeiros protagonistas de uma série que homenageia os grandes arquitectos do início do século XX
Constant Abeels passa o seu tempo a arrumar pedras que se materializam de forma misteriosa no seu apartamento. Apoucos quarteirões, a senhora Antipova debate-se com a lenta, mas inexorável, acumulação de areia nas divisões de sua casa, para grande alegria dos dois filhos. O chef Maurice debate-se com uma situação paradoxal- perde peso, ao ponto de ser obrigado a usar pesos para não flutuar, mas não emagrece...
A equação formulada pelo argumentista Benoit Peeters e pelo desenhador François Schuiten – autores do álbum de banda desenhada A Teoria do Grão de Areia que será distribuído pelo PÚBLICO no próximo dia 25 de Junho - completa-se com a presença de Mary Von Rathen, a antiga criança-inclinada de outra história desta dupla (L'Enfant Penchée), a quem compete investigar e resolver estes enigmas.
Esta banda desenhada, último episódio conhecido do ciclo Cidades Obscuras (a segunda parte da história será publicada em 2010) que os dois criadores desenvolvem desde 1982, é apresentada num belíssimo álbum (formato italiano e bicromia) dentro de caixa dura, uma fórmula inédita nesta série e pouco comum nas edições oriundas do mercado franco-belga.
Os vastos espaços arquitecturais do díptico anterior (A Fronteira Invisível, parcialmente publicado em Portugal) dão lugar a uma narrativa mais centrada em ambientes interiores, com recurso a técnicas gráficas que contribuem para manter o clima misterioso e apocalíptico que atravessa esta e outras histórias.
O projecto da dupla Peeters-Schuiten constitui uma singularidade no panorama da banda desenhada europeia. Samaris, Urbicanda, Armilia ou Bruxelas são, no seu esplendor urbanístico e arquitectónico, os verdadeiros protagonistas de uma série que é tanto uma homenagem aos grandes arquitectos dos primeiros anos do século XX, como a manifestação de uma utopia grandiosa em torno dos espaços balizadores de um grandioso mundo paralelo.
Os leitores terão de esperar pelo segundo tomo de A Teoria do Grão de Areia para saber que mistérios se ocultam por trás desta bizarra invasão de Bruxelas por areia e pedras, e que nexo existe com a perda de gravidade de alguns dos seus habitantes. Mas os dados estão lançados desde já: o acontecimento inquietantes que se desenvolvem em Bruxelas constituem um sério desafio à capacidade de entendimento colectivo, sugerindo a existência de espaços de resistência à compreensão das coisas que a ciência e a razão, chaves de leitura desta civilização e deste tempo, são aparentemente incapazes de derrubar.
Abanda desenhada A Teoria do Grão de Areia (tomo 1), de Benoit Peeters (argumento) e François Schuiten (desenho), é o último episódio do ciclo Cidades Obscuras, que aqueles criadores desenvolvem desde 1982 com grande sucesso. Numa iniciativa conjunta Público-ASA.
Esta obra inédita em Portugal é apresentada num álbum de formato italiano e bicromia, dentro de caixa dura, fórmula inédita na série e pouco comum nas edições oriundas do mercado franco-belga.

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A Teoria do Grão de Areia no BDjornal #21:

LA THÉORIE DU GRAIN DE SABLE
François Schuiten (desenho) e Benoit Peeters (argumento)
Casterman
Universo fantástico, só possível em BD, paralelo ao nosso, com múltiplos pontos de contacto, referências ou desenvolvimentos, combinando presente, passado e futuro e dotado de cidades (quase) com vida própria - as verdadeiras protagonistas de cada livro - onde se distinguem alguns habitantes, atentos ou desencadeadores dos pormenores que despoletam cada história, a série "As cidades obscuras", associa o traço sumptuoso - mas extremamente legível e funcional - de François Schuiten, que cria e recria arquitecturas e mundos, e os argumentos inteligentes, ao mesmo tempo profundos e claros, de Benoit Peeters.
No mais recente álbum, "La Théorie du grain de sable", que começa com alguns factos insólitos aparentemente sem interligação, mas que se vão acentuando com o passar do tempo - a morte por atropelamento de um estrangeiro de aspecto bárbaro, a acumulação regular de grãos de areia num apartamento e de pedras de peso constante (6793 gramas, um número primo) noutra ou a progressiva perda de peso, sem que no entanto emagreça, por parte de um chefe de cozinha - mostrando o perigo do aumento descontrolado de pequenos problemas de fácil solução na sua origem, Peeters e Schuiten constroem uma fábula ecológica que alerta para os perigos do aquecimento global, ao mesmo tempo que mostram que o que vem de fora (da Europa comunitária…) não tem que ser obrigatoriamente mau, só porque é diferente.
Nele, reencontramos a (já não) pequena Mary Von Rathen (de "L'enfant penchée"), chamada de Phâry para conduzir o inquérito sobre os estranhos acontecimentos, e Constant Abeels (de "Brusel"), anos depois das histórias que (co-) protagonizaram, que vão ser observadores privilegiados dos insólitos fenómenos que dão um toque de fantástico, até aqui praticamente ausente na série, e que contrasta com o traço hiper-realista com que Schuiten, a pincel, construiu os cenários, e pontuam a acção deste livro, em formato italiano (deitado), que marca o regresso ao preto e branco (e branco - puro, uma "terceira" cor, de que só os leitores e Mary se apercebem, mas cuja mancha vai crescendo página a página), numa obra que reafirma a vontade de Schuiten e Peeters inovarem constantemente, pondo sempre em causa todas as soluções anteriormente experimentadas nas Cidades Obscuras e questionando continuamente o universo que criaram.
Como único senão fica o facto de ser apenas o primeiro de dois tomos, restando-nos aguardar pelo segundo. Com impaciência.
Pedro Cleto
EXPOSIÇÃO SOBRE “LA THÉORIE DU GRAIN DE SABLE”
Está patente até Março de 2008 uma exposição sobre este novo livro de François Schuiten e Benoit Peeters em Bruxelas na própria Maison Autrique, a casa criada por Victor Horta em 1893 para Eugene Autrique e que faz parte do livro La Théorie Du Grain De Sable. Pranchas e serigrafias originais (editadas pelos Archives Internationales), projecções de vídeo de um documentário-ficção – editado em DVD, etc...
Acresce que os autores estão, com esta exposição, também a promover a restauração do edifício.
Aconselhamos a visita ao site http://expograin.autrique.be/
J. Machado-Dias
O site da Exposição a que nos referimos neste texto do BDj #21 ainda pode (actualmente) ser visto AQUI.