novembro 02, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #94 - Textos de Pedro Cleto sobre o 20º FIBDA 2009 e OS 50 ANOS DE ASTERIX, COM ENTREVISTA EXCLUSIVA A UDERZO.

Regressamos, por hoje, aos recortes, com os textos de Pedro Cleto no Jornal de Notícias, o primeiro contendo a programação do 20º FIBDA 2009 – a que a organização, resolvendo mudar o nome oficial do Festival (juntamente com o logótipo, um pouco mais feliz que o anterior, diga-se desde já) chama agora 20º AmadoraBD, FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA, PORTUGAL. O que acaba por ficar errado, uma vez que mudando o nome, teria que mudar o numeral, sendo este já não o 20º FIBDA mas o 1º AmadoraBD, etc… No entanto como o primeiro Festival da Amadora, em 1990, se chamou “1º Salão de Banda Desenhada da Amadora”; os quatro seguintes “Amadora Cartoon, Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora” e, se não me engano apenas em 1995, seria o "6º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora”, os numerais já há muito que não batem certo com as designações oficiais. OK! Mas toda a gente sabe do que se trata.

O segundo e o terceiro textos são sobre os 50 ANOS DE ASTERIX, com uma entrevista exclusiva com Albert Uderzo, que pode também ser lida no blogue de Pedro Cleto, AQUI.

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Revista NS do Jornal de Notícias, de 24 de Outubro de 2009

DE FIBDA A AmadoraBD – 20 ANOS DE UMA HISTÓRIA COM QUADRADINHOS

F. Cleto e Pina

A cumprir este ano a sua 20ª edição, o ex-Festival Internacional da Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), agora Amadora BD (na verdade mais simpática, arejada e fácil de evocar), assenta nessa efeméride boa parte da sua programação. Decisão correcta e plenamente justificável, pela(s) história(s com quadradinhos) que o FIBDA soube escrever ou gerar, tornando-se “o” festival de BD em Portugal e um evento respeitado na Europa e no mundo. E contribuindo, juntamente com os entretanto já extintos Salão Internacional de BD do Porto e Salão Lisboa de Ilustração e BD, para colocar a banda desenhada (mais vezes) na agenda mediática nacional.

Destes 20 anos - longos e ao mesmo tempo curtos – os amantes de banda desenhada recordam em especial as boas edições que tiveram lugar na antiga Fábrica da Cultura, de que o Fórum Luís de Camões, onde o evento se realiza agora pelo terceiro ano consecutivo, é digno herdeiro. E recordam também como o festival encenou a três dimensões alguns dos mais fantásticos universos de papel ou a presença dos maiores artistas da 9ª arte, como Morris, Will Eisner, Hermann, Don Rosa, Moebius, Prado, Art Spiegelman, Alan Moore... E como deu igual tratamento aos autores lusos, novos e consagrados, conseguindo, por vezes, que também fossem mediáticos, como Luís Louro, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, José Ruy, ET Coelho, Artur Correia ou, este ano, Rui Lacas, José Garcês e Osvaldo Medina. E como permitiu a descoberta de outros nomes, de outros mundos desenhados, de outros universos aos quadradinhos, de outras fontes de sonho, emoção, liberdade.
Como marco deste percurso – não isento de recuos e escorregadelas – fica também a criação do Centro Nacional de Banda Desenhada e da Imagem (CNBDI), que possui uma biblioteca especializada, uma sala de exposições, e acolhe um já considerável acervo de pranchas originais, mas a que falta, no entanto, uma actividade mais intensa ao longo do ano.

Mas é também pelo peso de toda esta história que era legítimo esperar mais desta edição, logo a começar pelo designação do tema centralizador – “O Grande Vigésimo”, colagem desnecessária a Angoulême, onde a expressão “Le Grand Vingtième” fazia todo o sentido, numa alusão ao “Le Petit Vingtième” onde Tintin se estreou, mas que entre nós soa a cautela da lotaria…

Premiada? A resposta será dada por cada um após visitar o evento, mas a verdade, é que na lista de convidados só constam dois “monstros” da BD, Carlos Sampayo, o argumentista do mítico Alack Sinner, e o brasileiro Maurício de Sousa (ver texto alusivo nesta revista), já um “habitué”, faltando outros que, mesmo repetentes, pudessem dar mais brilho (merecido) à festa.
Mas, o grande destaque do Amadora BD é o próprio festival, através de uma exposição dividida em quatro núcleos: “Almanaque”, que evoca (est)a história e a evolução do evento; “Contemporaneidade Portuguesa”, dedicada aos autores nacionais em actividade; “Colecção CNBDI” que expõe muitas das pranchas oferecidas pelos autores que têm visitado a Amadora; e “20 anos de Concursos”, em que são destacados alguns dos que passaram pelos concursos e que se afirmaram no panorama nacional. E nesta área talvez o Amadora BD pudesse ter um papel mais relevante, que poderia passar por uma publicação regular onde os talentos descobertos pudessem publicar e crescer na 9ª arte.

Da restante programação, cujo interesse intrínseco global não se questiona, destaque para os originais de Maurício de Sousa, que cá vem comemorar meio século de carreira, para a evocação dos 50 anos de Astérix, através de uma exposição de coleccionismo, para as homenagens a Héctor Oesterheld, o mítico argumentista que nos anos 70 foi uma das vítimas da ditadura militar argentina, e a Vasco Granja, para a proposta do italiano Giorgio Fratini, autor de “Sonno Elefante – As Paredes têm Ouvidos”, que explora as memórias do edifício que serviu de sede à PIDE, e da (bela) América Central pintada por Emmanuel Lepage, bem como para a possibilidade de descoberta dos quadradinhos da Polónia e Canadá.

Faltam (mais) comics e manga (apenas estará representado pelo estúdio nacional NCreatures)? Mais uma vez, sim, o que poderá continuar a contribuir para o distanciamento das novas gerações em relação ao evento, cujo público tem envelhecido. Para além disso, por culpas próprias e alheias, que o espaço disponível não permite dissecar, continuam a faltar as pontes necessárias com editoras e lojas especializadas, o que se reflecte negativamente no lado comercial, que poderia – e deveria – ser uma das molas do festival.

Mas se alguns destes pontos devem ser ponderados por quem organiza, por quem edita – até por quem produz BD em Portugal – o que importa agora é que a festa dos quadradinhos já começou e até dia 9 há autores para encontrar, debates para ouvir e intervir, belos originais para admirar, universos para descobrir, livros novos para comprar; em suma, mais uma capitulo desta história (com quadradinhos) para escrever.

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Quadradinhos pela cidade
Para além do Fórum Luís de Camões, há outros equipamentos da cidade da Amadora que acolhem mostras de BD, cartoon ou ilustração. Eis a sua relação completa:

CNBDI
- Exposição retrospectiva/biográfica de Héctor Germán Oesterheld

GALERIA MUNICIPAL ARTUR BUAL
- Homenagem a Vasco Granja

CASA ROQUE GAMEIRO
- Centenário de Adolfo Simões Muller

RECREIOS DA AMADORA
- Cartoon

ESCOLA SUPERIOR DE TEATRO E CINEMA
- Riscos do Natural, de José Ruy

CENTRO COMERCIAL DOLCE VITA TEJO / KIDZANIA
- Em Traços Miúdos, Ricardo Ferrand, Pedro Leitão e José Abrantes

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Autores presentes
Para um autógrafo, um desenho e/ou uma conversa, eis os autores estrangeiros que será possível encontrar nos três fins-de-semana do Amadora BD 09:

24 e 25 de Outubro
Cameron Stewart (Canadá)
Karl Kerschl (Canadá)
Ramón Pérez (Canadá)
Miguel Angel Martin (Espanha)
Emmanuel Lepage (França)
Carlos Sampayo (Argentina)
Oscar Zarate (Argentina)
C.B. Cebulski (EUA)

31 de Outubro e 1 de Novembro
Giorgio Fratini (Itália)
Agim Sulaj (Albânia)
Korky Paul (Zimbabwe)
Mauricio de Sousa (Brasil)
Achdé (França)
Yosh (Suécia)
Natália Batista (Suécia)
François Boucq (França)

7 e 8 de Novembro
Javier Isusi (Espanha)
Alfonso Azpiri (Espanha)
David Lloyd (Inglaterra)
Zbigniew Kasprzak (Polónia)
Grazyna Kasprzak (Polónia)

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PARABÉNS ASTERIX

Pedro Cleto

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JORNAL DE NOTÍCIAS - Última Página do dia 29 de Outubro de 2009

A HISTÓRIA DE… ASTÉRIX
o pequeno guerreiro gaulês

Não é muito alto, mas compensa a baixa estatura com a sua sagacidade… e com a poção mágica que lhe confere força sobre-humana, cujo segredo apenas o druida Panoramix conhece.

Rezam as crónicas (em banda desenhada) que Astérix nasceu em 85 a. C., enquanto decorria (mais) uma zaragata na sua aldeia, algo completamente normal, refira-se. Diz-se que os seus pais foram dois franceses, René Goscinny e Albert Uderzo, mas na realidade os seus progenitores chamam-se Bomboca e Astronomix. Actualmente habitam em Condate, onde gerem uma loja de artesanato gaulês, chamada “O Menir Voador”, mas quando Astérix nasceu, viviam onde ele ainda mora, numa pequena aldeia no norte da Gália, povoada por irredutíveis gauleses que resiste ainda e sempre ao invasor romano…

Celibatário até hoje, conhecem-se-lhe apenas duas paixonetas sem consequências: a gaulesa Falbala e a romana Latraviata. Apesar disso, quando lhe deixaram uma criança à porta, todos suspeitaram de um caso amoroso, mas veio a descobrir-se que o bebé era filho da rainha Cleópatra (que tinha um belo nariz).

Goscinny e Uderzo, na realidade, limitaram-se a fazer a crónica (aos quadradinhos) das suas muitas e bem divertidas aventuras, nas quais por diversas vezes exasperou o imperador Júlio César e distribuiu prazenteira e generosamente tabefes por quase todos os legionários romanos com quem se cruzou. Nelas, percorreu praticamente todo o mundo antigo conhecido, desde a sua Gália natal (à qual deu a primeira volta… a pé!), a países próximos, como a Hispânia, Germânia (o país dos godos), Normandia, Bretanha ou Helvécia, ou mais distantes, como o Egipto, a América, a Índia ou a Numídia. Em Roma, onde todos os caminhos vão dar, participou nos célebres jogos de circo no Coliseu, e em Atenas, conquistou uma coroa de louros nos Jogos Olímpicos.

Sem profissão definida, a tudo isto prefere o sossego da sua aldeia natal – apesar de até extraterrestres já lá terem aparecido - ou ir à floresta caçar javalis com o seu amigo e companheiro de aventuras Obélix, nascido no mesmo dia que ele, o tal que caiu na poção mágica quando era pequeno.

E hoje, tantos anos depois, continua a ter medo apenas de uma coisa: que o céu lhe caia em cima da cabeça! Mas, felizmente, como é uso dizer-se na sua aldeia: “Amanhã não será a véspera desse dia”!

JORNAL DE NOTÍCIAS - secção Cultura de 29 de Outubro de 2009

ASTÉRIX NÃO MUDOU EM 50 ANOS!

O riso é o mais importante em Astérix
Sinto-me orgulhoso por poder celebrar este meio século de amizade com os leitores!

F. Cleto e Pina

Chama-se Albert Uderzo e nasceu em Fismes, na França, a 25 de Abril de 1927. Os 50 anos de Astérix, que se cumprem hoje, foram o pretexto para uma conversa por mail, na qual evocou com saudade o seu amigo René Goscinny, bem como o passado e o futuro do herói que juntos criaram.

Jornal de Notícias - Como apresentaria Astérix a alguém que não o conheça?

Albert Uderzo - Quer dizer que ainda há leitores irredutíveis? (risos) Astérix é um valoroso guerreiro gaulês, não muito grande nem muito inteligente, mas astuto e desenrascado! Ele e os outros habitantes da sua aldeia só têm medo de uma coisa: que o céu lhes caia na cabeça! Sempre em companhia do seu fiel amigo Obélix e de Ideiafix, o seu cão, percorrem o mundo antigo para socorrerem as vítimas dos romanos. Para lhes darem uns ”tabefes” precisam de uma preciosa poção mágica preparada pelo druida Panoramix que lhes confere uma força sobre-humana e lhes permite alcançar todas as vitórias, que festejam sempre com um grande banquete!

JN – Como seria Astérix se fosse imaginado hoje?

AU – Como já é! Ele mudou muito desde a sua criação: cresceu, os seus traços afirmaram-se e a sua personalidade também! Obélix também mudou: a sua estrutura, algo quadrada nos ombros, atenuou-se em benefício da barriga, que cresceu! Todas as personagens evoluíram e estão muito bem neste tempo!

JN – Nos últimos 50 anos quem mudou mais? Astérix, o mundo ou Uderzo?

AU – Tenho que reconhecer que quem está mais marcado é este seu criado! Como diz a canção: Onde estão os meus 20 anos? Quanto ao mundo, não me parece que tenha mudado assim tanto e a prova é que os álbuns que escrevi com o meu amigo René Goscinny continuam a divertir muitos! Astérix não mudou! Não pode mudar, o seu mundo é imaginário! Não pode envelhecer: 50 anos depois, continua a viver em 50 a. C.!

JN – Que qualidades permitiram a Astérix resistir tanto tempo, com um sucesso sempre crescente?

AU – Talvez porque se manteve sempre num mundo de papel, aos quadradinhos! Um mundo que lhe permite defender e preservar sempre os mesmos valores, a sua aldeia, as amizades e os prazeres simples (a caça, os banquetes, etc…) E nós, autores, quisemos sempre preservar esses valores na série, com um ingrediente suplementar: o riso, que é o mais importante!

JN – Quais foram os momentos mais marcantes deste percurso de 50 anos?

AU – Houve tantos! O primeiro, foi sem dúvida o meu encontro com Goscinny, em 1951, porque sem ele, não teríamos criado a personagem! Depois, em 1959, quando imaginámos Astérix pela primeira vez, para a revista “Pilote”. E, evidentemente, quando tomámos consciência que se transformara num verdadeiro fenómeno, ao ouvir um homem na rua a chamar ao seu cão Astérix! O mais triste foi o desaparecimento prematuro do meu amigo René, que me deixou arrasado. E ainda, hoje, o cinquentenário desta personagem que, para meu grande prazer, continua a divertir pequenos e grandes. Sinto-me orgulhoso por poder celebrar este meio século de amizade com os leitores!

JN – Se pudesse voltar atrás, o que gostaria de mudar?

AU – A partida de René. Foi-se demasiado cedo e de uma forma demasiado violenta. Sinto muito a sua falta. De resto, não mudaria nada desta aventura gaulesa!

JN – Qual é o seu álbum de Astérix preferido?

AU – Tenho um carinho especial por “Astérix entre os Bretões”, porque adoro o trabalho que o René fez com a língua inglesa! Mas quando termino um álbum, raramente o releio; parto logo para o seguinte!

JN – Que história de Astérix ainda não contou?

AU – Todas as que ainda não foram escritas. E talvez aquela em que penso para a próxima vez! (risos) Já na época de René tínhamos a sensação de termos explorado todos os temas que podíamos desenvolver com Astérix. Hoje, o problema é o mesmo, Astérix já viajou por todo o mundo antigo conhecido e é muito difícil fazê-lo descobrir novas regiões!

JN – Porque é que Astérix nunca veio à Lusitânia?

AU – Eis uma bela ideia para uma viagem! Agora só tenho que encontrar a intriga (risos)!

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Enquanto puder segurar um lápis, não cederei o meu lugar a ninguém!

No passado dia 22, foi posto à venda em duas dezenas de países (Portugal incluído), o 35º álbum das aventuras de Astérix. Intitulado “O aniversário de Astérix e Obélix – O livro de Ouro”, teve uma tiragem global de 3,5 milhões de exemplares e funciona como um momento de celebração da série.

JN – O álbum dos 50 anos é diferente dos outros…

AU – Para este aniversário queria algo especial. Um álbum onde todos os amigos de Astérix e Obélix lhes testemunhassem a sua amizade e lhes oferecessem uma prenda! Ao mesmo tempo presto uma homenagem a todos os leitores que seguem Astérix há tanto tempo! Então, imaginei uma espécie de álbum de recordações! É um conjunto de histórias curtas, todas com a temática do aniversário, que contam a preparação de todas essas prendas.

JN – Foi o último desenhado por si?

AU – Meu Deus, espero que não! Enquanto puder segurar um lápis, pode acreditar que não cederei o meu lugar a ninguém! É verdade que Astérix continuará depois de mim, já o anunciei e já trabalho com aqueles que me devem suceder, mas isso tem tempo!

JN - Vai deixar argumentos escritos para os seus sucessores?

AU – Ainda não pensei nisso e não preparei nada nesse sentido.

JN – Como imagina Astérix depois de Uderzo?

AU – Já houve um Astérix depois de Goscinny e espero que haja um depois de mim. Como o imagino? Espero que continue a divertir milhões de leitores em todo o mundo.
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René Gosciny (1926/1977) e Albert Uderxo (1927)

Claro que, como todos sabem, As Aventuras de Asterix, depois da morte de Gosciny, passaram a ser O Negócio Asterix... mas trataremos este tema em próximo post, a propósito da inenarrável exposição que o FIBDA deste ano dedicou aos 50 anos de Asterix.

Já agora, pode ver-se no blog da Asa Negra Comics (Hugo Teixeira e Ana Vidazinha) AQUI, uma interessante reportagem sobre o XVI SALÃO DE BD DE VISEU, que não tivemos aqui, este ano, oportunidade de acompanhar.

Publicado por jmachado em novembro 2, 2009 10:55 AM | TrackBack
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