junho 29, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #69 - João Miguel Lameiras no Diário “As Beiras” + Pedro Cleto no Jornal de Notícias + CONVITE PARA LANÇAMENTO DE DOIS LIVROS DE JOSÉ RUY

João Miguel Lameiras no Diário “As Beiras” sobre o recém lançado livro A TEORIA DO GRÃO DE AREIA, de Schuiten e Peeters. Pedro Cleto no Jornal de Notícias, sobre a lenda de MOURA em BD por 16 autores portugueses; sobre a Exposição de Craig Thompson na Mundo Fantasma e sobre a última edição de Manuel Caldas: LANCE, Volume 2 (de 4). Depois o CONVITE para o Lançamento de dois Livros de José Ruy, OS LUSÍADAS EM BD (edição comemorativa dos 25 anos da publicação) e MIRANDÊS - HISTÓRIA DE UMA LÍNGUA E DE UM POVO EM BD, em edições em português e mirandês…

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BANDA DESENHADA

REGRESSO ÀS CIDADES OBSCURAS

João Miguel Lameiras

Uma das mais interessantes séries de banda desenhada europeia das últimas décadas, “As Cidades Obscuras”, de Schuiten e Peeters, nunca tiveram em Portugal a atenção constante que a qualidade da série justificava. Depois das Edições 70, Meribérica e Witloof, chegou a vez das edições Asa pegarem na série, editando a 1.ª parte de “A Teoria do Grão de Areia”, a mais recente incursão da dupla Schuiten e Peeters pelo universo das Cidades Obscuras, publicado originalmente em França em Setembro de 2007.

Série maior da BD franco-belga, que cedo ultrapassou os limites da própria banda desenhada, para dar origem a livros ilustrados, documentários, exposições, intervenções cenográficos e até um congresso em Coimbra (cujas actas deram origem ao livro “As Cidades Visíveis”), “As Cidades Obscuras” é um desses raros exemplos de que na BD também é possível criar universos complexos e coerentes. Nascida em 1983, nas páginas da revista (A Suivre) com “Les Murailles de Samaris” e o que era para ser uma história independente, de homenagem à Arte Nova e à arquitectura em “trompe l’oeil”, acabou por dar origem a uma série de histórias autónomas, passadas num universo que os próprios autores definem como sendo um reflexo deslocado da Terra. Um universo constituído por uma série de cidades fantásticas, como Urbicande, Samaris, Brussels, Xystos, ou Phary, verdadeiros protagonistas de histórias fascinantes, que têm como pano de fundo as relações entre a arquitectura e o poder.

Em “A Teoria do Grão de Areia”, álbum que as Edições Asa distribuíram nesta última quinta-feira com o jornal Público (mesmo que na véspera já estivesse à venda no El Corte Inglês de Lisboa…) e que em meados de Julho chegará ao mercado livreiro tradicional, é a cidade de Brusel (equivalente no universo das Cidades Obscuras a Bruxelas) que se vê afectada por estranhos fenómenos. Fenómenos esses que atraem a Brusel, Mary Von Rathen, a protagonista do álbum “A Menina Inclinada”, que agora aparece como uma investigadora de fenómenos paranormais, na linha de uma Dana Scully, da série “X Files – Ficheiros Secretos”. E Mary não é a única personagem recorrente na série a participar nesta aventura, pois também Constant Abeels, que conhecemos do álbum “Brusel” é uma das vítimas dos estranhos fenómenos, ao ver a sua casa invadida por milhares de pedras vindas do nada, de formato irregular, mas todas com o mesmo peso de 6.793 gramas.

Embora este álbum possa perfeitamente ser lido por quem não conheça a série, há uma série de referências que serão mais facilmente compreendidas por quem conhecer bem a obra de Schuiteen e Peeters e o universo das Cidades Obscuras, como é o caso do edifício, desenhado por Victor Horta onde vive a Senhora Autrique, que existe realmente em Bruxelas e que foi recentemente restaurado e dinamizado, muito por via do esforço de Schuiten e Peeters.

Apresentado num formato italiano (horizontal) pouco habitual, este álbum mostra um Schuiten a explorar a técnica do preto e branco a pincel, na linha dos grandes mestres da BD nos jornais, como Milton Caniff, ou Alex Raymond, com excelentes resultados, em que a opção por um papel em tons de cinzento realça ainda mais o branco das pedras e da areia que invadem as casas de Constant Abeels e da Senhora Antipova. Agora, resta esperar pela edição portuguesa do segundo volume (anunciado para 2010) para saber como acaba esta história que nos proporciona um regresso ao fascinante universo das Cidades Obscuras.

Se a Asa está de parabéns pela aposta numa série absolutamente fundamental, ainda para mais contando com a divulgação acrescida que lhe é dada pela distribuição com o jornal Público, só é pena que, em vez da “Teoria do Grão de Areia”, não tivesse começado com o 2.º volume de “A Fronteira Invisível”, a história anterior, de que em Portugal apenas saiu a primeira parte, devido à falência da editora Witloof. Os leitores que não sabem francês (os outros, há muito que desistiram de esperar pelas edições portuguesas) certamente agradeceriam…

(“A Teoria do Grão de Areia” vol 1, de Schuiten e Peeters, Edições Asa, 136 págs., 17,50 Ä)

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Jornal de Notícias, 24 de Junho de 2009

AUTORES PORTUGUESES RECONTAM LENDA DE MOURA EM BD

Pedro Cleto

Aproveitando o feriado municipal, a Câmara Municipal de Moura inaugura hoje, pelas 11 horas, no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, a exposição dos originais que compõem o álbum "Salúquia - A Lenda de Moura em Banda Desenhada", que ficará patente até dia 20 de Julho.

Obra colectiva, em gestação desde 2004, junta 15 desenhadores e um argumentista - Luís Afonso, Jorge Magalhães, Augusto Trigo, José Ruy, José Garcês, Artur Correia, Zé Manel, Carlos Alberto, Isabel Lobinho, Pedro Massano, Catherine Labey, José Abrantes, Baptista Mendes, Eugénio Silva, José Pires e José Antunes - já com muitas provas dadas na BD nacional, não só na temática histórica, mas também no campo do humor, do erotismo ou da ficção aos quadradinhos.

Apresentado hoje, o álbum, com 76 páginas, capa de Carlos Alberto e contra-capa de Isabel Lobinho, compila treze bandas desenhadas e duas ilustrações que são outras tantas versões, diferentes no estilo, nas técnicas e na abordagem, da lenda da moura Salúquia, que originou o actual nome da cidade de Moura.

Durante o lançamento e na inauguração da exposição, ocorrerão momentos musicais a cargo do Coro Polifónico "As Vozes da Moura" e de elementos do Conservatório Regional do Baixo Alentejo - Secção de Moura.

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Publicado por jmachado em junho 29, 2009 09:24 PM | TrackBack
Comentários

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